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Funcultura

Amanda Melo da Mota lança ‘livro-catálogo’ Água Forte

Cinquenta exemplares da publicação, que contou com incentivo do Funcultura, serão distribuídos gratuitamente

Água Forte é o primeiro trabalho impresso da artista pernambucana Amanda Melo da Mota e traz uma retrospectiva de suas obras mais representativas através de um diálogo em que a artista expõe seus sentimentos. O livro-catálogo é uma entrevista com Amanda, feita pela curadora-assistente do Museu de Arte do Rio, Clarissa Diniz e pelo curador do Museu de Arte do Ceará, Bitu Cassundé – ambos amigos da artista. Ao longo da entrevista, aparecem imagens de mais de quinze obras de Amanda, feitas originalmente em linguagens como videoperformance, desenho, escultura, performance e fotografia. Realizado com incentivo do do Funcultura, Água Forte será lançado nesta segunda-feira, dia 24 de novembro, no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães – MAMAM, às 19h. Na ocasião, haverá uma conversa com Amanda e 50 exemplares da publicação serão distribuídos gratuitamente.

Jarbas Oliveira

O título do livro-catálogo remete a um trabalho homônimo que Amanda trouxe à tona em 2011. Nele, a artista usa uma roupa espelhada que sugere uma fantasia de carnaval e que também pode ser transformada em uma roupa de combate a jatos d’água. “Escolhi o título Água Forte por considerar esse trabalho intenso, de uma preocupação representativa com a esfera pública. Acho inclusive muito mais instigante procurar conotações políticas em trabalhos que aparentemente não apresentam isso de forma óbvia. Para mim, a capacidade que um trabalho de arte tem de vincular pessoas já o inscreve em uma esfera política. Então, Água Forte sintetiza bem o clima das demais obras do catálogo”, explica Amanda.

A utilização do próprio corpo como parte da obra é um elemento que vincula os trabalhos de da artista. Em Notícias de Isolamento (2004), Amanda enfaixa seu corpo com fita isolante preta e tenta reproduzir posturas de bonecas Barbie, que são praticamente impossíveis ao corpo humano. Em Gesso I e Gesso II (ambas de 2005), ela envolve o corpo em ataduras gessadas e tenta realizar movimentos como andar e descer uma escada engessada a outra pessoa ou fazer as mesmas atividades sozinha, atada a uma base de madeira. Já em Sal é Mar (2009-2011), seu corpo não aparece, mas fica evidenciado pela experiência que tornou a obra possível: Amanda fez uma série de desenhos dentro do mar, usando lápis de aquarela. Assim aconteceu também na Série Coletivos (2003-2010), desenhos realizados apenas quando o ônibus se encontrava em movimento. “Procuro em minhas propostas a inclusão do corpo que é o ponto de conexão para a experiência de ser sensível, território onde o dois pode virar um novamente. Existe a presença de personagens que são elaboradas justamente através das minhas experiências ao conviver com as pessoas nos cursos que participo, nas massagens, nos trabalhos paralelos à arte que desenvolvo. Em relação à auto-representação, identificável nas séries de fotografias, tem um pequeno detalhe que significa bastante: a imagem do rosto, quase sempre, é totalmente ou parcialmente negada ”, revela.

Artista de muitas linguagens, Amanda dialoga com técnicas tão diferentes em áreas de conhecimento que vão da programação de computadores à fisioterapia, da terapia de integração somatoemocional à organização de armários, do mergulho às aulas de renda de bilro, da constelação sistêmica à mecânica, da fitoterapia à pedagogia, da massoterapia à pole dance, das danças circulares ao uso de mudras, da leitura dinâmica ao paisagismo, da restauração de móveis à confecção de brinquedos infantis.

Para Amanda, a produção de um artista deve sempre estar fortemente vinculada a todos os acontecimentos à sua volta. O contexto político, social, econômico e cultural ao qual é exposto precisa influenciar seus modos de perceber o mundo e de manifestar sua poética. De acordo com ela “com um self contextualizado, sensível ao meio e ao mesmo tempo contínuo, o indivíduo tem mais chances para que sua atuação no mundo seja mais potente, e aqui incluo o indivíduo artista. Na minha opinião, a arte ajuda a fazer isso, tanto para quem faz quanto para aquele que participa de sua realização ou apenas tem notícia de seus processos. Somente a partir das interações é que vejo a possibilidade de uma construção afetiva. Água Forte, é uma oportunidade para a discussão dessas ideias”.

Sobre a artista – Natural de São Lourenço da Mata, Amanda Melo é graduada no curso de Educação Artística da Universidade Federal de Pernambuco. Destacam-se suas exposições individuais na Fundação Joaquim Nabuco, Recife, em 2002 e em 2005 no Projeto Trajetórias, da mesma instituição. Em 2007 realiza individual no instituto Banco Real em Pernambuco e integra o programa de performances Mamam no Pátio. Atualmente, Amanda reside em São Paulo, após ter vivido em cidades como Londres, Junqueira (Portugal), Recife, Belo Horizonte e Florianópolis.

SERVIÇO
Lançamento do livro Água Forte
Quando: Segunda-feira, 24 de novembro
Onde: Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães – MAMAM (Entrada pela Rua da União, 88. Bairro da Boa Vista, Recife – PE)
Hora: 19h
Aberto ao público.

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