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História das artes gráficas pernambucanas é revisitada em publicação

Obra conta com incentivo do Funcultura

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Publicação mostra a evolução das artes gráficas em Pernambuco

Foi em meio ao vasto acervo de livros e catálogos da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (BPE), no Recife, que os designers e pesquisadores pernambucanos Sebba Cavalcante e Sílvio Barreto Campello encontraram a matéria-prima da publicação Ilustração e artes gráficas – periódicos da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (1875 – 1939), que lançam quinta-feira (25), às 19h, no Orbe Coworking.

A ideia do livro, segundo Sebba, surgiu durante as pesquisas para o seu mestrado em Design pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Durante a pós-graduação, realizei uma série de pesquisas em vários acervos da capital pernambucana, como Biblioteca Blanche Knopf (Fundaj), Arquivo Público Estadual e a própria BPE. Nesses espaços, me deparei com uma quantidade/diversidade incrível da produção de artes gráficas em muitas revistas. Para o mestrado, optei por focar no conjunto da obra do artista gráfico Manoel Bandeira (1900-1964). Depois da defesa, vimos [eu e Sílvio Barreto, que foi meu orientador] que havia, nesse material inédito, a oportunidade de mostrar ao grande público a produção intensa de design em Pernambuco, antes mesmo da virada do século 20″, revelou.

Com incentivo do Funcultura e selo da Editora Blucher, a publicação revela, ao longo de 120 páginas, parte da memória gráfica pernambucana, compreendida em um período de 64 anos. “A história das artes gráficas do Estado não poderia ser resumida em pouco mais de 100 páginas. O nosso recorte foi baseado no uso das tecnologias de impressão de imagens e, por se tratar da virada do século 19 para o 20, esse momento é bastante emblemático pelas transformações de comportamento social e também pelos caminhos que os movimentos artísticos seguiram. Muitas dessas mudanças foram motivadas pela revolução tecnológica que arrebatou a comunicação, e transformou consideravelmente nossa lógica sócio-cultural”, disse Sebba.

Além de mostrar que Pernambuco tem um rico legado em torno das artes gráficas, possuindo relação direta com outros universos como do design, das artes plásticas, da economia e da publicidade, o livro revela algumas curiosidades da BPE. “Logo na introdução, tecemos alguns comentários sobre sua história, como o fato da instituição já ter passado pelo mesmo terreno onde, hoje, está localizado o Edifício Pernambuco - espaço que, coincidentemente, escolhemos para lançar a publicação”, contou Cavalcante. Ainda de acordo com ele, a Biblioteca, localizada no bairro de Santo Amaro, possui um papel fundamental para a identidade e memória do País. “O acervo da BPE é absurdamente extenso e diverso. Resguarda documentos e publicações fundamentais para o povo brasileiro e pernambucano.”, disse. Atualmente, a instituição possui um acervo estimado em 270 mil livros e 370 mil volumes periódicos, entre eles, jornais do início da imprensa local e obras do período colonial. Para o livro, foram digitalizadas imagens de 43 revistas com periodicidade mensal, quinzenal e semanal.

Sílvio Barreto Campello e Sebba Cavalcante, os autores do livro

Sílvio Barreto Campello e Sebba Cavalcante, os autores do livro

Um pouco de história…
Apesar de chegar tardiamente em Pernambuco, por volta de 1815, a prática gráfica se desenvolveu de forma relativamente rápida (um adendo: no Brasil, o primeiro livro impresso, Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, foi publicado em 1808). Há registros de que no Estado, entre os anos de 1821 e 1830, foram lançadas 27 publicações periódicas, com um aumento crescente nas décadas seguintes. ”No livro, identificamos que o primeiro impresso produzido em terras pernambucanas data de 1817. Trata-se do folhetim de cunho revolucionário chamado de O Preciso. Este foi o estopim para um crescimento da produção gráfica por aqui”, afirmou Sebba. É neste cenário que novas profissões – ligadas à indústria gráfica – surgiram com força: tipógrafos, impressores, ilustradores, caricaturistas, coloristas, gravadores, capistas e clicheristas. Os artistas gráficos, como eram chamados à época, já desenvolviam uma prática muito semelhante à atribuída atualmente aos profissionais de design gráfico.

Estrutura
Ao longo dos seis capítulos, são pincelados diversos assuntos em torno das imagens selecionadas, como nomes de alguns dos artistas gráficos, tendências artísticas e sociais de cada época e tecnologias gráficas vigentes. Imagens de revistas dos finais do século XIX, cuja litografia se notabiliza como a tecnologia gráfica capaz de produzir imagens de grande qualidade; composições com imagem fotográfica, onde se vê como o advento da tecnologia do clichê trouxe a fotografia para dentro das páginas impressas desde a primeira década do século XX; além de uma exploração da criatividade e técnica dos profissionais de então, mostrando a diversidade de soluções entre os processos do meio gráfico são alguns conteúdos da publicação. “Em cada capítulo há um texto que se aprofunda nas questões que envolvem este grupo de imagens, e cada grupo de imagens é acompanhado por legendas que apontam as suas origens (de que revista foi extraído e o ano em que foi produzida). No mais, consideramos que as imagens falam por si, entre os grupos que se encontram”, destacou Sebba.

Para compor os títulos da publicação, foi produzida uma fonte exclusiva. A letra, intitulada Mauricéia e projetada pelo designer cearense Matheus Barbosa, é inspirada em tipos presentes em algumas das revistas pesquisadas e pode ser conferida nos títulos e capitulares da publicação. O nome da fonte, inclusive, surgiu a partir de um desses periódicos antigos no qual o estilo tipográfico foi encontrado.

Segundo os designers, o livro não tem intenção de ser um olhar definitivo, por isso, as imagens são apresentadas com breves comentários sobre sua importância, contexto, origem, ano de produção e, eventualmente, autoria. “Fizemos um recorte sobre um acervo específico (BPE). E também um olhar específico, em que a busca por resultados gráficos relacionados ao ofício do design deram o norte. Portanto, estamos longe de ter algo com o caráter definitivo”, finalizou Cavalcante.

Serviço
Lançamento do livro Ilustração e artes gráficas – periódicos da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (1875 – 1939)
Quando: 25/9 (quinta-feira)
Onde: Orbe Coworking (Av. Dantas Barreto, 324, 8ª andar do Edf. Pernambuco – Recife)
Horário: 19h
Preço do livro: R$ 34,00

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