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Espetáculo ‘Onze’ revela pesquisa sobre som, corpo e luz do UM Coletivo

Estreia acontece no sábado (11), às 20h, no Teatro Marco Camarotti do Sesc Santo Amaro (Recife)

Onze - UM Coletivo. Crédito - Iuri Brainer

A peça é o resultado da pesquisa que envolveu oficinas, uma instalação no Museu Murillo La Greca e a publicação de um dossiê com discussões sobre o processo

Após uma intensa pesquisa sobre a relação do som, corpo e luz – que durou mais de seis meses – o UM Coletivo estreia neste sábado (11), às 20h, seu novo espetáculo Onze, no Teatro Marco Camarotti, em Santo Amaro. Realizado em dois atos, Onze transporta à cena três músicos, sete dançarinos e uma iluminadora, que juntos expõem e discutem a construção da cena distante do teatro convencional.

A montagem, que será exibida também no domingo (12), às 19h, encerra a pesquisa Som, Corpo e Notações, realizada pelo grupo com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Segundo Daniel de Andrade Lima, diretor da montagem, o espetáculo é a instância de criação em que dança, luz e música aparecem com a mesma importância. “As narrativas são criadas por todo mundo. A nossa iluminadora, por exemplo, Natalie Revorêdo, que entrou por último no projeto, teve autonomia total na criação. Uma detalhe interessante na nossa luz é que ela é pensada como uma experimentação de acessibilidade para surdos. A ideia é relacionar a experiência do espetáculo com a música de forma visual”, revela. Além de Natalie, a montagem é realizada em parceria com o duo Pachka, formado pelos músicos Tomás Brandão e Miguel Mendes.

Ensaio UM Coletivo - crédito Moema França

Segundo Daniel de Andrade Lima, diretor da montagem, “o espetáculo é a instancia de criação em que a dança, luz e música aparecem com a mesma importância”.

A peça é o resultado da pesquisa realizada pelo grupo ao longo de seis meses, que envolveu oficinas gratuitas, uma instalação no Museu Murillo La Greca e a publicação de um dossiê com ensaios e discussões a respeito do processo. “Para a realização do projeto, pensamos em quatro contrapartidas, algumas mais ligadas à pesquisa e que colocassem em práticas as diferentes linguagens que a gente vinha desenvolvendo. Além da intervenção Arrodeio, no La Greca, e do dossiê, oferecemos quatro oficinas, distribuídas em três meses. A primeira era sobre o improviso de dança e música em conjunto. A segunda foi sobre alguns fatores de dança e música isolados. Já a terceira tratou da criação conjunta, a partir de textos literários, e a quarta foi sobre desenhos expressivos e abstratos pra auxiliar na criação conjunta”, explica.

Depois do período de pesquisa e experimentação, o grupo sentou e conversou sobre qual temática levaria para o espetáculo, previsto como ponto final do projeto. “Nos perguntamos que tipo de corpo iríamos trazer, que tipos de sons e iluminação? O que a gente fez foi escolher como abordar esteticamente o espetáculo. Foi uma criação muito mais rápida que o normal porque o diálogo já estava bem afinado nesse momento. Pra gente ele não é exatamente uma consequência da pesquisa, e sim um produto que conta com a pesquisa internamente”, opina Daniel.

Para Natalie Revorêdo, Onze revela um momento maduro do UM Coletivo, “entendendo que o todo cênico é composto por partículas que formam o organismo, que são as músicas, a trilha sonora, a iluminação, e os bailarinos – os corpos na cena. Eu sinto que há esse cuidado na integração, tanto que todos os envolvidos no espetáculos estão em cena e com figurino”, destaca.

De acordo com a iluminadora, a luz entra no espetáculo como elo entre os corpos e a música. “Eu entendi, enquanto iluminadora-intérprete-criadora da cena, que a luz entra numa conexão de linguagem. E isso vem de uma observação que eu tenho muito pra luz de show. Como realizar uma luz que seja entendível de diferentes linguagens, que bata com a música? Fazer isso com o teatro é um pouco mais delicado, mas o duo Pachka me deu a observação das sutilizas para trabalhar a luz como um instrumento de comunicação”.

Onze - UM Coletivo. Créditos - Iuri Brainer 1

Realizado em dois atos, Onze transporta à cena três músicos, sete dançarinos e uma iluminadora

Surgido com a proposta de realizar trilha sonora para teatro, o Pachka faz um trabalho de improvisação e composição de diálogos artísticos utilizando instrumentos e processos eletrônicos para a criação. Ao longo de toda a pesquisa eles estiveram presentes nas experimentações e ensaios, nos quais Miguel Mendes e Tomás Brandão executam e seguem com a guitarra, baixo, sintetizadores e live eletronics. Uma trilha sonora criada de forma autônoma e livre durante o processo de construção da peça.

“Essa questão da autonomia é interessante porque define bem o projeto como um todo. A participação do Pachka apareceu como um convite, e desde o começo o UM Coletivo nos fez sentir autores da pesquisa, não apenas participantes. Muitas das experiências que estão no palco surgiram por conta dessa autonomia e da parceria que tivemos o tempo inteiro. Tem uma cena, por exemplo, que eu como músico vou também fazer um trabalho de corpo”, detalha Miguel Mendes. “Quando os atores estão ensaiando, estamos dentro do processo criativo também. Pra gente que está na posição de criador de trilha e performer é importante estar junto, até por uma questão de apropriação”, ressalta.

Serviço
Estreia do espetáculo Onze
Teatro Marco Camarotti, Sesc Santo Amaro (Rua Treze de Maio, 455, Santo Amaro)
11 de março, às 20h | 12  de março, às 19h
R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

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