Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Funcultura

Coletivos de hip hop investem na formação do público e de artistas locais

Um deles é o Coletivo RecBeats, que durante os meses de janeiro e fevereiro vai ofertar oficinas gratuitas, com incentivo do Funcultura

por Marcus Iglesias

Aulas gratuitas de iniciação às danças urbanas movimentam a cena no Recife

No universo do Hip Hop, o grafitti, o rap e a dança urbana resistem como expressões artísticas mais difundidas. Estilos como break dance, freestyle e ragga/dacehall são algumas das modalidades que ganham cada vez mais evidência em todo o Brasil. Em Pernambuco, não tem sido diferente.

Fundado em 2013, no Recife, o Coletivo RecBeats surgiu com a proposta de reunir alguns dançarinos qualificados em danças urbanas do estado, para a partir daí desenvolver ações que disseminassem a expressão e contribuíssem para a profissionalização dos artistas locais. O grupo é formado por Will Oliveira, Duda Serafim, Wellington José (Blawder), Gessy Félix, Carlos Alberto, Paula Dri, e Rany Hilston, que também dirige as atividades.

Atualmente, uma das iniciativas promovidas pela RecBeats é o Oficinão RecBeats Crew, projeto que conta com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura, e que oferece oficinas gratuitas de iniciação em danças urbanas para jovens e adultos da Região Metropolitana do Recife. Até o final do cronograma, a oficina terá atendido a seis turmas, em três modalidades distintas.

Algumas aulas já foram realizadas em dezembro e, a partir de janeiro estão programadas as segundas turmas de Break Dance, com o B.boy Calot (16 a 20 de janeiro), e de Hip Hop Freestyle, com Blawder (23 a 27 de janeiro), além da primeira turma de Ragga/DaceHall, com Rany Hilston (9 a 13 de janeiro). Neste último caso, o segundo encontro de aulas será realizado de 30 de janeiro a 3 de fevereiro. As inscrições seguem abertas e podem ser feitas através do e-mail recbeatscrewofficial@gmail.com (os interessados devem solicitar a ficha de inscrição).

“Como o coletivo já vem se capacitando em eventos ligados a este tipo de dança há algum tempo, queremos dar a oportunidade à comunidade pernambucana de conhecer e praticar as danças da cultura Hip Hop e da cultura jamaicana. Serão oficinas práticas e teóricas, totalmente gratuitas, para jovens a partir de sete anos de idade e adultos. E temos como meta a formação, a difusão e a valorização destas culturas”, explica Rany Hilston, diretora do RecBeats.

31742646202_0af5f4da2c_k (1)

Fundado em 2013, no Recife, o Coletivo RecBeats surgiu com a proposta de reunir alguns dançarinos qualificados em danças urbanas do estado

Ainda segundo Rany, a ideia da oficina surgiu como uma espécie de braço de projeto social que o grupo já desenvolve desde 2014, chamado Vem Dançar. “A proposta é levar aulas de dança pras comunidades e já fomos pra diversos bairros do Recife, como Jordão e Areias. Pensamos, então, em realizar uma grande oficina com uma preocupação mais profissionalizante, num local mais propicio pra aulas de dança”. As aulas estão acontecendo no Carvalho Studio de Dança, que fica no Edifício  Ébano, na Rua da Aurora (nº 235 – loja 3), de segunda a sexta, das 9h às 12h30.

As aulas são práticas e teóricas e trabalham alguns fundamentos básicos para iniciantes. “Normalmente, em cada turma temos 15 alunos inscritos, e o perfil deles é bem variado. Tem dançarinos e tem iniciantes de várias idades. Lembrando que este projeto é oficina de iniciação, ou seja, é direcionado para pessoas que estão começando agora na dança, mas abraçamos todos que desejam conhecer mais sobre o mundo das danças urbanas”, detalha a dançarina.

31742741592_a2385f9379_k

Algumas turmas já foram realizadas em dezembro, e a partir de janeiro estão programadas as segundas turmas dos três módulos

Ela conta que a cena da dança urbana em Pernambuco ainda é bem diferente daquelas de outras regiões do país, mas que isso tem mudado aos poucos. “A primeira vez que eu fui ao Rio de Janeiro, em 2012, percebi essa diferença gritante. Lá existe em cada esquina um grupo de dança urbana. E todos de qualidade. Aqui na Região Metropolitana do Recife eu só conheço três grupos focados em pesquisa e profissionalização da dança urbana, nós da RecBeats Crew, a Funknáticos e Lastigha, e estamos sempre trocando ideias sobre este processo de profissionalização no nosso estado”, comenta.

“Outro ponto positivo é que o Nordeste é muito forte na questão da qualidade dos dançarinos. Sempre que a gente participa dos encontros a gente surpreende com os resultados, porque estamos sempre inovando. Um ponto positivo é que temos muita cultura pra mesclar com a dança urbana. Nós da RecBeats Crew, por exemplo, gostamos muito de misturar com danças populares. A primeira vez que fomos para o Rio Grande do Sul, dancei passos do cavalo marinho durante uma apresentação e o público e jurados gostaram bastante”.

A diretora do RecBeats conta que toda a articulação em torno nas turmas tem se dado por meio de uma rede de alunos que participam dos eventos promovidos pelo coletivo. “Muitos deles são iniciantes e querem se desenvolver como um profissional em danças urbanas. Usamos muito as redes sociais e o ‘boca a boca’ pra divulgar nossas ações e tem funcionado muito bem, as turmas sempre estão com uma boa procura”.

Blawder, professor do módulo de Hip Hop Freestyle do Oficinão, há seis anos também dança break e outros estilos, como funk style. Foi durante esses percursos que conheceu Rany Hilston. “Antigamente no Geraldão eram oferecidas aulas de break e outros tipos de dança urbana. A partir desses encontros a gente passou um tempo dançando juntos e viramos amigos, foi quando decidimos junto a outras pessoas criar o Coletivo RecBeats”.

Na opinião de Blawder, há um grande interesse por parte do público pernambucano em torno das danças urbanas. “Os alunos e alunas que participam dos encontros sempre vem falar comigo depois pra me pedir que eu envie outros materiais”, conta ele. A dançarina Nayara Ramos, do Recife, foi uma das pessoas que participou das oficinas. Segundo ela, foi buscando aulas de break dance no Recife que ela chegou até o Coletivo RecBeats. “Os valores das aulas que encontrei eram muito altos. Essa oportunidade de ter encontros gratuitos me deixou conhecer mais a fundo e agora posso dizer que gosto muito deste estilo de dança”, avalia Nayara Ramos, que ficou sabendo das aulas pelo Facebook.

Divulgação

Divulgação

Além da oficina, Coletivo RecBeats já aprovou outros projetos no Funcultura. Num deles, integrantes foram participar do Rio Hip Hop Kemp 2016, no Rio de Janeiro (RJ)

“Eu adorei, especialmente, porque não foram apenas aulas de dança. A gente também aprendeu sobre o surgimento dos estilos na sociedade americana, o contexto histórico, os passos base, além de algumas variações deles. É muito bom você saber de toda uma cultura e desenvolvimento social por trás do movimento, você se sente mais próximo da dança porque sabe o que ela representa”.

Além deste projeto, o RecBeats já realizou outros dois com incentivo do Funcultura. O primeiro deles chama-se Capacitação em Danças Urbanas para o Grupo RecBeats Crew, e levou três integrantes do grupo para participar dos workshops e batalhas de danças urbanas do evento Open Extreme 2015, em Santa Cruz do Sul (RS). No segundo caso, um projeto de mesmo nome garantiu a participação de mais três integrantes do coletivo no festival de danças urbanas Rio Hip Hop Kemp 2016, no Rio de Janeiro (RJ).

< voltar para home