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Coletivo Lugar Comum lança o livro “Motim” sobre processo criativo em dança

Publicação contou com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura

Ju Brainer

Ju Brainer

Performance “Motim” do Coletivo Lugar Comum ganha livro de mesmo título, que tem lançamento nesta quinta-feira (21).

Camila Esthepania

Em 1962, a Tanzânia chamou a atenção do mundo pelo curioso caso de uma epidemia de riso sem explicação fisiológica. Três meninas começaram a rir compulsivamente em um internato de Kahasha e contaminaram 95 das 159 alunas da escola, que teve de ser fechada. Meses depois, a instituição reabriu e mais 57 garotas haviam sido infectadas. Não demorou para que parentes e vilarejos vizinhos também fossem atingidos pelo ataque de riso que durou 18 meses até que cessasse, afetando cerca de mil pessoas que, por conta da epidemia, sofreram com problemas respiratórios, dores, tonturas, erupções cutâneas e ataques intermitentes de choro.

Sem diagnóstico médico confirmado, o episódio foi considerado um caso de origem psicogênica ou histérica e é só um dos exemplos de como o riso desafia o controle de raciocínio humano. O fato foi uma das histórias que inspirou os integrantes do Coletivo Lugar Comum a desenvolverem um espetáculo que investigasse o riso como ato micropolítico e biopotente. Assim nasceu “Motim” que, desde sua estreia em 2015, já teve duas temporadas e agora ganha um livro de mesmo nome, que será lançado com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura, nesta quinta-feira, em Olinda.

Buscando se debruçar sobre as peculiaridades do processo criativo de um espetáculo de dança, o livro tem o objetivo de acrescentar também à pesquisa de outros grupos. “Ainda temos pouco material que discute as particularidades de um processo dessa natureza artística, mostrando como ela é caótica. Existe uma importância na área da dança de produzir conhecimento sobre o próprio fazer da pesquisa. Embora eu ache que nunca vai existir um método padrão pra toda criação, o tipo de reflexão que aparece no livro serve para pensar em arte de um modo geral, como a pesquisa vai se organizando, que tipo de leitura é feita”, opina Roberta Ramos, que é professora do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística da UFPE e integrante do Coletivo Lugar Comum.

Ju Brainer

Ju Brainer

A performance estreou em 2015 e buscava investigar o riso como ato micropolítico e biopotente

A obra explora os caminhos percorridos pelos artistas até alcançar uma forma material de transmitir para o público as provocações e conceito do espetáculo. “Quando a gente começou com essa performance, a ideia era de construir um discurso artístico não para fazer rir, mas para valorizar o riso. A ideia de pensar como o riso suspende um pouco a realidade e as situações de solenidade, operando como uma resistência, ao colocar em cheque a seriedade. Além de reforçar a linguagem de prazer do corpo, que é um dos motivos da desvalorização do riso, por conta de um discurso religioso como um sinal de luxúria e culpa”, resume Roberta, ao explicar que a apresentação, que também teve sua montagem e lançamento aprovados no edital do Funcultura, explorava diferentes eixos do riso, como os seus aspectos físico e de contágio.

Considerado um complemento da performance, o livro conta com textos de Silvia Góes, Letícia Damasceno, Gabriela Santana, Conrado Falbo, Liana Gesteira e Roberta Ramos. Esses três últimos, inclusive, foram os responsáveis pela organização do livro, que teve edição do jornalista Rodrigo Acioli. O livro também vem acompanhado por um CD com depoimentos do público, de alguns performers, além da paisagem sonora composta pelo músico Caio Lima com colaboração de Thelmo Cristovam.

“Diferentemente de ser apenas um registro de um processo de criação, esse material é uma continuidade desse processo pela forma que ele foi trabalhado no projeto gráfico. A gente teve uma equipe que favoreceu bastante, pois a designer Iara Sales (que trabalhou em parceria com Késsia de Souza) participou da primeira temporada”, destacou Roberta sobre a importância do livro para o próprio Coletivo.  Além de debates com os artistas, o evento de lançamento também contará com a apresentação da performance “Ra”, de Conrado Falbo, que, assim como o livro, também foi um dos frutos do espetáculo “Motim”.

 SERVIÇO:

Lançamento do livro “Motim”
Quando: Nesta quinta-feira (21/12), às 18h
Onde: Sebo Casa Azul (Rua 13 de Maio, 121, Carmo – Olinda/ Ao lado da antiga Casa do Cachorro Preto)
Entrada Gratuita

Divulgação

Divulgação

Capa do livro “Motim”, organizado por Conrado Falbo, Liana Gesteira e Roberta Ramos

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