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Fotografia

André Zahar inaugura a exposição “Inverno Astral” no BestaFera

A mostra em cartaz nesta terça-feira (14)

André Zahar/Divulgação

André Zahar/Divulgação

A mostra reúne fotos do Sertão do Cariri, da Chapada Diamantina e da Aurora Boreal, registrada na Islândia

Voar para bem longe como fazem os pássaros migratórios, mas em sentido contrário: ao encontro do frio. Ouvir o som do gelo estalando quando derrete de milenares geleiras; assistir o espetáculo visual dos deslocamentos de ar coloridos e brilhantes, sentir o frio no fundo da pele, que um dia secou no sol do Cariri. Descer até as profundezas de um vulcão extinto, depois de ter visto nascer a flor de um solo destruído pelas queimadas. Uma experiência de estar só, engolido pela natureza, transmutado por ela, e também pelas cidades e seus habitantes. Sertão do Cariri, Chapada Diamantina e Islândia compõem o cenário poético de onde o jornalista e poeta André Zahar colhe imagens para contar uma história de ciclos vitais, com suas destruições, criações, exílios, e eternos recomeços.

O conjunto de fotografias, acompanhadas por textos poéticos (e uma playlist especial), é origem da mostra Inverno Astral, que fica em exposição a partir desta terça (14), no Bar BestaFera (Rua Mamede Simões, 12 – Boa Vista), no Recife. Para Zahar, que já interage com as artes visuais através de suportes como lambe-lambes, a exposição provoca – num ambiente que é essencialmente de celebração, encontros e sons diversos – um chamado para o silêncio, a contemplação e a reflexão de processos mais internos que externos.

A narrativa das fotos começa em janeiro de 2016, na Chapada Diamantina, após um incêndio ter devastado parte de uma grande extensão de terra. “Quando estive lá, uma linda flor violeta cobria a paisagem. Era uma cena rara: o candombá, que abre sua flor justamente após as grandes queimadas e há muito tempo não apareciam por ali, se proliferava até o horizonte, na mesma proporção da destruição de alguns meses antes. Vi naquilo uma vingança da beleza. Soube também que, uma vez arrancada, a planta contém uma resina inflamável, que, séculos atrás, se acendia para que fosse usada como tocha nas cavernas. Passei a pensar na regeneração e nos ciclos de criação e destruição, que estão na natureza mas também na vida de cada um de nós. E que a sabedoria, ao contrário do mito da caverna, também pode ser buscada no fundo da caverna, e não apenas fora delas”, diz o artista.

A imagem das flores – uma das que integra a exposição – o acompanhou como uma metáfora ao longo de transformações vitais. Era, para ele, uma flor de vulcão. E, ao pensar nos vulcões, e em seu efeito devastador, ao mesmo tempo fértil, decidiu que partiria para a Islândia, país de intensa atividade vulcânica. “Quando se aproximou a data, me perguntei por diversas vezes o porquê de ter escolhido aquele destino, com uma natureza tão alheia à nossa ideia tropical de cores abundantes, calor, frutas suculentas. Aos poucos, fui percebendo que minha alma estava em busca de um inverno”, conta. Uma vez naquele país, além de aves migratórias, de uma paisagem absurda que reúne, na mesma moldura, gelo e cinzas vulcânicas, e de narrativas sobre sucessivas destruições provocadas pelos vulcões, encontrou muitos viajantes solitários, movidos pelo mesmo impulso. ”Quase como se ir para lá seja uma forma de estar sozinho”, revela.

A maioria das fotos é fruto dessa imersão na Islândia, somada à imagens de outras travessias, pelas dunas do Ceará, pelo Sertão do Cariri e Chapada Diamantina que, para Zahar, evocam percepções poéticas semelhantes. “Sempre me interessei por narrativas de deslocamentos. Elas também fazem parte da minha história, de ter família em Alagoas, no Rio, de ser descendente de libaneses, e de acreditar que o ser que se abre à experiência do deslocamento de alguma forma cria dentro de si suas próprias fronteiras”, diz.

SOBRE O AUTOR - Natural do Rio de Janeiro e morando em Recife desde 2013 (escolheu a cidade motivado por sua efusiva e polivalente produção cultural), André Zahar dedica-se ao jornalismo, mas também a poesias e artes visuais. É autor de Mafuá – Autoajuda para Mamutes, do cordel A Praga da Corrupção e participante da coletânea internacional de contos O Último Livro do Fim.

Serviço
Inverno Astral – Exposição de fotos e poesias de André Zahar
Abertura: 14 de novembro, às 20h. Até 19 de novembro.
Onde: Bar Bestafera l Rua Mamede Simões, 12, Boa Vista, Recife
Acesso gratuito

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