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Escola Engenho retoma as atividades com curso de formação em audiovisual

O espaço no Recife está com inscrições abertas para o curso "O que vemos, o que nos olha", que tem incentivo do Funcultura

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Diante de uma automática e abundante produção de novas imagens, o curso O que vemos, o que nos olha, oferecido pela Escola Engenho com incentivo do Funcultura, vem sugerir o estabelecimento de uma relação antropofágica com as obras do acervo de videoarte da Fundação Joaquim Nabuco, ligando os sujeitos-pesquisadores, suas motivações e expressões artísticas a um arcabouço de experiências e reflexões.

O curso está com inscrições abertas até sexta-feira (16) para pessoas a partir de 18 anos de idade que realizem algum trabalho, mesmo que inicial, de pesquisa ou experiência com arte e tecnologia, interessadas em interfaces de produção artística nos mais diversos suportes: desenho, grafite, música, artes plásticas e visuais, audiovisual, teatro, performance, etc.

Interessados devem enviar os dados pessoais (nome completo, endereço, data de nascimento e nível escolar) junto com uma carta de intenção que pode ser em vídeo, áudio ou por escrito para o e-mail escolaengenho@gmail.com com o seguinte assunto: “o que vemos – inscrição”. Também haverá um plantão para inscrições presenciais no horário das 8h às 12h.

Estão sendo disponibilizadas 16 vagas, sendo 8 delas destinadas a estudantes e/ou artistas (Mc, Rap, Dj ) das comunidades ao redor da Escola Engenho: Roda de Fogo, Engenho do Meio e Torrões. As aulas começam no dia 19 de setembro com duração até 25 de novembro, todas as segundas, quartas e sextas-feiras das 14h às 18h.

Conduzido por Lia Letícia e coordenado por Mariana Porto, o curso tem caráter de pesquisa, discussão e experimentação de tecnologias em seus mais diversos suportes – o corpo, o som, a imagem – relacionando-os com este espaço inquietante entre observador e observado. Os encontros presenciais serão realizados na Escola Engenho, localizada no bairro Engenho do Meio e na Fundação Joaquim Nabuco de Casa Forte.

O curso, segundo Lia Letícia, se propõe a ser, antes de tudo, prático. “Um dos principais pilares do projeto é que os alunos possam produzir seus próprios trabalhos a partir do resgate das obras contidas no acervo da Fundaj, que é um dos maiores acervos da América Latina e, no entanto, tão pouco acessado. A ideia é que a partir dele possamos conseguir matéria-prima pra trabalhar com jovens e também suprir essa necessidade de dar visibilidade a esse acervo. Mergulhando nele, também estamos trazendo a questão da memória que, atualmente, para o nosso país, tem sido tão importante. É preciso ir atrás da nossa história e através dela pensar e refletir o presente.”

Durante o curso, os alunos receberão os artistas Daniel Santiago, Fernando Peres e Paulo Meira, cujas as obras estão no acervo de videoarte da Fundaj, e que individualmente apresentarão ações aberta ao público. Ao fim do processo, os participantes serão convidados a remontar uma das obras do acervo, em qualquer suporte, a ser apresentado como conclusão do curso.

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Daniel Santiago é um dos artistas convidados do curso

“Já vínhamos praticando isso em exercícios com as crianças. Mas sentíamos a necessidade de falar com jovens e adultos sobre isso e também ampliar o nosso campo de ação sobre essa reflexão e criação de imagens”, justifica Lia.

TRAJETÓRIA

A Escola Engenho é um espaço de experimentação em formação e tecnologias audiovisuais que, desde 2011, vem trabalhando com crianças e jovens de três comunidades do Recife -  Roda de fogo, Sítio das Palmeiras e Engenho do Meio – buscando promover empoderamento e autonomia na produção e legitimação de saberes locais.

São desenvolvidas oficinas de experimentação artística explorando uma interface artístico-formativa entre espaços tradicionalmente afastados: teoria e prática, ensino e aprendizado, saberes sedimentados e novos saberes. O principal suporte para estas experimentações é o audiovisual, mas a natureza da ação é híbrida, aglutinando especificidades de práticas artísticas, educativas e do movimento social a partir de 4 eixos: imagem, corpo, música e mídias livres.

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Desde 2011, a Escolha Engenho vem trabalhando com crianças e jovens das comunidades Roda de fogo, Sítio das Palmeiras e Engenho do Meio

A Escola Engenho estava sem promover atividades desde abril de 2015, quando encerrou sua última oficina. De lá pra cá, faltaram recursos para dar continuidade às ações idealizadas. Os principais objetivos da Escola são a emancipação no consumo de imagens, a ampliação do repertório sensível, a aquisição e/ou desenvolvimento de tecnologias sociais colaborativas, a formação de uma prática cineclubista na comunidade. O conjunto destas ações promove uma forte aproximação destas três comunidades com as artes e tecnologias sociais e de comunicação.

“Todo mundo hoje produz imagem, fotografa, filma. Vivemos uma superprodução de imagem, mas pouco se reflete, se pensa sobre essa criação e sobre as ideologias que estão atrás delas”, aponta Lia.

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Um dos objetivos da Escola Engenho é estimular a prática cineclubista

Cerca de 150 crianças já passaram pela escola. Entre os produtos gerados pelas oficinas estão o curta-metragem  A Paz Lunática, premiado no FestCine e também exibido no Teatro Arraial em sessão aberta ao público, onde as crianças puderam falar sobre a produção. “Esse filme evidencia o caráter da produção, que não se trata de um filme infantil e sim um filme pensado pelas crianças, desde o roteiro até a finalização. Esse empoderamento, esse poder fazer é o principal impacto para eles. O que fica de permanente é que o audiovisual, enquanto um tipo de escrita do nosso pensamento, está  acessível pra qualquer pessoa”, avalia.

“Eu gosto de pensar que a Escola Engenho vai continuar no imaginário do Engenho do Meio e da Roda de Fogo como uma possibilidade, uma potência pra quem passa por ali. Acredito que, com esse projeto voltando, mesmo que seja pra jovens e adultos, as crianças que já participaram e estão crescendo voltem a circular. Até porque promovemos sessões de filmes que vão ser abertas à comunidade. Pretendemos resgatar esse laço com a comunidade porque o trabalho de arte-educação ali precisa ser contínuo.”

A maioria dos exercícios praticados nas oficinas da Escola Engenho tem como finalização um produto audiovisual, geralmente um curta-metragem, disponíveis no canal da Escola no Youtube.

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