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Formação Cultural

Outras Palavras leva estudantes para conhecer a Invisível Presença de Luiz Barroso

Atividade realizada na Torre Malakoff, na última quarta-feira (25), foi acompanhada pela poetiza Luna Vitrolina, que declamou poesias que interagiam com a obra do artista

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Esta exposição foi a primeira mostra individual de Luiz Barroso no Recife, que em determinado momento sentou para conversar com os alunos e alunas sobre seu processo criativo e os detalhes de Invisível Presença II

Por Marcus Iglesias

Estudantes da EREM Porto Digital, no Bairro do Recife, foram na última quarta-feira (25) participar do último dia de visitação da exposição Invisível Presença II, do artista plástico Luiz Barroso, na Torre Malakoff. A visita fez parte de mais uma edição do Outras Palavras dentro da Semana do Livro, promovida pela Secult-PE e Fundarpe, e foi acompanhada pela poetisa Luna Vitrolina – que em cada ambiente declamou poesias que dialogavam com a mostra do artista natural de Campina Grande (PB).

Esta exposição foi a primeira mostra individual de Luiz Barroso no Recife, que em determinado momento sentou para conversar com os alunos e alunas sobre seu processo criativo e os detalhes de Invisível Presença II. “Sou uma artista que nasceu em Campina Grande, na Paraíba, mas que sou do mundo. Cada pessoa tem uma história de vida, e no caso do artista a arte não acontece do nada. A gente não dorme a acorda artista. A vida pessoal é quem conduz e faz com que a gente construa nossa trajetória”, refletiu.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

“Cada pessoa tem uma história de vida, e no caso do artista a arte não acontece do nada. A gente não dorme a acorda artista. A vida pessoal é quem conduz e faz com que a gente construa nossa trajetória”, refletiu o artista

“Preciso dar rápidas pinceladas no meu histórico de vida, pra vocês entenderem o porquê de pedras, das inscrições e de todo esse trabalho”, disse Luiz Barroso. Órfão de mãe, aos três meses de idade, e com um pai ausente, o artista contou que apesar disso foi criado numa família carinhosa. “Mas eu tinha uma carência que não compreendia, nem nenhum familiar meu”.

“Foi assim que caí nos cadernos, e durante as aulas eu rabiscava e rabiscava e rabiscava. Sentava lá atrás e não interagia muito com as pessoas. Se a professora falasse comigo, eu me tremia de medo e vergonha. Era um pesadelo ir à escola”, disse ele.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Luna Vitrolina declamou poesias de poetas como Antonio Pereiram, Dudu Moraes, Cora Coralina e Cecília Meireles

Para fugir desse medo e se sentir vivo, Luiz revelou aos estudantes que encontrou sua saída no mundo das artes, e que começou a produzir suas próprias peças, sem nem saber direito o que estava fazendo. “E esse processo de composição, da minha parte, é bastante compulsivo. Tem vezes que é difícil parar de produzir. Parafraseando Caetano Veloso, eu vivo a dor e a delícia de ser quem sou”.

Num dos momentos da visitação guiada, o público chegou a uma instalação com ‘pedras flutuantes’, uma das obsessões do artista. “Essa instalação, que aparentemente é pesada, na verdade é leve, assim como é a arte. Numa visita guiada, um aluno que esteve aqui disse que se sentia como se estivesse num sonho. Por isso eu produzo todo tempo. Eu vivo para esse trabalho e a partir dele criei meu universo particular”, reforçou Luiz Barroso.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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“Com esse público mais jovem, eu tento ser mais didática, porque quando a gente fala do ambiente escolar, falamos de outra realidade”, disse Luna Vitrolina

Na sala que leva o nome da exposição, a Invisível Presença, há uma carteira de sala de aula e um quadro na frente, que, segundo o artista, representam a fase de sua vida quando tinha que frequentar a escola. Quando os estudantes entraram neste ambiente, foram surpreendidos com uma declamação de Luna Vitrolina, que escolheu poemas de Antonio Pereira, o poeta da saudade, para preencher o espaço vazio.

“Escolhi esses textos porque este espaço remete à ausência, e a ausência remete à saudade. A ideia é trazer ao ambiente esta sensação”, explicou a poetiza aos jovens. Ao longo da visitação, ela também declamou poesias de Dudu Moraes, de Tabira e de Carlos Pena Filho. “Já na sala com as pedras, aproveitei o gancho dos jovens que, espontaneamente, começaram a declamar No Meio do Caminho, de Drummond, e fiz esse jogo com eles. Depois trouxe para a sala poesias de Cora Coralina e Cecília Meireles, e fechei com um de minha autoria”, detalhou Luna.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Num dos momentos da visitação guiada, o público chegou a uma instalação com ‘pedras flutuantes’, uma das obsessões do artista.

A poetiza fez toda uma preparação para o momento. Foi antes conhecer a exposição, e sabia que durante a sua intervenção o artista estaria presente. “Então também pedi pra ver as instruções de montagem da exposição para entender melhor o processo criativo de Luiz Barroso. Até porque, com esse público mais jovem, eu tento ser mais didática, porque quando a gente fala do ambiente escolar, falamos de outra realidade”.

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