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Fotógrafa Dominique Berthé lança novo livro no Recife

Paisagem compila fotografias feitas nos últimos 20 anos pela artista francesa, radicada na capital pernambucana. A obra contou com incentivo do Funcultura.

Informações da Assessoria

No próximo sábado, março, a artista francesa Dominique Berthé vai lançar seu segundo livro: Paisagem, no Museu da Cidade do Recife. A obra, que conta com o apoio do Governo de Pernambuco, através do Funcultura, compila fotografias feitas por ela desde o início dos anos 2000, quando se mudou definitivamente para o Brasil. O lançamento – que acontece a partir das 16h – contará com a presença da crítica de arte e professora Maria do Carmo Nino, da escritora, poeta e pesquisadora Maria Alice Amorim e da curadora Joana D´Arc Souza Lima, todas envolvidas no projeto. Elas vão comentar o livro e a fotógrafa fará a projeção de algumas imagens.

Dominique Berthé

Dominique Berthé

Obra reúne 96 registros feitos pela fotógrafa no Nordeste

As fotografias reunidas na obra apresentam um olhar curioso, apurado e sensível sobre o Nordeste. Um olhar hipnótico, inconsciente, de sulcos, marcas, pegadas, traços, linhas, composições naturais, entranhas, vísceras. Marcas de passagem, de tempo, rugas, registros, tatuagens. A expressividade das texturas e das linhas é algo que se apresenta em boa parte das imagens. Segundo Maria do Carmo Nino, a publicação é, na verdade, um livro de artista. Um objeto que pode ser apreendido com as mãos, objeto de desejo, objeto de curiosidade, objeto de beleza e feiura.

São 84 páginas que reúnem 96 fotos, realizadas desde os primeiros carnavais olindenses, em 1997, até um material exclusivo feito na Chapada Diamantina, em 2015, especialmente para o projeto. Petrolina, Recife, Olinda, Ipojuca, Ceridó, Triunfo são algumas das localidades pelas quais a fotógrafa passou. Há apenas uma imagem dos Alpes franceses que aparece ali um pouco para pontuar as origens da autora, mas sem deixar de dialogar com o restante do material.

Apesar do título, a artista explica que o sentido da palavra “paisagem” não é literal, não estão ali imagens clássicas de paisagens, mas uma provocação, um convite a interpretações. “O sentido é abstrato. A paisagem é aquilo que cada um vê nessas imagens que têm dimensões variadas, grandes ou minúsculas”, explica Dominique. O registro de um corte de cabelo aparece em diálogo com uma imagem de uma plantação de cana-de-açúcar; detalhes e texturas da pele saltam aos olhos, enquanto a composição de pedras remete a um beijo… Nesse processo, a artista pretende desconstruir o ideal de beleza, provocando o expectador.

Enquanto no livro Abecedário Nordestino – Caminho das águas (lançado em 2014) a artista se apropriou do poema O Cão Sem Plumas, de João Cabral de Melo Neto, para norteá-la, agora ela convidou Maria Alice Amorim para escrever um poema especialmente para a obra. Inclusive, a poeta chegou a acompanha-la na realização de algumas das imagens mais recentes. O poema Pays Sage recorta toda obra, tecendo um fio condutor para aquelas fotografias. A grafia utilizada na reprodução desse texto é da própria fotógrafa, como se ela estivesse num processo artesanal, preparando seu livro de artista. “Abro o livro em uma página ao acaso e uma imagem qualquer me vem à mente e aos olhos. Livro-Labirinto. Concebido para o prazer errático da perda, através do apelo à imaginação, tanto nas palavras como nas imagens. Cartografias inventadas. Algaravias, como nos lembra com felicidade a poesia Pays Sage, de Maria Alice Amorim”, escreveu Maria do Carmo Nino no texto crítico da publicação.

Paisagem é irmão gêmeo do Abecedário Nordestino, caminho das águas (pelo espírito, tamanho e formato), caminhando dessa vez entre os traços desenhados nas plantações de cana-de-açúcar, na natureza e detalhes específicos de carnavais olindenses, de natureza humana, enriquecidos pelo diálogo da poética visual das fotografias de Dominique com o poema de Maria Alice Amorim. Segundo a artista, esse seria o segundo livro de uma trilogia. O último que ela está se preparando para começar se chamará Liberdade e trará imagens realizadas num engenho homônimo, na Zona da Mata pernambucana.

Em julho, o público recifense poderá ter contato com as imagens do livro num outro formato, já que está agendada a exposição de uma seleção no Museu da Cidade do Recife, fechando o projeto. “Com a mostra, que acontece entre 14 de julho e 28 de agosto, o público poderá ter contato com as imagens em outra dimensão, o que os levará a novas possibilidades de areciação”, diz a artista.

Dominique Berthé

Dominique Berthé

Lançamento acontece às 16h do sábado, 5/3, no Museu da Cidade do Recife

A ARTISTA

Dominique Berthé (Brest, França, 1962) é uma das mais destacadas artistas visuais francesas radicadas em Pernambuco e em atividade, realizando trabalho escultórico, fotográfico e instalações que se caracterizam pela singular articulação entre, de um lado, o uso de materiais diferenciados (ferro, água, plástico, vidro, entre outros) e soluções construtivas (cortes, encaixes, dobras, nós) típicos de uma artesania construtiva, e, de outro, o emprego de uma linguagem plástica referenciada na história da arte contemporânea.

 

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