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Funcultura visita Associação Pernambucana de Cegos para diálogo sobre acessibilidade

A organização irá participar do edital Funcultura Independente neste ano.

Costa Neto / Secult-PE

Costa Neto / Secult-PE

Superintedente do Funcultura, Gustavo Araújo, dialoga com diretores da Apec.

A acessibilidade é um dos temas presentes nos debates sobre o aperfeiçoamento das políticas públicas de cultura. Neste contexto, a Secretaria de Cultura de Pernambuco e a Fundarpe vem buscando o diálogo para garantir a promoção do direito à cultura para todos, incluindo as pessoas com deficiência. Na tarde de quinta-feira (19/03), o superintendente de Gestão do Funcultura, Gustavo Araújo, visitou a sede da Associação Pernambucana de Cegos (Apec), instalada no Cordeiro, no Recife. Na ocasião, o gestor foi recebido pelo presidente da entidade, José Diniz Júnior; pelo tesoureiro, Roberto José; e pelo associado José Muniz, este mais conhecido como Muniz do Arrasta-pé pelo seu trabalho como compositor e sanfoneiro.

O superintendente do Funcultura Gustavo Araújo ressaltou que o objetivo da visita foi estreitar os laços com a entidade e registrar a importância do edital do Funcultura, lançado em versão em Braille. “Estamos procurando o aperfeiçoamento do Funcultura, olhando também para as pessoas com deficiência, precisamos difundir que elas também podem ter acesso aos recursos do Funcultura e queremos contar com a colaboração da Apec“, destacou.

O presidente da Apec José Diniz contou que este ano a associação elaborou três projetos com o objetivo da gravação de um CD com composições de um associado já falecido (Júlio do Carmo), da confecção de estandarte e da restauração do boneco do Bloco me segura se não eu caio, agremiação que existe há 10 anos. O tesoureiro Roberto José explicou que “a entidade visa fortalecer a autoestima das pessoas com deficiência para que elas estejam mobilizadas politicamente e possam ocupar as vagas de emprego, estar nas ruas, no cinema e no teatro”.

Costa Neto/ Secult-PE

Apec conta com biblioteca, laboratório de informática, sala para cursos, editoração em Braille.

Durante a visita, o superintendente Gustavo Araújo pode conhecer as instalações da Apec, que tem salas para cursos, laboratório de informática, sala de editoração e impressão em Braille, biblioteca, copa e loja de produtos e brinquedos educativos especializados para pessoas cegas e com baixa visão. “Esse trabalho pela coletividade que vocês realizam é muito importante. Fizemos o edital em Braille e queremos aumentar a participação de vocês no Funcultura. Ficamos felizes em saber que a associação sentiu-se estimulada a inscrever projetos no edital deste ano”, afirmou Gustavo.

O compositor, cantor e sanfoneiro José Muniz, mais conhecido como Muniz do Arrasta-pé, é um belo exemplo de pessoa cega dedicada à produção cultural. Presente na visita, Muniz falou sobre a acessibilidade no seu projeto de circulação de shows aprovado no edital do Funcultura ano passado. Em breve, Muniz irá percorrerá cidades do interior do estado com apresentações de forró e contação de causos com humor. Em cada apresentação haverá intérprete de Libras, audiodescrição e rampa no palco. “No show conto histórias de auto-estima, pois somos pessoas que temos a capacidade de mostrar nosso trabalho, mesmo com nossas limitações”, afirma Muniz, que perdeu a visão ainda na infância.

Costa Neto / Secult-PE

Presidente da Apec, Fernando Diniz, ao lado do sanfoneiro Muniz do Arrasta-pé.

O presidente da Apec José Diniz aproveitou o momento para parabenizar a Secult-PE e a Fundarpe pelo incentivo aos mecanismos de acessibilidade nos projetos culturais, já que o edital Funcultura Independente prevê uma nota neste aspecto desde o ano passado. “É de extrema importância essa conscientização do Funcultura sobre a acessibilidade, seja através da colocação de rampas nos shows, intérprete de Libras, audiodescrição ou Braille nos projetos culturais. Isso é importante não só para gente que tem deficiência, mas para a sociedade como um todo, pois existem os idosos que devido à idade também mudam a forma de andar e enxergar. Segundo a última pesquisa do IBGE 27% da população brasileira é de pessoas com deficiência, somando os idosos esse número cresce a quase 50%”, explicou. De acordo com Diniz, a entidade recebeu várias solicitações de orçamento para impressão em Braille de produtores culturais este ano. A Apec também está disponível para prestar consultoria para produtores culturais que buscam tornar suas atividades e produtos acessíveis.

Costa Neto / Secult_PE

Costa Neto / Secult_PE

Presidente da Apec, José Diniz, mostra máquina de impressão em Braille para o superintendente Gustavo Araújo.

Atualmente, a Apec oferece cursos de massoterapia, de tiflologia com formação de professores braillistas, e de audiodescrição (narrativa em áudio feita por pessoas com visão de atividades em geral, incluindo espetáculos e filmes, direcionada para pessoas cegas ou com baixa visão). Com exceção do curso de audiodescrição, este restrito a pessoas com visão, as outras atividades são abertas a pessoas com ou sem deficiência.

A entidade, fundada em 1983, conta com 1.260 associados em todo estado e trabalha com formação profissionalizante para a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, realiza treinamento para competições esportivas e ensino de escrita cursiva e sistema Braille. “A Apec pode colaborar no processo do aperfeiçoamento do Funcultura, inclusive mobilizando pessoas nas regiões do estado durante os períodos de capacitação para o edital de 2016, que deverão ocorrer no início do próximo ano”, afirmou Gustavo.

INCENTIVO – O edital Funcultura Independente 2014/2015 irá disponibilizar R$ 22 milhões para projetos nas áreas de Artesanato, Artes visuais e gráficas, Dança, Design e Moda, Circo, Cultura Popular e Tradicional, Fotografia, Gastronomia, Literatura, Música, Ópera, Patrimônio e Teatro. O edital foi lançado no dia 23 de dezembro de 2014, as inscrições de projetos foram iniciadas no dia 19 de fevereiro e encerram no dia 31 de março. Contando com a parceria da Biblioteca Pública do Estado, o edital Funcultura Independente 2014/2015 e ganhou edições em Braille, que foram disponibilizadas nas oficinas de elaboração de projetos. Um exemplo foi a oficina realizada em São Bento do Una, que contou com a participação de pessoas cegas e de cadeirante integrantes da Associação de Deficientes de São Bento do Una.

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