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Funcultura

Exposição “Suíte Master Quarto de Empregada” pode ser visitada de forma on-line

A mostra, capitaneada pelo professor e fotógrafo José Afonso Júnior, conta com incentivo do Funcultura

José Afonso Silva/Divulgação

José Afonso Silva/Divulgação

A mostra investiga as relações que se estabelecem entre empregadores e empregados domésticos em apartamentos da classe média da Região Metropolitana

Um recorte milimétrico sobre a classe média brasileira. Assim se pode definir a exposição fotográfica virtual “Suíte Master Quarto de Empregada” do jornalista, fotógrafo e professor da Universidade Federal de Pernambuco, José Afonso Silva Júnior. O trabalho, que conta com incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, é uma provocação sobre as relações – não apenas profissionais, legais, trabalhistas, mas também pessoais – entre patrões e empregados (domésticos).

Nos últimos três anos, José Afonso fotografou, como o título da mostra sugere, esses ambientes em casas e apartamentos da Região Metropolitana do Recife (indo da classe média baixa até a mais abastarda) e documentou não apenas imagens, mas diálogos, acordos (inclusive os velados) e situações diversas. Todo o conteúdo está disponível para o público no site da exposição e numa live que o autor realizou na última terça-feira (9), no Youtube e no Facebook do projeto, que contou com a participação do fotógrafo Eduardo Queiroga (curador da mostra), Daniele Zaratin (doutora e defensora das políticas públicas voltadas para as camadas mais vulneráveis da população e ex-empregada doméstica), além de Mirtes Renata de Souza, mãe do menino Miguel, morto em acidente no condomínio Píer Maurício de Nassau, um dos edifícios do conjunto conhecido como “Torres Gêmeas”, no bairro de São José, no centro do Recife.

José Afonso explica que a ideia do projeto surgiu a partir da PEC das Domésticas, em 2015, legislação que assegurou e ampliou os direitos trabalhistas dessa categoria profissional, equiparando-a com os demais trabalhadores do mercado. “E as pessoas estavam mais preocupadas com o impacto financeiro da nova lei, devido ao aumento dos encargos trabalhistas, do que perceber que até então estavam reproduzindo processos históricos enraizados na escravidão só que codificados em relações precárias”, recorda.

Outra consequência da legislação foi sentida na arquitetura e até no marketing das construtoras. O “quarto de empregada” se transformou em quarto de serviço, reversível ou simplesmente depósito. A transformação cosmética, no entanto, não evitou a continuidade das relações precárias. José Afonso constatou, por exemplo, que os depósitos (locais que não precisam obedecer às normas arquitetônicas estabelecidas para quartos: ventilação, iluminação, etc.) passaram a ser usados também como dormitórios. “É o que podemos designar como uma adaptação casuística. Mudam-se os nomes, permanece o eixo de relações entre ambientes desqualificados destinados a pessoas que são vistas também como tal”, constata.

O fotógrafo diz que para ter acesso completo a casa das pessoas se comprometeu em manter o anonimato dos envolvidos. Jornalista por formação, José Afonso não estava ali, no entanto, para captar apenas imagens, queria também e até na mesma medida, histórias, contextos e diálogos. A estratégia deu certo. Além de um amplo material fotográfico sobre o tema, também colheu frases intrigantes. Das públicas, como a do ministro da Economia, Paulo Guedes que declarou na época em que o dólar era mais baixo, “havia empregada doméstica indo pra Disneylândia, uma festa danada”; “a privadas”, “Depois da novela, ela está liberada e pode ir dormir”.

Serviço
Site da exposição:
suitemasterquartoempregada.com

Youtube:
www.youtube.com/channel/UCMzxx74URpGg0u6dzpcHKDQ

Facebook:
www.facebook.com/Su%C3%ADte-Master-Quarto-de-Empregada-100763228734877

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