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Formação Cultural

I Seminário do Observatório de Cultura de Pernambuco finaliza com êxito

O seminário, uma atividade do Programa Pernambuco Criativo, ocorreu nas tardes das últimas segunda e terça (26 e 27) na Biblioteca Central da UFPE

Anizio Silva

Anizio Silva

O Observatório busca o desenvolvimento de um ambiente de pesquisa científica e extensão sobre economia criativa.

Por Clara Albuquerque

Começou na tarde da última segunda-feira (26), o I Seminário do Observatório de Cultura de Pernambuco – Panorama da Economia Criativa, um produto do Programa Pernambuco Criativo, fruto de um convênio entre a Fundação do Patrimônio Histórico de Pernambuco (Fundarpe), o Ministério da Cultura (Minc) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O evento aconteceu na Biblioteca Central da UFPE e contou com a presença de pesquisadores e estudantes.

Marcus Sanchez, gerente de Projetos Especiais da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), realizou a abertura do evento reforçando a importância dos recursos públicos e da política cultural para a sociedade, e valorizou o papel do convênio Pernambuco Criativo voltado para o desenvolvimento da Economia Criativa. “Com este convênio, na perspectiva de alavancar horizontes através de variados produtos, foram criados o Birô de Negócios da Cultura, o Observatório de Cultura de Pernambuco e a Revista Reocupe. Viemos desenvolvendo uma rotina de atividades com palestras, oficinas e workshops além de pesquisas com os Pontos de Cultura do Estado e os lojistas da Casa da Cultura. É uma parceria que está dando certo gerando frutos positivos. Que possamos continuar caminhando juntos e que esse conhecimento possa ser levado às pessoas, que possamos fazer jus a esta tarefa que nos foi dada: fomentar a Economia Criativa no Estado de Pernambuco”, diz ele.

Anizio Silva

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O seminário contou com a presença de pesquisadores, gestores públicos, empreendedores culturais e estudantes.

Na sequência, o professor Marcos Galindo (UFPE) apresentou a palestra A Universidade como lugar de Observa-ação. Em sua abordagem, fez diversas citações ao pedagogo Paulo Freire e a outros pesquisadores da universidade. “A gente fala muito de cultura como se essas discussões não precisassem ser revestidas de uma práxis. Quando falamos de observação, estamos falando de criação e todo avanço científico precisa ser convertido numa conquista social através de ações cooperadas”, explica ele.

Galindo disse, ainda, que a pesquisa-ação é uma autorreflexão coletiva onde a criatividade precede a curiosidade. “Ver o que vem antes é uma condição nata da inovação. O conhecimento dá a condição da transgressão e da racionalidade e isso nos dá a condição de conflito. Antes de mais nada, somos pessoas que se relacionam com outras com a intenção de mudar a vida delas. Quando cooperamos, ganhamos humanidade. A gente transforma o mundo absorvendo novas culturas. A mudança é a única condição permanente da evolução”, explica ele.

Em seguida, os professores Hélio Pajeú e Celly Brito fizeram a apresentação da pesquisa Observatório de Cultura de Pernambuco, que está em fase de testes no site do laboratório Liber, da UFPE. Eles anunciaram o lançamento da primeira coleção de ebooks, fruto da pesquisa, cuja chamada já foi finalizada. Também, apresentaram a revista Reocupe, voltada para trabalhos de pesquisa e extensão que estejam dentro do escopo de Economia Criativa, e que está em fase de finalização.

A partir de julho de 2017, o site do Observatório contará com o Radar da Economia Criativa em Pernambuco, um mapeamento dinâmico para a visualização, localização e observação da Economia Criativa no estado.

A partir de julho de 2017, o site do Observatório contará com o Radar da Economia Criativa em Pernambuco, um mapeamento dinâmico para a visualização, localização e observação da Economia Criativa no estado.

O painel A Economia Criativa e suas cadeias foi mediado pelo mestre em Ciência da Informação, Mario Gouveia, e teve a participação dos pesquisadores Fernando Paiva, Henrique Muzzio, Roberto Guerra e Christianne Marçal, que fez a abertura. Christianne fez uma abordagem histórica do conceito de Economia Criativa remontando ao Creative Nation, que ocorreu em 1994 na Austrália. “É uma economia que consegue crescer, mesmo em momentos de crise. No Brasil, há 52.300 empresas criativas que movimentam cerca de R$39 bilhões, ao ano”, explica ela. A pesquisadora afirma, ainda, que o observatório é um recurso que irá ajudar a mapear as atividades da área, em Pernambuco. Desenvolveu, também, dentro do contexto apresentado, os conceitos de indústrias e cidades criativas.

Henrique Muzzio abordou as perspectivas e os desafios da gestão da criatividade. Ele apresentou a Economia Criativa como uma nova interpretação para ações antigas, um campo de conhecimento emergente, um lugar desafiador para interpretações e uma oportunidade coletiva que é trabalhada em três níveis: indivíduo, organizações e espaço. “A criatividade antecede a ação. Isso é caracterizado como um processo que tem etapas e pode, portanto, ser gerenciado”, diz ele.

Roberto Guerra apresentou alguns aspectos de sua tese de doutorado, voltada para o empreendedorismo cultural na produção de cinema. Ele abordou uma reflexão a respeito do que seria a “culturalização da economia ou a economização da cultura”. Também, apontou o empreendedorismo cultural em uma ligação à diminuição dos empregos formais juntamente à necessidade de se agregar valor ao produto. “O empreendedorismo cultural é multidimensional. A dificuldade encontrada neste processo é fazer o público local agregar valor a esse produto”, diz ele. Guerra, ainda, apontou o edital Funcultura Audiovisual como o resultado de uma luta política para que o setor fosse entendido em suas nuances, com um investimento do Governo do Estado de mais de R$ 11 milhões no biênio 2014/2015.

Já Fernando Paiva iniciou sua apresentação falando do processo recente de desindustrialização, a desmaterialização das práticas empreendedoras e a relação entre a Economia Criativa, a tecnologia, a arte, a diversão e o empreendedorismo que operam num ciclo de inovação na era digital. “Uma das questões a serem pensadas é não ficar na arte pela arte, ou seja, o artista que quer empreender buscar o elemento que contribui para sua capacidade de sustentação. Não podemos trabalhar Economia Criativa sem a transdisciplinaridade”, diz ele.

O último painel da noite teve a participação da gerente de Políticas Culturais da Secretaria de Cultura de Pernambuco, Tarciana Portella, e do professor e coordenador de Projetos de Pesquisa da UFPE, André Marques. Eles abordaram um dos trabalhos que vem sendo desenvolvido no contexto do Programa Pernambuco Criativo que diz respeito a uma pesquisa com os Pontos de Cultura do Estado juntamente à contribuição dos pesquisadores Ricardo Ruiz e Ricardo Brasileiro, que, inclusive, motivou o surgimento do projeto. “Nosso planejamento era inserir a inteligência competitiva nos Pontos de Cultura e ajudar o produtor cultural a saber atribuir valor ao seu produto, gerando emprego e renda diante da necessidade de sobreviver ao sustento econômico”, explicou o Profº André.

Anizio Silva

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A pesquisa de diagnóstico dos Pontos de Cultura do estado, que está sendo realizada pelo Programa Pernambuco Criativo, tem o objetivo de desenvolver a capacidade competitiva de cada Ponto na perspectiva da economia criativa.

Tarciana Portella complementa reforçando a importância do Programa Cultura Viva que já foi adotado por outros países. “A grande filosofia do Cultura Viva é a rede. A ideia é conectar esses pontos em rede de modo que eles possam, diante do processo da Economia Criativa, garantir a sua sustentabilidade”, diz ela. Os dois pesquisadores relataram as primeiras visitas a alguns Pontos de Cultura na Região Metropolitana da capital e no interior do Estado, alinhando, em uma análise inicial, com os conceitos apresentados.

O I Seminário do Observatório de Cultura de Pernambuco – Panorama da Economia Criativa teve continuidade por toda a tarde de ontem (27) com uma programação voltada para o empreendedorismo no contexto da Economia Criativa com a presença de empresários e gestores públicos atuantes neste mercado a exemplo de Cláudio Nascimento, Francisco Fabiano e Márcio Waked. Também ocorreu uma roda de conversa, com protagonistas da Economia Criativa.

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