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Funcultura

Exposição no Recife celebra a obra do artista Zé de Barros

Mostra com incentivo do Funcultura abre nesta quinta-feira, na Galeria Janete Costa - Parque Dona Lindu

*Com informações da Assessoria

A Galeria Janete Costa, no Recife, recebe a partir de 17 de novembro a exposição 21 Anos sem Zé de Barros, com 140 obras desse grande artista pernambucano, falecido em 1994 e que, desde 1996, não tinha sua produção apresentada na cidade. A mostra – que conta com o incentivo do Governo de Pernambuco, através do Funcultura, foi idealizada pelo artista Izidorio Cavalcanti e tem curadoria de Joana D´Arc Lima e Sebastião Pedrosa.

divulgação

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Artista formador da geração de 80 ganha mostra retrospectiva

Há anos que Izidorio Cavalcanti mantém uma relação próxima com a família de Zé de Barros, em especial com sua irmã Tereza Dias. Após a morte do artista, em 1994, ela ficou responsável por cuidar das cerca de 1500 obras do irmão e ele a ajudou nessa empreitada. Eu sempre quis levar ao público a produção de Zé de Barros e fiquei muito feliz quando consegui parceiros para essa realização”, diz o artista.

Nascido em 1943, Zé de Barros foi desenhista, pintor, gravador, além de ter atuado como professor na Universidade Federal de Pernambuco no curso de educação artística. Entre 1965 e 1994, realizou uma profícua produção que influenciou uma legião de artistas, em especial aqueles que fizeram parte da geração da década de 1980. Foi justamente por isso que, quando desenvolvia sua pesquisa de doutorado sobre esse período, a curadora Joana D´Arc Lima ouviu muito falar no nome dele. “Durante minhas conversas com artistas desse período, a exemplo de Zé Paulo, Zé Patrício, Joelson, Paulo Meira, Oriana Duarte, Marcelo Coutinho, foi recorrente a menção a Zé de Barros como um artista e também professor que tinha os levado a uma nova compreensão do que era a arte e do papel do próprio artista”, destaca a curadora.

Boa parte das obras de Zé de Barros se desenvolveu no campo da bidimensionalidade, em desenhos, gravuras e pinturas, porém, segundo Joana D´Arc, esses trabalhos ganhavam um viés tridimensional a partir de suas experimentações e criações. Em sua atividade artística ele quase sempre expandia os horizontes de liberdade, utilizando técnicas mistas, tinta, giz, carvão, sobrepondo camadas, incorporando materiais e suportes como papelão, eucatex, tecidos que lhe possibilitavam experimentar muitas coisas. “Ele tinha um rigor técnico impressionante. Uma força enorme na gestualidade, nas suas gravuras e pinturas. Seu gesto de artista era largo, por vezes furioso”, destaca Joana D´Arc. Já Sebastião Pedrosa, que também assina a curadoria, sublinha a atenção dada à figura humana pelo artista, seja nos retratos ou autorretratos, além da natureza morta, das cenas de interiores, e de paisagem.

A mostra foi divida em três blocos. A primeira apresenta gravuras e litogravuras, incluindo a série Impressões Amazônicas, que foi exposta em 1996, na UFPE, dois anos após a sua morte. Nela, Zé de Barros explora a paisagem da Amazônia, com traços que beiram o abstracionismo – na verdade desenhos gestuais com referência à natureza. “A visita ao Amazonas foi um divisor de águas na sua trajetória. A partir daí seus desenhos e gravuras crescem em intensidade expressiva e em escala. Para Zé é vital a experiência sensorial e emocional quando aborda um tema. Mesmo que muitos dos desenhos e gravuras dessa série tenham sido realizados posteriormente, de memória, em seu ateliê, ele não dispensou as anotações e croquis feitos no local de observação”, detalha Pedrosa.

No segundo módulo, estão reunidas as memória do artista: algumas de suas anotações, peças gráficas, esboços, transcrição de suas cartas endereçadas à família quando se encontrava em estudo em Paris, matrizes de gravura em metal ou xilogravura. “Nós também estamos produzindo um vídeo que trará depoimentos de artistas da geração de Zé de Barros e que, de algum modo, se relacionaram com ele, a exemplo de Humberto Araújo, Jairo Arcoverde, entre outros. O material estará em exibição neste módulo e vai contribuir na compreensão da relevância do legado deixado pelo artista”, explica Izidorio Cavalcanti.

O terceiro e último módulo vai apresentar pinturas, algumas em grandes formatos, e 43 desenhos em nanquim do artista. Boa parte dessa produção é inédita do grande público. “Das imagens apresentadas podemos dizer que a força criativa que move a sua produção se manifesta através do desenho. Inicialmente mais sintético, econômico, sugerindo formas, planos ou elementos simbólicos. Seu desenho ganha força expressiva e mesmo tão ligado ao real ele se torna quase abstrato e gestual como os vistos nos trabalhos de grande dimensão”, pontua Pedrosa.

Joana D´Arc lembra, ainda, que a curadoria sublinhou também, com suas escolhas, chamar a atenção para as relações afetivas. Zé de Barros teve uma relação especial e próxima com a artista Guita Charifiker e pintou, entre outras coisas, a sala de sua amiga, também representou a família do seu colega Luciano Pinheiro, além de ter sido retratado por Gil Vicente.

SERVIÇO
Exposição: 21 Anos sem Zé de Barros
Curadoria: Joana D´Arc Lima e Sebastião Pedrosa
Abertura 17 de novembro de 2015, às 19h
Visitação de 18 de novembro de 2015 a 10 de janeiro de 2016.Terça a sexta, das 12h às 20h.
Sábados e domingos das 14h às 20h
Local: Galeria Janete Costa
Parque Dona Lindu –  Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem
Fone: 3355-9832 E-mail: galeriajanetecosta@gmail.com

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