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Funcultura

Cultura popular e literatura mudam rotina escolar em Gameleira

Mais uma edição do projeto Outras Palavras contou com o mestre Galo Preto e a escritora Luzilá Gonçalves

Foto: Jan Ribeiro/Secult-Fundarpe

Por Roberto Moraes Filho

A Escola de Referência em Ensino Médio Dr. Jaime Monteiro, em Gameleira, na Mata Sul de Pernambuco, recebeu na manhã da sexta-feira (7), a programação do projeto Outras Palavras. A iniciativa, promovida pela Secretaria de Cultura e Fundarpe, contou com cerca de 150 estudantes, oriundos das instituições EREM Dr. Jaime Monteiro, Escola Estadual Nossa Senhora da Penha e Escola Municipal Dom Felipe.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Foto: Jan Ribeiro

Antonieta Trindade

Iniciando o ciclo de atividades, Antonieta Trindade, vice-presidente da Fundarpe e idealizadora do projeto Outras Palavras, fez a doação de kits literários contendo obras vencedoras do Prêmio Pernambuco de Literatura, além do livro ‘Patrimônios Vivos de Pernambuco’ (2014), de autoria da pesquisadora Maria Alice Amorim, para as bibliotecas de cada instituição de ensino presentes nesta edição, que contou com a participação da secretária de Educação de Gameleira, Fabíola Nunes. “Nós conseguimos atingir este ano a marca de mais de 220 escolas contempladas pelo projeto, em todas as regiões do Estado de Pernambuco e já temos uma programação intensa agendada para neste primeiro semestre”, informou Antonieta. “Tendo em seu aspecto de resistência, o ‘Outras Palavras’ visa que os estudantes da rede pública de ensino tenham acesso à arte e à cultura, para que possam ampliar seus repertórios e dominar, por exemplo, conhecimentos ligados à cultura popular e literatura, através da oportunidade de participarem de bate-papo com escritores premiados e Patrimônios Vivos do Estado”, ressaltou.

Foto: Jan Ribeiro/Secult-Fundarpe

Em seguida, os estudantes participaram de um bate-papo literário mediado pelo jornalista e cineasta Marcos Enrique Lopes, com a escritora, pesquisadora e professora de literatura da Universidade Federal de Pernambuco, Luzilá Gonçalves, que falou um pouco sobre seu processo de criação literária, sendo autora de dez livros, entre eles ‘Muito Além do Corpo’ e ‘A Anti-Poesia de Alberto Caeiro’. Natural da cidade de Garanhuns, no Agreste, Luzilá ocupa a cadeira de nº 38 da Academia Pernambucana de Letras, instituição da qual também é vice-presidente.

Foto: Jan Ribeiro/Secult-Fundarpe

“Eu ensinava literatura brasileira há muitos anos e quando comecei, achava que existiam poucas mulheres escrevendo. No século 19, ninguém. No final do século XIX, surgia a escritora Francisca Júlia. Mas foi no século XX, que então começamos a ver mulheres como Rachel de Queiroz e Cecília Meireles escrevendo. Então, eu me impressionei com isso e comecei a fazer pesquisas, e descobri que aqui em Pernambuco havia uma quantidade enorme no século XIX de mulheres escrevendo, entre elas poetisas e jornalistas. Havia jornais em que mulheres publicavam desde 1810, lutando para que as mulheres tivesses acesso ao ensino, coisa que não existia à época”, destacou Luzilá.

Sobre o contato com a literatura, Luzilá foi enfática: “No meu caso, por que é que eu escrevo? Tenho dez romances publicados, além de vários livros de pesquisa, uns 30 ao todo. E aí, por que? A gente escreve porque a vida não basta. A gente quer mais, quer conhecer mais coisas, mais sobre os seres humanos e se conhecer também. E é o que acontece quando você pega um livro, você vai descobrir um outro jeito de ver o mundo, outro jeito de julgar as pessoas e um outro jeito de se entender. Porque o escritor, quando ele escreve, está tentando dizer aquele mundo que está lá dentro e que não é essa realidade muito banal da gente. Quando você pega um livro ou o escreve, é porque você quer um pouco mais do que a banalidade. A leitura proporciona assumirmos outras vozes. Em outras palavras, por exemplo, que é muito mais brando do que o nome do projeto, o escritor e o leitor estão procurando exatamente outros jeitos de dizer ou de se expressar”, resumiu.

Foto: Jan Ribeiro/Secult-Fundarpe

Após o bate-papo literário, o coquista Galo Preto, Patrimônio Vivo de Pernambuco, entrou em cena. Interpretando composições do seu mais novo trabalho musical, o CD ‘Histórias que Andei’, lançado em 2016, Galo Preto animou os presentes com a poética e os repentes de embolada. “Defino este projeto, que participo pela terceira vez, como uma iniciativa bem pensada, que chegou em bom momento e está proporcionando nossa cultura completamente viva para os mais jovens. Isso incentiva os estudantes a cultivarem as nossas raízes artísticas, o que eu acho muito importante e gratificante”, comentou com animação.

Foto: Jan Ribeiro/Secult-Fundarpe

Para a estudante Larissa Cauani, do EREM Dr. Jaime Monteiro, a participação no projeto serviu de inspiração para toda vida estudantil . “Foi muito interessante a edição do projeto aqui em Gameleira, especialmente por tratar a forma como encaramos a leitura de obras literárias. Gravei muita coisa do que ouvi hoje na memória e espero que a programação volte por aqui mais vezes”, avaliou.

Já para Laura Beatriz, “toda a programação foi muito legal, porque nem sempre temos a oportunidade de ter esse contato mais próximo com uma escritora renomada em nossa cidade. Também adorei a apresentação do mestre Galo Preto, por ele demonstrar a tradição do coco de uma forma muito animada”, destacou.

O Outras Palavras segue com sua programação itinerante para Timbaúba, nesta terça-feira, 11 de abril.

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