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Funcultura

Exposição fotográfica sobre Xambá destaca olhar de crianças e adolescentes

 

Elysângela Freitas

Elysângela Freitas

A exposição “O olhar dos Ibêjis na Xambá” retrata o cotidiano da comunidade em Olinda

Por Camila Estephania

O lançamento do livro “Nação Xambá: do Terreiro aos Palcos”, em 2008, funcionou como uma provocação para a fotógrafa Elysângela Freitas. Curiosa sobre a comunidade descrita na obra assinada pela jornalista Marileide Alves, a profissional abandonou o medo alimentado pelos estigmas que envolvem o bairro há anos e foi enfim conhecer o tão recomendado Coco de Mãe Biu. Para sua surpresa, a experiência a tornou uma presença tão frequente nas atividades do Centro Cultural Grupo Bongar Nação Xambá que, recentemente, a artista aceitou a ideia dos coordenadores do espaço para ministrar uma oficina de fotografia para as crianças da comunidade.

O resultado desse convite é a exposição “O olhar das Ibêjis na Xambá”, que terá abertura no Centro neste domingo (17), às 15h. “Eu tinha medo de ir a Xambá por conta do estereótipo, já que me diziam que ali era uma área perigosa. Mas depois que conheci o Coco, o grupo Bongar e passei a ir às apresentações que havia no Terreiro, percebi que era um lugar seguro, onde eu me sentia bem. Além disso, eles também sofrem muita discriminação por conta da religião de matriz africana. Então, espero que esse material possa mostrar que são pessoas comuns e que lá é um lugar de paz”, esclarece a fotógrafa, cuja oficina que deu origem a exposição foi incentivada pelo Governo do Estado, por meio do Funcultura.

Divulgação

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A exposição conta com 40 fotos e é fruto de uma oficina ministrada por Elysângela Freitas

A mostra conta com 40 fotografias, das quais 30 são das crianças e adolescentes que participaram do curso, que durou 6 meses, e 10 da própria Elysângela. O recorte foi retirado de um universo de cerca de 400 fotos, captadas por câmeras digitais e de celular. “Para mim, a maior novidade é perceber como as pessoas se abrem mais para as crianças. Elas têm mais liberdade para fotografar. Esse tipo de registro nos dá a chance de trocar experiência e comunicar uma realidade, principalmente porque as crianças estão despidas de estigmas, elas repassam a mensagem livre de máscaras”, observa a artista, que também destaca o ineditismo do material enquanto retrato do cotidiano da comunidade, indo além das atividades no Terreiro, já amplamente abordadas.

Para Marileide Alves, que é uma das coordenadoras do Centro Cultural, a iniciativa também teve papel fundamental no repasse e aprendizado das tradições para os jovens de Xambá. “A oficina tinha essa proposta lúdica de aprender a usar a câmera, mas elas também foram aprendendo sobre a própria comunidade, porque a partir da execução da técnica veio um processo de imersão na nossa história. Queríamos que elas retratassem as suas vivências na comunidade e, a cada aula, elas traziam isso e falavam da forma como elas gostariam de serem vistos”, relembra a jornalista, que planeja tornar o material em exposição itinerante e levar para outros espaços.

Por enquanto, a exposição fica em cartaz no Centro Cultural Grupo Bongar Nação Xambá até o dia 6 de janeiro. Por se tratar de um ambiente onde também são realizadas atividades religiosas, é importante que os interessados em verem a mostra liguem para os números (81) 3442 1115 ou (81) 99927 6258 e agendem a visita. A entrada custa R$ 5.

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