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Festival Janela de Cinema aposta na nostalgia dos clássicos

“Roberto Carlos em ritmo de aventura” é um dos filmes que estão na programação.

O festival Janela Internacional de Cinema do Recife mais uma vez realizará uma mostra dedicada aos filmes clássicos. O festival anunciou nesta terça-feira (30) a seleção  da mostra que aposta na nostalgia dos cinéfilos e do público em geral. Estão programadas a exibição de 13 longas-metragens em cópias novas ou restauradas, nos formatos DCP e 35mm. As sessões serão realizadas de 24 de outubro a 2 de novembro, no Cinema da Fundação e no Cinema São Luiz. Esse último é um dos poucos cine-palácios em funcionamento no mundo, que durante o Janela volta a exibir filmes que marcaram diferentes gerações cinéfilas. O 7º Janela Internacional de Cinema do Recife tem incentivo do Funcultura, Governo de Pernambuco, e patrocínio da Petrobras.

O programa, que este ano tem como tema “Estradas Perdidas”, promete ser um dos mais esperados e disputados do Janela de Cinema. Desta vez, a mostra traz obras de mestres como David Lean, Nicholas Ray e Wim Wenders (“Paris, Texas”, que completa 30 anos), além de títulos emblemáticos do horror, aventura e ficção-científica, entre eles “Os Caçadores da Arca Perdida”, de Steven Spielberg, “Alien”, de Ridley Scott, “O massacre da serra elétrica”, de Tobe Hooper, “O comboio do medo”, de William Friedkin e “Mad Max 2”, de George Miller.

“Temos a sorte de ter o São Luiz para programar com filmes que fazem parte da história do cinema, das pessoas e, às vezes, do próprio São Luiz”, explica o diretor e curador do Janela Internacional de Cinema do Recife, Kleber Mendonça Filho. “É uma seleção bem impactante, que levou literalmente meses de decisões e indecisões, espera por autorizações e negociações de taxas caras de exibição, com cópias vindas da Austrália, Taipei, Los Angeles, Londres, Bolonha, Rio de Janeiro e Paris. ‘Os Caçadores da Arca Perdida’ terá apenas duas sessões especiais este ano, uma no Festival de Locarno, na Suíça, e outra no Janela”, diz Kleber.

Depois de cinco anos de sessões lotadas, no São Luiz e no Cinema da Fundação, a seleção Clássicos do Janela já aposta em grandes filmes que talvez ainda mereçam ser descobertos por um público maior. “Obviamente, teremos os clássicos que dão alguma certeza de casa cheia, como por exemplo, uma das grandes aventuras já feitas no cinema, por um dos cineastas mais populares da história – Os Caçadores da Arca Perdida. Por isso é bom arriscar um pouco e trazer filmes excelentes como ‘Comboio do Medo’, filme incrível que Friedkin fez após ‘O Exorcista’, exibido em cópia restaurada 4K”.

Kleber Mendonça Filho também destaca “Contos Cruéis da Juventude”, de Nagisa Ôshima (de “O Império dos Sentidos”) e uma descoberta sua feita no último Festival de Locarno, na retrospectiva da produtora italiana Titanus, “I Dolci Inganni”, de Alberto Latuada. “A idéia é fazer o que um bom festival de cinema faz: promover grandes descobertas”.

Prêmio João Sampaio – O Janela também anuncia a criação do “Prêmio João Sampaio para Filmes Finíssimos que Celebram a Vida”, homenagem permanente ao crítico baiano falecido no último mês de abril. A honraria será concedida pela organização do festival para um filme contemporâneo ou de arquivo, nos formatos longa ou curta-metragem. “O que mais me alegra nesse prêmio é todo ano ter que explicar para as pessoas como era João Sampaio, crítico e jornalista que teve trabalho importantíssimo em Salvador e uma voz notável no âmbito nacional. Para além disso, alguém que muitos de nós, em todo o cenário de cinema, amavam como amigo”, diz Kleber.

Mais informações: www.janeladecinema.com.br

FILMES DA MOSTRA CLÁSSICOS DO JANELA

A Filha De Ryan (Ryan’s Daughter, EUA, 1970, 206 min), de David Lean.
Lançado numa época em que o cinema havia tornado-se jovem e revolucionário, A Filha de Ryan, com seu porte gigantesco e superproduzido, realizado por um David Lean que vinha dos sucessos mundiais A Ponte do Rio Kwai, Lawrence da Arábia e Doutor Zhivago, foi mal recebido e é, até hoje, uma obra injustiçada. Redescoberto ao longo dos anos, suas paisagens espetaculares são panos de fundo para uma história de amor e fidelidade (política e amorosa) que resulta num filme onde são as imagens que contam a história das relações humanas. Francamente, A Filha de Ryan é como pouca coisa vista desde então. De fato, não se faz mais filmes como esse. Em DCP.

Alien – O oitavo passageiro (Alien, EUA, 1979, 116 min), de Ridley Scott.
Com o sucesso do bem iluminado e juvenil Guerra Nas Estrelas, em 1977, o ano de 1979 já estava pronto para um filme de horror espacial sombrio e aterrorizante, marcado por suspense extraordinário e um visual biológico-extraterrestre inesquecível. De fato, o organismo vivo trazido para dentro da nave Nostromo revela-se a mais medonha criação cinematográfica do bicho-papão já feita, até hoje. Em DCP.

Contos Cruéis da Juventude (Cruel Story of Youth, Japão, 1960, 96 min), de Nagisa Ôshima.
O filme que deu início à versão japonesa da ‘Nouvelle Vague’, Nagisa Oshima filma seu país ainda no pós-Guerra, mas olhando para o futuro de jovens que querem romper com o passado e com as regras. No caso, um jovem casal, Makoto e Kiyoshi, menina meio perdida e o estudante rebelde. Uma relação desigual e violenta vai nascer entre estes dois seres marginais.

Il dolci inganni (Itália, 1960, 95 min), de Alberto Lattuada. Em 35mm.
Proibido pela Liga Católica da Decência e dos Bons Costumes, I Dolci Inganni nos mostra uma adolescente linda, de 17 anos, preferindo alterar sua rota naquele dia: ela faltar a aula para passar o dia com seu namorado, com idade para ser seu pai. Essa espécie de irmão italiano de um filme de François Truffaut tem um olhar elegante e aberto para coisas boas da vida como amor e liberdade, e com um olhar que arrasta uma enorme asa pela belíssima Catherine Spaak, como Francesca. E vejam só o plano dela que encerra o filme. Em 35mm

Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, EUA, 1955, 111 min), de Nicholas Ray.
O filme de jovens décadas antes de o cinema de mercado ser feito inteiramente para jovens. Os personagens de James Dean, Nathalie Wood e Sal Mineo viraram ícones. Parecem colocar suas almas para fora num panorama social e cinematográfico arquitetado por Nicolas Ray, panorama que já mostrava os sinais das mudanças que viriam nos anos 60 e que reinventaram o conceito de juventude. Ser jovem significa descobrir novas estradas, e às vezes sair delas rumo ao penhasco. Restauração 4K estreou no último Festival de Berlim. Em DCP

Mad Max 2 (Mad Max 2 – The road warrior, EUA, 1981, 95 min), de George Miller.
Hollywood definiu o gênero “ação” no cinema envolvendo automóveis, mas foram australianos que mostraram como se faz. Nesse espetáculo de coreografia automobilística suicida e insana, de câmera e montagem, realizado sem a ajuda de efeitos especiais digitais, George Miller fez um western pós-moderno e brutal, onde a direção de arte é feita do lixo industrial que restou de um mundo pós-apocalíptico e a agressividade está na ação das estradas e numa câmera que está sempre a bordo de um veículo. Traços gay, sado-masoquistas apenas sublinham um todo realmente impressionante. Em 2015, a saga Mad Max terá continuidade com um filme novo, Fury Road, também dirigido por Miller. Em DCP.

Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, EUA, 1981, 115 min), de Steven Spielberg.
Talvez a melhor aventura retro já feita pelo cinema americano, por um cineasta no alto dos seus poderes, com um astro clássico que chama identificação. Indiana Jones toma inúmeras estradas e becos, caminhões e aviões. Começou uma cine-série de quatro filmes, dos quais este é claramente o melhor. 30 anos antes de Bastardos Inglórios de Quentin Tarantino, os nazistas recebem uma vingança cinematográfica como nenhuma outra. Em DCP.

O comboio do medo (Sorcerer, EUA, 1977, 121 min), de William Friedkin.
Refilmagem americana de O Salário do Medo, o clássico francês de Henri George-Clouzot. Uma estrada perigosa, homens são pagos para levar carregamento de explosivos em caminhões. Difícil achar um filme mais tenso do que este, realizado com enorme garra e sentido hitchcockiano de cinema. Em DCP.

O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, EUA, 1974, 88 min), de Tobe Hooper.
Um grupo de amigos numa van, no interior do Texas. Saem da estrada e param numa fazenda. Em 80 minutos, Tobe Hooper fez um museu de horrores de alta voltagem e onde a violência vem bem mais da agressivdade da montagem, do som e dos objetos (por exemplo: uma moto-serra barulhenta) de cena do que de uma violência explícita. Os últimos 20 minutos, em especial, são uma descarga e tanto de terror e energia bruta. Em DCP.

Paris Texas (França/Reino Unido/Alemanha Ocidental/EUA, 1984, 147 min), de Wim Wenders.
Palma de Ouro no Festival de Cannes, Paris Texas é um filme como nenhum outro. Wenders, um alemão apaixonado pela paisagem americana, nos conta uma bela história de amor e loucura, doce sem ser piegas, e com a presença forte de Nastassja Kinski, símbolo do amor incondicional. Inesquecível, o clima e o feeling e a musica de Ry Cooder. Versão Restaurada 4K estreou no último Festival de Cannes. Em DCP.

Pelos Caminhos do Inferno (Wake in Fright , Austrália/EUA, 1971, 114 min), de Ted Kotcheff.
O 2o. título da Austrália nesta seleção sugere que o pais da Oceania não é para amadores. Incrível filme de horror onde nenhum ser humano morre, onde não há fantasmas ou monstros, embora isso seja questionável. É a história de um professor primário que tenta sair da cidadezinha do interior onde foi passar a noite. Lá encontra uma cultura masculina assustadora de camaradagem e bebedeira, com perturbadora sensação de que não há leis para homens ou animais. Em 35mm.

Roberto Carlos em ritmo de aventura (Brasil, 1968, 97 min), de Roberto Farias.
O tempo parece ter feito bem a esse produto Roberto Carlos, dirigido por um dos mais competentes realizadores brasileiros do cinema comercial e popular, e que levou milhões aos cinemas. Claramente inspirado nos filmes de Richard Lester para os Beatles, temos imagens de ação com musicas de RC e Erasmo Carlos, na perfeita matinê brasileira. Em 35mm.

Rocky Horror Picture Show (EUA/Reino Unido, 1975, 100 min), de Jim Sharman.
Quando o carro quebra numa estrada escura, Brad e Janet, um casal certinho, vai buscar ajuda numa sinistra casa-castelo que pertence ao Dr. Frank’N’Furter, “um doce travesti da transexual Transilvânia”. Ele irá apresentar para seleto grupo de amigos sua nova criação: um homem objeto e perfeito. O bom humor de uma homenagem afiada aos clássicos do Cinema B de ficção científica e horror, com uma trilha sonora sensacional de música e dança. Em DCP.

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