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A Matinada reúne mestres do coco pernambucano

Divulgação

com informações da assessoria

A arte do improviso na ponta da língua é quem vai imperar nesta quarta (1º). Cinco importantes nomes do coco de Pernambuco – Galo Preto, Zé de Teté, Bio Caboclo, Cícero Gomes e Adiel Luna – se reúnem em torno de um único nome: A Matinada. O novo projeto dos cantadores se apresenta ao público, no Teatro de Santa Isabel, a partir das 19h, para a gravação do DVD ao vivo. Juntos, eles irão reverenciar o coco desde sua forma mais pura e encantadora – como cantiga de trabalho – até como modalidade mais elaborada de rimas e métricas. A gravação do DVD tem incentivo do Governo de Pernambuco, através do Funcultura. A entrada é gratuita (com retirada dos ingressos uma hora antes do espetáculo, na bilheteria do teatro).

As várias formas de cantar o coco – Litoral, Zona da Mata, Agreste e Sertão – se encontrarão nas vozes dos cinco artistas, unidos em sua paixão por essa tradição popular que construiu parte de nossas tradições orais e rítmicas. No palco do Santa Isabel, o público fará uma imersão geográfica na brincadeira de cada um dos mestres, que irão passear pela mazurca (do Agreste e Sertão), o trupé (do Sertão e Zona da Mata), a embolada de pandeiro e de viola, o coco de engenho (Zona da Mata), o coco de sala e o coco de obrigação (Agreste, Zona da Mata e Litoral).

Ora todos juntos, ora em duplas, ora apresentando seus trabalhos individuais, os mestres brincam, improvisam e exploram os toques, as pisadas e os versos nas mais diversas métricas e melodias, cantando e encantando. Completam a brincadeira Maureliano Ribeiro – coquista e artesão de instrumentos percussivos de Camaragibe – e os arcoverdenses Iran Calixto, Pecon Calixto e Damares Calixto, que trazem no sangue a linguagem de coquistas mais representativa de Arcoverde.

Galo Preto
É cantador, coquista, repentista, músico, compositor e percussionista. Fluente em vários estilos de coco, o mestre é Patrimônio Vivo de Pernambuco e passeia com destreza pela embolada, pelo coco de pisada e pelas cantigas de bata de feijão. Nascido em 1935, no município de Bom Conselho – hoje quilombo de Santa Izabel – em Pernambuco, é um dos últimos representantes da tradição do coco daquela região. Na década de 70 ganhou grande visibilidade nacional, apresentando-se em muitos programas de televisão. Galo Preto fez parceria com grandes nomes da música brasileira, como Jackson do Pandeiro, Cauby Peixoto, Arlindo dos Oito Baixos e Luiz Gonzaga. Em 2007, retornou aos palcos, depois de 11 anos afastado, e agora está presente n’ A Matinada.

Zé de Teté
Nasceu no Sítio Araras, município de Limoeiro, no ano de 1944, e começou a cantar e compor nos anos 70, já adulto. Hoje possui mais de duzentas composições, sendo 61 delas gravadas. Seu último CD “O Rei do Coco” foi gravado com apoio do Funcultura. Zé faz shows em grande parte das cidades pernambucanas e sente-se bastante recompensando pela fidelidade de seu público, tornando-se bastante conhecido no cenário sem precisar abandonar sua cidade natal. O coco de São João é o estilo mais explorado no trabalho do mestre.

Bio Caboclo
Sua vocação para repentista apareceu na infância, estimulado pelo pai Zé Caboclo, que o levava nos eventos culturais promovidos em casas de amigos, onde cantava folhetos e versos de coco de roda. Aos 18 anos Bio iniciou sua carreira artística como violeiro, herdando do pai o dom e o apelido ‘Caboclo’. Logo depois, também nesta idade, foi convidado a ser mestre de maracatu e a cantar coco no São João de Lagoa de Itaenga. Bio Caboclo é conhecido como uma lenda viva da Cultura de Pernambuco e domina como ninguém essas três artes poéticas (viola,baque solto e coco de engenho). Nasceu em 1959, natural de Glória do Goitá/PE.

Cícero Gomes
Remanescente do Coco de Raízes, é líder e vocalista do Coco Trupé de Arcoverde, grupo que mantém junto com seus filhos e sua mulher. Ciço, como é mais conhecido, já se apresentou em diversas cidades do país e da Europa, divulgando a cultura arcoverdense e o coco de trupé, de pisada mais forte e acelerada, com influências da musicalidade de tribos xucurus, do xaxado e do samba de roda. O trupé é música e é dança, onde o tamanco de madeira de solado grosso usado pelos coquistas tem importante papel na marcação da batida. Nascido em 1955, começou a cantar aos 5 anos, acompanhado da mãe. Nos anos 60, se dedicou às brincadeiras, cantando músicas tradicionais. Nos anos 70, iniciou a carreira profissional no Coco, com o mestre Ivo Lopes. O primeiro grupo a participar se chamava “A Caravana”.

Adiel Luna
Nascido em 1984, em Tiúma, município de São Lourenço da Mata, é coquista, violeiro e mestre de baque solto, tendo passado por maracatus como o Piaba de Ouro, o Leãozinho de Aliança e o Leão do Norte. Adiel também é cantador e cordelista – participou de festivais e recitais ao lado de poetas importantes como Chico Pedrosa, Jessier Quirino e Sinésio Pereira e tem mais de 50 títulos de cordéis publicados. O documentário étnico “O Coco de Improviso e a Poesia Solta no Vento” (Natália Wanderlei, 2011) conta sua relação com seus principais mestres dentro do coco. Sua matriz é o repente, poesia fundamentada na rima, na métrica e na oração de improviso. De família de poetas cantadores, Adiel Luna, se apresentou em todas as regiões de Pernambuco, em cidades importantes do Brasil e na Europa. É um destaque da nova geração de artistas e a figura que, n’ A Matinada, costura a brincadeira dos mestres, já que dialoga com todos os estilos de coco trabalhado por eles. O projeto é novo, mas já se apresentou em eventos importantes de cultura popular com o Festival Lula Calixto, em Arcoverde, o Festival de Inverno de Garanhuns, o Festival Pernambuco Nação Cultural da Mata Norte e o Festival de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

SERVIÇO
Gravação do DVD A Matinada
Quarta (1º/6), a partir das 19h
Teatro de Santa Isabel | Praça da República, s/n, Santo Antônio – Recife/PE
Entrada gratuita (com retirada dos ingressos uma hora antes, na bilheteria do teatro)

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