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Funcultura

Espetáculo do Circo Alves circulará pelo interior de Pernambuco

Com incentivo do Funcultura, espetáculos chegarão a Fazenda Nova, Vitória de Santo Antão e Arcoverde

CIRCO ALVES 1

Será uma oportunidade do público conferir um espetáculo tradicional de circo

O Circo Alves, um dos mais tradicionais em atividades no estado, faz nesta quarta, quinta e sexta (20, 21 e 22) uma intinerância pelo interior do estado com o espetáculo “Arte, Luz, Música e Muita Alegria”. O projeto é um incentivo pelo Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura. A estreia, nesta quarta, está sendo no município de Fazenda Nova, no Brejo da Madre de Deus. As apresentações irão acontecer às 15h e às 20h e são gratuitas – voltadas para os alunos da rede pública de ensino dos municípios que foram contemplados pelo projeto. O Circo Itinerante Alves tem produção executiva de Gardênia Alves, a Tita, e assistência de produção de Heleno Orlando de Melo, o Palhaço Jipinho. Depois do Brejo, o espetáculo irá chegar em Vitória de Santo Antão e Arcoverde.

Será uma oportunidade do público conferir um espetáculo tradicional de circo, com números de equilibrismo, pirofagista, chicote, corda indiana, equilibrismo com arame, escala, malabares, força capilar, trapézio, lira, tecido aéreo, mágica, acrobatas e palhaçaria.

Tita Alves ressalta a importância da circulação, que se constitui na maior forma de sobrevivência dos circos tradicionais. “O prêmio (Funcultura) é de uma importância muito grande pois viabiliza a gente ir onde a gente não pode ir”. A circense conta que sempre escolhe, nos municípios do interior que chega, as localidades mais afastadas do centro, onde as pessoas têm ainda menos acesso à arte e ao entretenimento. “Gosto de compartilhar minha arte com as pessoas de baixa renda, que não teriam oportunidade de ir ao circo. Faço questão de não ir para a sede do município, mas para Zona Rural, o lugar mais carente”, conta.

Divulgação

O projeto é um incentivo pelo Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura

HISTÓRIA DO CIRCO ALVES – Os bisavós peruanos de Gardênia Alves chegaram ao Brasil por volta do ano de 1900. Eles já eram do circo. Em 1903, nasce Manoel Pedro Vasconcelos, o filho caçula e brasileiro do casal, avô de Gardênia. É dessa data que ela conta o surgimento do Circo Alves, que começa em Minas Gerais e hoje tem dezenas de lonas espalhadAs pelo Brasil. “Eu tenho circo, meus irmãos têm os circo deles, meus sobrinhos. Somos uma grande família de circenses tradicionais. Naquela época, éramos uma das poucas famílias que fabricava lona”, conta Gardênia, mais conhecida como Tita. Ela veio parar em Pernambuco depois de conhecer o pernambucano Heleno Orlando de Melo, o Palhaço Gipinho, um garoto que deixou a família e literalmente fugiu com o circo.

“As família tradicionais de circo sempre tiveram isso de querer que as mulheres se casassem com homens de famílias do circo. Ele (Palhaço Gipinho) não vinha de uma família tradicional do circo, mas a gente começou a namorar em meados de 90. Minha família era grande, um pessoal conhecido, tinha essa coisa. Então mesmo ele sendo circense eu sofri esse preconceito. E até hoje tem essa diferença pra gente, de pessoas que vivem da nossa linguagem, sem serem circenses. Nós nascemos do circo, fomos paridas do circo. Tem gente que não consegue entender essa diferença, mas ela existe”, explica Gardênia. Hoje é ela quem monta os espetáculos do circo Alves, atualmente instalado na comunidade da Comportas, um pequeno bairro de Jaboatão dos Guararapes.

“Eu monto os espetáculos, dou aula, trabalho com os palhaços, sou mestre de cena, trabalho o espetáculo inteiro. Já fui malabarista, trapezista, hoje sou apresentadora”, conta ela, que vai fazer um espetáculo neste Dia do Circo, para comemorar a data. “Circo é cultura para as comunidades, lugares onde a população tem pouco acesso à arte. A gente chega onde não tem teatro, não tem cinema, não tem nada. Hoje, a luta maior é pra poder trabalhar. Os municípios ainda querem cobrar todas as taxas de uso do terreno, e essa é uma das nossas maiores dificuldades”, diz Gardênia.

O Circo Alves é um dos que acessam as políticas para o circo do Governo de Pernambuco. Gardênia diz que é de extrema importância a circulação promovida pelos programas que incentivam a tradição, como o Funcultura ou mesmo o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), para onde todos os anos tem levado seus espetáculos.

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