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Funcultura

Artistas pernambucanos levam exposição fotográfica “Por Contato” ao Rio de Janeiro

Pioneira no país, a mostra de fotolibras, que conta com incentivo do Funcultura, entra em cartaz nesta terça-feira (26), no MAR

Desembarca no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (26), a exposição Por Contato. A mostra, que apresenta uma seleção de imagens produzidas por artistas pernambucanos surdos, ao longo das atividades desenvolvidas com os arte-educadores do FotoLibras, conta com incentivo do Funcultura, e segue em cartaz até o dia 5 de julho, no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR).

Exposição é composta por 73 imagens

73 imagens integram a mostra

Composta por uma seleção de 73 imagens, a exposição é o resultado de diversas atividades realizadas durante os cursos promovidos pelo coletivo, como buscas pessoais, rodas de diálogos, debates e troca de experiências entre os arte-educadores e os fotógrafos. As imagens expostas resultam num longo trabalho de educação visual, além de uma seleção sensível realizada pelos fotógrafos e arte-educadores Mateus Sá, Vládia Lima, Rachel Ellis e Eduardo Queiroga, integrantes do GEMA, entidade pernambucana focada em atividades para inclusão visual.

O FotoLibras trabalha a fotografia como ferramenta para quebrar barreiras comunicacionais entre surdos e ouvintes. “Essas barreiras ainda são muito grandes em nossa sociedade e a fotografia abre possibilidades incríveis de reflexão e diálogo”, afirma Eduardo Queiroga. “Sempre que nos envolvemos com educação não podemos perder de vista o público alvo. Neste sentido, todo aluno deve ser pensado nas suas singularidades. Diferentes públicos exigem diferentes abordagens, independentemente de serem surdos ou ouvintes. No caso do surdo, existem especificidades relativas à língua. O FotoLibras aprendeu e desenvolveu diversas práticas para corrigir problemas identificados nesta adaptação,” explica Eduardo Queiroga. “Desenvolvemos, por exemplo, um glossário de termos técnicos da fotografia que não existia em Libras. Percebemos como algumas dinâmicas e metodologias surtiam melhores resultados. Mas isso, essa adaptação, é algo que deve fazer parte da vida de todos nós, principalmente quando lidamos com educação”, afirma.

Mostra é resultado do trabalho desenvolvido pelo grupo FotoLibras, que visa diminuir as barreiras comunicacionais entre surdos e ouvintes

A fotógrafa Tatiane Martins, 25 anos, conheceu o projeto na escola em que estudava. “O fato do FotoLibras ter criado uma linguagem específica para a arte da fotografia fez com que nós pudéssemos nos comunicar melhor. Eu comecei como aluna, quando eu estudava no Barbosa Lima, e hoje também faço parte da equipe de arte-educadores. Antigamente não havia símbolos que significasse o ‘obturador’ de uma câmera, o ‘foco’, o ‘flash’, a ‘lente’, e tudo que fosse ligado à fotografia. Com o FotoLibras aprendemos uma nova forma de comunicação. Isso mudou a vida de muitos alunos”, afirma.

Nascido em Ferreiros, na Zona da Mata Norte, João Helder, 28 anos, aprendeu a se comunicar graças ao curso de fotografia. “Vim para o Recife para estudar, pois tinha muita dificuldade de comunicação com a minha família. Eu me comunicava pouco com a minha mãe. Eu conheci o curso porque na escola onde eu estudava, os meus amigos já estavam fazendo. As aulas eram duas vezes por semana e eu me interessei pelo FotoLibras. As aulas eram ótimas experiências. A gente fazia foto, analisava cada imagem, composição, a técnica, etc. Tinha passeio em grupo para fotografar ao ar livre. Com o tempo, nas caravanas, eu também participava das oficinas ensinando aos novos alunos. Isso mudou a minha vida. Minha família hoje tem orgulho do meu trabalho, das minhas fotos que estão expostas”.

O principal objetivo da exposição é promover a valorização da diversidade, independentemente de características físicas, comunicacionais ou intelectuais. Enfatiza, desta forma, que a única diferença entre surdos e ouvintes é uma língua diferente. Além disso, busca incentivar a presença da comunidade surda no circuito de produção cultural, do qual frequentemente é excluída pelo despraparo da sociedade e das próprias instituições de cultura.

Serviço
Exposição Por Contato – FotoLibras
De 26 de maio a 5 de julho no Museu de Arte do RJ (MAR)
Praça Mauá, 5, Centro-RJ

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