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Formação Cultural

Durante edição do Outras Palavras, estudantes conversam com o escritor Fred Cajú

Autor é um dos premiados do V Prêmio Pernambuco de Literatura, com o livro Nada consta, e já tem outras sete publicações lançadas

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Na ocasião, mediada pela jornalista Jan Ribeiro, Fred Cajú conversou com os alunos sobre seu processo criativo e relação com a literatura

Marcus Iglesias

Um dos premiados no V Prêmio Pernambuco de Literatura, o escritor Fred Cajú, com o livro Nada consta (ainda inédito), conversou na manhã da última sexta-feira (1º) com estudantes da Escola Dom Vital, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife, sobre sua produção literária e paixão pelo que faz. A atividade fez parte de mais uma edição do Outras Palavras e teve a participação de dezenas de alunos do 3º ano do Ensino Médio, que puderam tirar suas dúvidas sobre o processo criativo do autor – que já tem sete livros lançados.

Para a assistente de direção da escola, a professora Lidiane Feitosa, este foi um momento gratificante para o Dom Vital. “Espero que aproveitem porque eu já acompanhei uma edição aqui ao lado, no EREM Padre Machado, e sei que é riquíssimo. Agora é a vez de vocês. A gente abre as nossas portas para o Outras Palavras porque a gente acredita que vocês merecem essa oportunidade”, disse ela.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Edição do Outras Palavras contou com a participação de dezenas de alunos do 3º ano do Ensino Médio, que puderam tirar suas dúvidas sobre o processo criativo do autor

“Escolhemos vocês alunos do terceiro ano porque vocês estão passando por novos desafios, e esperamos que o projeto volte ano que vem para a nossa casa, com as novas turmas”, disse ela, para depois receber um kit do projeto voltado para a biblioteca da instituição, com livros de escritores premiados no Prêmio Pernambuco de Literatura e publicações com incentivo do Funcultura.

Antonieta Trindade, gestora do projeto e vice-presidente da Fundarpe, ressaltou o número mais importante que o Outras Palavras já atingiu: quase dez mil estudantes em todo o estado de Pernambuco. “Nosso desafio é garantir que, num momento como esse que vivemos no país, com tanto ataque à escola pública, termos um projeto avançado de vida. A gente busca fazer com que a escola não seja um ambiente que ensine a obedecer, e sim que seja um local onde possamos exercitar nossa criatividade, ampliar a visão de mundo e formar opinião sobre os fatos”, destacou Antonieta, para em seguida se colocar a disposição para volta ao Dom Vital no ano que vem.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Mediado pela jornalista e fotógrafa Jan Ribeiro, a conversa com o jovem escritor pernambucano tocou em pontos chaves da carreira artística de Fred Caju, como inspirações, movimento cartonero e como é sua relação com a literatura. Considerado um dos nomes mais importantes da nova geração de poetas em Pernambuco, Fred Cajú criou seu nome artístico a partir de um anagrama com as duas primeiras letras de cada nome do autor (Edinaldo Francisco do Carmo Júnior). Recifense, nasceu em 1988 e hoje mora em Paulista, na Região Metropolitana.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Historiador por formação, é editor do selo Castanha Mecânica, que trabalha com produção artesanal de livros. Seus poemas também estão disponíveis na internet, como na sua conta no Instagram e no site Brasil de Fato. “Eu tenho um olhar meio torto das coisas. Por exemplo, uma vez eu estava numa apresentação e tinha na minha frente um datashow daqueles mais modernos que você possa imaginar, mas eu estava obcecado em ficar olhando o papelzinho dobrado que fazia apoio para ele. Eu estou saturado de temas que não comportam a minha realidade, que me esmagam, isso é o que me motiva a escrever”, revelo ele que já participou do pasárgada.doc, série de minidocumentários sobre autores pernambucanos produzida pela Coordenadoria de Literatura da Secretaria de Cultura do estado.

Uma das perguntas que Jan Ribeiro fez ao Fred foi como é que funciona a lógica do autor na construção das capas dos seus livros. “Por exemplo, esse aqui, chamado Estilhaço, é feito com casca de ovo. Que mensagem você quis passar e como chegou a esse processo final?”, indagou a jornalista. “Estilhaço está o tempo inteiro dizendo que vai dar besteira, que as coisas acabam, terminam. ‘Administre isso, você não pode evitar o fim das coisas’. E teve um momento que eu pensei: ‘Já que é um livro que fala de términos, vou pegar casca de ovo, que é um material orgânico’. Ou seja, esse livro pode apodrecer, e isso tem completa relação com o conteúdo”, explicou Fred Cajú.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Estudantes puderam tirar suas dúvidas sobre como é ser escritor frente a frente com Fred Cajú

A estudante Samia Stephany quer fazer Letras e quis saber do autor como ele sobrevive com a literatura, e como surgiu a ideia de fazer livros com materiais diferenciados. “Eu vivo da literatura sim, mas não dos meus livros. Eu estava num encontro dia desses e um pessoal falou da dificuldade de sobrevivência nesse meio. Eu disse que eles estavam confundindo as coisas. O exemplar não deve ser visto como a conta final. Quando a gente fala de literatura, há outras demandas, como recitais, apresentações, debates e palestras. Se eu fosse viver só do texto, eu não sobreviveria, e ai a gente precisa se impor”.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Historiador por formação, Fred Cajú é editor do selo Castanha Mecânica, que trabalha com produção artesanal de livros.

“Sobre a questão dos materiais, tudo começou quando eu tive a ideia de fazer um livro com filtro de café. Eu gostava da ideia do cheiro, da textura. Mas eu sei de fato qual é a verdadeira sacada de ir por esse caminho. É na verdade uma saturação de mercado. Se eu colocar esse livro num formato tradicional numa estante, ele vai ser só mais um na estante. Minha ideia é pirar no sentido de pensar nas possibilidades que um livro pode ser apresentado”, respondeu Fred.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Edição do Outras Palavras ainda teve forró pé de serra do grupo Forrozão Bate Sala e Alex para animar a garotada

Ao fim da conversa, os estudantes puderam conhecer o trabalho independente do grupo Forrozão Bate Sela e Alex, que atua há dez anos em Pernambuco disseminando o autêntico forró pé de serra. “É um trabalho difícil, mas recompensador, porque levamos a nossa cultura do noss estado pelo Nordeste afora”, disse o vocalista Biskuí, para em seguida puxar músicas do Rei do Baião, como Hora do Adeus, e de seu pupilo Dominguinhos, como Eu Só Quero Um Xodó.

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