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Exposição e livro “Ouvi Dizer” estuda a relação entre população de Gravatá e patrimônio público

Com incentivo do Funcultura, Marcelo Silveira e Cristina Huggins documentam os projetos "Você se lembra da Escada da Felicidade?" e "Nomes" no livro "Ouvi Dizer", que tem lançamento e abertura da exposição acontecerá no dia 2 de maio, na Torre Malakoff

Divulgação

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A Escada da Felicidade, em Alto do Cruzeiro, é tema do livro e exposição “Ouvi Dizer”

Construída em 1953 sob a justificativa de facilitar o acesso da população ao mirante do Alto do Cruzeiro, em Gravatá, a Escada da Felicidade sempre foi objeto de curiosidade para o artista Marcelo Silveira. Não só pela relação ambígua da população com o monumento, como também pelo seu processo de construção e as consequências causadas na região. Fruto de pesquisas sobre a escada desde 2013, nasceram os projetos “Você se lembra da Escada da Felicidade?” e “Nomes”, assinados por Marcelo e Cristina Huggins, que agora são documentados no livro “Ouvi Dizer…”, que tem apoio do Governo do Estado, através do Funcultura, e será lançado no dia 2 de maio, às 19h, na Torre Malakoff.

Na ocasião também será aberta uma mostra de mesmo nome, que ficará em cartaz no local até o dia 27 de maio. Será a primeira vez que a instalação, que conta com fotos, será apresentada no Recife. “A exposição seria o esqueleto e a vestimenta seria o livro”, resumiu Cristina sobre a complementaridade das duas expressões que compõem o projeto “Ouvi Dizer…”. Evidenciando ainda mais a importância da participação popular no trabalho, os livros terão suas capas feitas através de um processo manual de encadernação por um grupo de pessoas da região. A tiragem reduzida e será distribuída para instituições culturais e educacionais.

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Cristina Huggins e Marcelo Silveira são os autores do projeto

“Nossa intenção maior era mostrar a relação da população com esse patrimônio, porque ora eles dizem que o monumento é deles e ao mesmo tempo não toma iniciativas para que isso continue existindo. É o que acontece com um monumento, ele chama atenção quando é feito, mas depois é esquecido e perde sua função inicial. A escada era um lugar onde se namorava, o morro não era tão ocupado antes. Hoje em dia, as pessoas sobem a escada de moto, as pedras e vegetação que haviam ao redor foram substituídas por muitas construções”, observa Marcelo que, ao lado de Cristina, ouviu 12 moradores da região, sendo 6 pessoas que viveram o auge da escadaria e outras 6 que chegaram no endereço mais recentemente.

Os depoimentos formam um panorama de sentimentos relativos ao monumento contando com relatos de desde quem viveu todo o período da escada e é feliz ao lado dela até quem chegou depois e gostaria de mudar a paisagem. “Isso talvez se dê pelo fato do monumento ter sido absorvido. E aí, por não se sentir parte dele e achar que é de outro, existe essa vontade de se destruir, porque nem todo mundo viveu aquele momento de construção. A gente tenta levantar essa questão, quais são as relações hoje com o que passou? Vamos destruir o que foi feito ou vamos atualizar essa informações? Sem falar que a relação das pessoas na cidade ao longo dessas décadas mudou muito, então, parte do trabalho está muito centrado nesse diálogo que os habitantes têm com a memoria material e imaterial da cidade”, explica Marcelo.

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O material conta com a documentação de imagens antigas e recentes

Um dos aspectos sobre as relações na comunidade é explorado através de “Nomes”, que investiga como a população do local compreende os nomes escritos em cada um dos 365 degraus da Escada da Felicidade. “Me parece que esses nomes eram colocados por ordem de importância, os mais importantes como o do padre e o do prefeito, estavam lá no topo.  Mas nossa questão era: que nomes são esses, que ‘ilustres’ são esses que não frequentam a escada, que não usam a escada?”, pontua Marcelo. A partir disso, a dupla ouviu mais moradores, reuniu fotos antigas e realizou novas fotos do lugar.

A partir do material coletado, eles discutiram como essas informações poderiam chegar ao público e decidiram por uma escultura constituída por caixas de madeira, inspiradas nos relicários. Quando aberta, cada uma das caixas exibe fotos pessoais e documentais, em sépia. Organizadas em conjunto, e observadas de cima, as caixas formam uma espécie de escada.

Marcelo Silveira

Marcelo Silveira

A instalação do material simula uma escada

Serviço
Lançamento do livro e abertura da exposição “Ouvi Dizer”, de Marcelo Silveira e Cristina Huggins
Quando: Dia 2 de maio, às 19h
Visitação de 2 a 27 de maio
Onde: Torre Malakoff (Praça do Arsenal)
Entrada Gratuita

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