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Funcultura

Bandas de Pífano pedem título de Patrimônio Imaterial ao Iphan

Marcelo Renan/Fundarpe

Marcelo Renan/Fundarpe

João do Pife comandou cortejo pelas ladeiras de Olinda

Um cortejo de bandas de pífanos tomou as ladeiras de Olinda no sábado (3/10), encerrando o projeto Tocando Pífano. Realizado com incentivo do Governo de Pernambuco, através do Funcultura (Secult e Fundarpe), o evento cumpriu seu objetivo de promover a arte histórica do pífano e compartilhar conhecimento sobre as bandas. A programação contou com apresentações da Banda de pífanos São Cristovão (Panelas-PE), Banda de Pífanos Alvorada (Caruaru-PE) e o Grupo Musical Armorial de Piranhas (Piranhas-AL). Receberam homenagens o maestro Egildo Vieira, que faleceu há pouco, e Manoel Ribeiro – mestre Lunga de Caruaru, pifeiro mais antigo em atividade nesta cidade, berço do pífano em Pernambuco.

Uma das ações mais importantes foi a entrega, pelos realizadores do evento (os produtores Amaro Filho, Cláudia Moraes e Rafael Coelho/Página 21), ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da solicitação de reconhecimento das bandas de pífanos como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. A ação contou com a participação da presidente da Fundarpe, Márcia Souto, e de pesquisadores da instituição do setor de Patrimônio Imaterial.

Os documentos que embasam o pleito foram entregues ao representante do Iphan pelas mãos do consagrado pifeiro Sebastião Biano, de 96 anos, último remanescente da formação original da Banda de Pífanos de Caruaru, formada em 1924. A banda, que chegou a realizar apresentação para Lampião, destaca-se por ter sido uma das influências do movimento tropicalista da música popular brasileira. “Seu Sebastião é a memória viva do pífano e ninguém melhor do que ele para entregar ao Iphan este pedido”, afirma Amaro Filho, da Página 21.

Além do dossiê, o Iphan recebeu também o livro Pífanos do Agreste, que foi lançado durante o evento. A publicação, escrita pelos produtores Amaro Filho, Cláudia Moraes, em parceria com os pesquisadores Eduardo Monteiro e Rafael Coelho, traz informações sobre os figurinos, instrumentos e costumes dos pifeiros, como as novenas – série de nove dias de rezas realizadas nas áreas rurais, onde a participação das bandas de pífano é tradição. O livro agrega também pesquisa e mapeamento das bandas na região. “Esse material é muito importante, é uma ação de salvaguarda para manter viva a cultura do pífano”, lembra um dos autores, o historiador Eduardo Monteiro.

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