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Festival de Inverno

Um passeio pela música contemporânea nordestina

Diferentes ritmos e cenas musicais do Nordeste ganharam o Palco Pop, na última noite de shows

Por: Ana Beatriz Caldas

O encerramento do Palco Pop trouxe muita chuva e frio, mas, principalmente, um público que ainda não estava preparado para dizer “até logo” ao FIG. Muitos adolescentes ficaram, durante toda a noite, na grade do palco, na certeza de que aquele momento era único e que logo se transformaria em memória pra vida toda.

Juarez Ventura

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Público do Palco Pop no sábado (30)

Em grande parte, estavam ali para ver Lucas Notaro e Os Corajosos, banda bastante apoiada no cenário local e que costuma fazer shows em eventos esporádicos por Garanhuns. Alguns veriam pela primeira vez uma apresentação do cantor Ayrton Montarroyos, recifense de apenas 21 anos, conhecido pela participação no programa The Voice Brasil em 2015, no qual teve um desempenho acima da média. Muitos outros, ansiavam que Seu Pereira e Coletivo 401, banda de samba rock nervoso da Paraíba, fizesse seu primeiro show pelas “minhas áreas”, como cantam em “Rabissaca”. Todos, provavelmente, se encantariam ao ver os batuques do grupo Bongar, última atração da noite.

Ayrton foi uma grata surpresa. Contratado de última hora para substituir Nuria Mallena, teve pouco mais de um dia para se preparar para o maior show de sua vida, até o momento; ou, pelo menos, com maior público. “Esse é o primeiro FIG que eu participo de fato, mas já trabalhei aqui como produtor e sou pernambucano, então eu sei da importância desse festival, que é um encontro de pessoas que realmente têm algo a mostrar. Não estávamos fazendo shows, porque estou finalizando meu CD e precisava estar muito focado, mas quando surgiu a proposta do FIG… Pô, o FIG eu não posso deixar de fazer, né? (risos)”, brincou o cantor, que deve lançar um disco autoral até o final desse ano.

Juarez Ventura

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O recifense Ayrton Montarroyos fez sua primeira apresentação no FIG

Durante o show, releituras de músicas cantadas no programa e de “coisas boas que quero mostrar ao público” fizeram sucesso e encantaram os presentes, especialmente em relação ao tom de voz do jovem, que interpretou “Olhos nos olhos” (Chico Buarque), “Vamos ficar sol” (Tibério Azul), Carinhoso (Pixinguinha) e “E então” (Academia da Berlinda). Também elogiou artistas “da terra” como a própria banda Academia da Berlinda, o pianista Zé Manoel e as cantores Ylana Queiroga e Isadora Melo. “São pessoas de Pernambuco que levam nosso nome para fora da melhor maneira possível”, citou.

De um estado irmão, Seu Pereira e Coletivo 401 chegaram ao FIG

Finalmente, a banda Seu Pereira e Coletivo 401 fez seu primeiro grande show, após grande mobilização nas redes sociais, na cidade de Garanhuns. Thiago Sombra, baixista do grupo, disse que se assustou com o quanto a banda é querida no Agreste pernambucano. “A gente via o pessoal pedindo bandas grandes, de nome nacional, e pedindo Seu Pereira”, comemorou.

O líder da banda, Jonathas Pereira, contou que era um sonho tocar em um festival como FIG, apesar de já ter participado de outros grandes festivais, como o Campus Festival (PB) e a Virada Cultural (SP). “Já vim várias vezes como espectador, assisti a grandes shows e agora estar aqui é muito bom”, declarou o também fã de Naná, nosso homenageado. “Vi um show dele espetacular, em João Pessoa, em que ele conseguiu simular barulhos de chuva na floresta, sons da natureza, foi uma experiência incrível”, relembra o cantor.

Juarez Ventura

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Seu Pereira e Coletivo 401 foram bastante prestigiados pelo público agrestino

Os sucessos do grupo pessoense foram ecoados pelo público, que chegavam a tentar ultrapassar as grades para chegarem perto da banda. “Mamãe e papai”, “Rabissaca”, “Já era”, “Menina ET”… Pra quem é fã do primeiro disco da banda não houve tempo ruim. O segundo álbum, que deve ser lançado até outubro por meio de financiamento coletivo, também já estava na ponta da língua de vários presentes, demonstrando que um retorno, em breve, à Cidade das Flores, seria muito bem recebido.

De Xambá ao Palco Pop

Com o objetivo de levar a outras comunidades o coco do terreiro Xambá, de Olinda, formou-se, em 2001, o grupo Bongar, última e especialíssima atração do nosso Palco Pop. Apesar de o grupo já ter participado do Festival de Inverno em outros palcos, como no de Cultura Popular e no Palco Mestre Dominguinhos, o show de ontem foi especial: comemorou os 15 anos de estrada da banda, de música e das ações conectadas ao Bongar e à edução e formação musical de sua comunidade. Retrato do nordeste, tocam coco, ciranda, maracatu e suas músicas de terreiro, mas, além disso, realizam trabalhos de formação cultural e instrumental com aulas de percussão, palestras e outras vivências que estimulam os jovens a se profissionalizar e, mais ainda, divulgar a cultura pernambucana.

Juarez Ventura

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O grupo olindense Bongar fez show comemorando 15 anos de história

“É um trabalho que vai além da cultura popular, da música, e o FIG dá oportunidade para que possamos traduzir essa complexidade. Somos um grupo de cultura popular que faz de sua música um discurso afirmativo, e essa nova conjuntura, esse novo formato político do festival nos possibilita fazer uma grande partilha sobre o que aprendemos e produzimos nos últimos 15 anos”, reiterou Guitinho, líder do grupo – que lançou um novo disco no mês passado, o “Samba de gira”.

Guitinho também falou emocionado sobre nosso homenageado, Naná Vasconcelos, um de seus mentores. “O Naná sempre foi um grande mestre. Poucas pessoas sabem, mas a mãe dele era feiticeira Xambá, muito da nossa música tem dele por isso também. Por isso, nesse show, ele esteve presente. Viva a percussão de Naná, que segue vivo entre nós”. Axé!

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