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Juliana Notari revela seu “Desterro” no Museu da Cidade do Recife

Mostra que contou com incentivo do Funcultura é resultado de um intenso processo de reflexão sobre o corpo, os pelos e atuais padrões de beleza feminina

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Dentre as peças integrantes está a Muda 1, réplica da cabeça da artista feita com cera e pelos de depilação

Após um período de dois anos mergulhada em um processo de investigação do seu corpo, de descontrução de clichês atribuídos à beleza feminina, além da estética e da simbologia em torno dos pelos, a artista plástica pernambucana Juliana Notari abre no Recife a sua nova exposição individual sob o título Destero: enquanto eles cresciam. À mostra, estarão fotografias, desenhos, esculturas e vídeos performances realizados pela artista como forma de registrar esse período.

O projeto contou com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura, apoio do Museu da Cidade do Recife e poderá ser conhecido gratuitamente a partir do sábado (17) e até o o próximo dia 17 de janeiro. A exposição teve curadoria de Clarissa Diniz, do Museu de Arte do Rio, e possui recursos de audiodescrição, possibilitando o acessso de pessoas com deficiência.

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Exposição retrata os dois anos em que a artista ficou sem se depilar, assim como a depilação que concluiu a o processo

O processo teve início em 2014, quando a artista foi para o Rio de Janeiro estudar um mestrado que duraria dois anos. “A ideia dessa exposição surgiu como proposta para ocupar esse tempo e realizar algo que mexesse com meu corpo. Eu diria que a questão da morte e da sexualidade é o que fecha todo o conceito das peças. Essas duas forças são duas coisas bem fortes na humanidade. A consciência da morte e o sexo sem ser para reprodução são algumas das características que nos separam dos outros animais”, comenta Juliana Notari.

Para ela, a questão do pelo também é repleta de significações. “O cabelo só é vivo na raiz. Ele persiste e tem pulsão e instinto, é algo que você não tem controle sobre. Em nenhum momento a exposição teve uma questão diretamente voltada ao feminismo. Começou tendo muito mais relação com a experiência de perceber o corpo, porém isso reverbera nessa questão, porque os pelos são uma parte do corpo das mulheres que é muito soterrada e reprimida”.

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A escultura é acompanhada da também inédita Muda 2, um vídeo que registrou todo processo da depilação da artista em detalhes

Pela primeira vez, Juliana Notari exibirá alguns resultados dessa experiência, como a realização da obra Muda 1, uma escultura da sua cabeça composta pelo resíduo da sua depilação com cera. “A depilação foi feita em Belém do Pará, onde passei um tempo fazendo intercâmbio dentro do mestrado. A ideia era fazer o molde no Rio de Janeiro, mas acabei trazendo para Pernambuco as duas caixas de cera com meus pelos. Foi feito então um molde com a minha cabeça, com silicone, e depois preencheram com a cera. Esta peça tem uma relação muito forte com a morte e com a sexualidade, lembra até uma múmia”, explica.

A escultura é acompanhada da também inédita Muda 2, um vídeo que registrou todo processo da depilação da artista em detalhes e aproximações que expressam a violência e a plasticidade da ação. “Estes registros fazem parte do fechamento da exposição, quando eu já estava com os pelos grandes, e decidi filmar a depilação. Tirei todos os pelos do corpo, da cabeça pra baixo, foram quatro horas de depilação, saiu muito sangue. Tudo muito intenso e doloroso”.

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A mostra traz ainda fotografias da série Sorterro e as vídeos performances Mimoso e Soledad, realizadas também ao longo dos dois anos. “Depois que decidi passar os dois anos sem me depilar, comecei a fotografar o processo e fiz séries de desenhos e imagens sobre o assunto. Inclusive tem uma parte desse registro que faz parte da exposição. Estou também finalizando três desenhos inéditos e neles eu uso a estética da histeria, muito debatida por psicanalistas como Freud”, revela a artista sobre a série Ar-Dor. Durante a abertura da exposição, às 18h, Juliana Notari participará de um bate papo com o público sobre os trabalhos em exibição e seu processo de criação.

Juliana Notari é doutoranda em Artes Visuais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Já realizou várias exposições individuais, participou de diversas mostras e recebeu prêmios onde se destacam os Prêmio do Salão Arte Pará 2014; Prêmio Funarte – Mulheres nas Artes Visuais 2013; Prêmio Bolsa de pesquisa no Salão de Arte Contemporânea de Pernambuco, 2004. Em colaboração com a crítica e curadora de arte Clarissa Diniz, Lançou o livro Dez Dedos, em 2011, o qual reúne fotos de trabalhos da sua primeira década de carreira com textos críticos de diversos, curadores e críticos de arte.

Serviço
Exposição Desterro: enquanto eles cresciam, de Juliana Notari
Sábado (17) | 17h
Visitação de 17 de dezembro de 2016 a 17 de janeiro de 2017
Terça a domingo, das 9h às 7h
Museu da Cidade do Recife (Praça das Cinco Pontas, s/n – São José, Recife)
Gratuito | 18 anos

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