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Livro guarda a história da dança no Recife

“Acordes e traçados historiográficos: A dança no Recife” contou com incentivo do Funcultura e será lançado neste sábado (20)

Marcos Araújo

Marcos Araújo

O Balé Popular do Recife na década de 1980.

Diversos olhares sobre a história da dança no Recife foram reunidos pelas pesquisadoras e artistas Valéria Vicente e Roberta Ramos no livro Acordes e traçados historiográficos: A dança no Recife. A publicação, que contou com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura, será lançado neste sábado, 20 de agosto, às 19h, no Coletivo Lugar Comum. Durante o evento, quatro apresentações ou “experimentos historiográficos” vão convidar o público a refletir e vivenciar a expressão artística.

Sob o selo do Acervo RecorDança / Associação Reviva, a obra articula relações entre escrita e história, dança e memória, leitura histórica e produção de conhecimento sobre memória da dança a partir dos seguintes eixos temáticos: práticas de criação em dança, a construção dramatúrgica de videodanças, processos de transformação das organizações de grupos e coletivos, o papel pedagógico e formador dos grupos de dança, as relações entre criação e ensino, história da dança e dimensões de gênero.

“Esta publicação nasce do desejo de congregar leitores ativos, que transformem nossos rastros em novos traçados e que possam integrar nossas ideias a seus próprios acordes”, afirmam as organizadoras, que evocam o acorde (formado por notas musicais) como metáfora musical forjada pelo historiador José D’Assunção Barros, ao se referir à complexidade e possíveis plurivocalidades, consonâncias e dissonâncias de cada historiador com os paradigmas teóricos no campo da História.

Claudia Rangel

Claudia Rangel

Grupo Totem, Espetáculo Ita (1996).

Com uma diversificada rede de questões e olhares, afinados por acordes historiográficos, Acordes e traçados historiográficos: A dança no Recife reúne artigos de integrantes do RecorDança, do Acervo Mariposa e do projeto Temas de Dança, além de publicizar pesquisas desenvolvidas em trabalhos de conclusão do Curso de Dança da Universidade Federal de Pernambuco que tiveram a história da dança do Recife como tema e que se valeram de informações organizadas pelo Acervo. Traz também uma discussão sobre a construção de exposições, programas de áudio e a importância da fotografia como diferentes possibilidades de escrita historiográfica, dando materialidade à discussão sobre as escolhas implicadas no fazer história da dança no Brasil.

O livro é uma coedição entre a Associação Reviva e a Editora da UFPE e foi viabilizado com incentivo do Governo de Pernabuco, por meio do Funcultura. Por isso, será comercializado por apenas R$20,00 e 100 exemplares serão distribuídos para escolas e entidades. Grupos que tenham interesse em receber podem entrar em contato através do e-mail recordanca@associacaoreviva.org.br. O projeto gráfico e diagramação do designer Moacyr Campelo buscou dar movimento não só às imagens, mas ao próprio texto. Moacyr já havia trabalhado para a Editora Associação Reviva no livro Constante Movimento, do coreógrafo tcheco Zdenek Hampl.

Serviço
Lançamento do livro “Acordes e traçados historiográficos: A dança no Recife”
Quando: sábado, 20 de agosto, às 19h
Onde: Coletivo Lugar Comum (Rua Capitão Lima, 210 – Santo Amaro)
Entrada franca – preço do livro: R$ 20

Divulgação

Divulgação

Capa de ‘Acordes e traçados historiográficos: A dança no Recife’

Performances – A noite de lançamento será marcada por apresentações artísticas que de diferentes formas atualizam informações históricas. Valéria Vicente apresenta seu recente trabalho, ainda inédito em Recife, Reflexão, e Roberta Ramos atualiza Brasilogia, apresentada em julho na UFPE. Brasilogia integra um conjunto de experimentos historiográficos produzidos por alunos e ex-alunos da Licenciatura em Dança da UFPE.

O termo “experimento historiográfico” é usado pela pesquisadora e artista Roberta Ramos, em sua prática pedagógica de história da dança, para os exercícios de construção de uma história da dança a partir da experiência corporal, como uma forma de história afetiva, através da experiência sensitiva do passado. O termo foi tomado de empréstimo da pesquisadora Érika Kelmer Mathias (2010), para referir-se ao escrito historiográfico de Hans Ulrich Gumbrecht, Em 1926: Vivendo no Limite do Tempo, escrito através da experiência do autor de passar todo o ano de 1996 vivendo como se vivesse em 1926, lendo, todos os dias, o jornal correspondente a cada dia de 1926.

Para a construção dos experimentos historiográficos em Dança e Performance, Roberta tem tomado como referência as variadas formas de abordar memória da dança na própria dança (re-enactments), que têm sido encampadas por vários artistas, a exemplo das performances (auto)biográficas, reperformances, palestras performances, ou ainda, documentários poéticos. São eles:

Brasilogia
Performer e criadora: Roberta Ramos
Pintura: Renata Wilner e Vitor Ramos
Consultoria artística: Bárbara Collier
Brasilogia reperforma Shirtologie (Jérome Bel) e Le Sacre du Printemps (Xavier le Roy), articulando alteridades e fricções com o Brasil, a partir do presente e da crise, olhando para si, para suas imensas contradições, violências disfarçadas de cordialidade, mas também (why not?) sua capacidade de afetar. Duração: 10 min.

Re-flexão
Artista-criadora: Valéria Vicente
Re-flexão reúne, através de improvisação estruturada, procedimentos e questões desenvolvidos ao longo da trajetória criativa da passista, coreógrafa e pesquisadora Valéria Vicente. Desenvolve-se a partir de uma abordagem pessoal do procedimento Falar-Fazer, proposto pela artista Tatiana da Rosa e aborda elementos dos processos de criação dos espetáculos Fervo, Pequena Subversão e Frevo de Casa.
Sua construção integra a metodologia da pesquisa de doutorado Errância Passista – Construção Coreográfica com Frevo, em desenvolvimento no Programa de pós-graduação em Artes Cênicas da UFBA. Duração: 20 min

“Espalhando Brasas”
Dançarino: Jefferson Figueirêdo
Orientação Roberta Ramos
“Espalhando Brasas” surgiu como criação artística da pesquisa “A Reconstrução do Frevo pela dança documental: uma proposta teórico-prática para o fazer e o ensino de história da dança”, apresentada como trabalho de conclusão de curso, na UFPE, em 2013. Nessa experimentação buscamos explorar, questionar e ressignificar formas de pensar e fazer a dança frevo. Quebrando padrões e formas fixadas de construir essa dança, nos propomos a partir da nossa memória, história e relação com a mesma trazer para o corpo algumas questões e discussões teóricas, que aqui tentamos corporificar e dar movimento, fazendo do nosso corpo o lugar de questionamentos, reflexões e fala. Duração: 10min.

(RE)SET TRISHA BROWN
Concepção: Bruno Amorim
Performers criadores: Aldeline da Silva, Amanda Jacó, Bruno Amorim, Cleiton Mariano, Maria Gorete, Nayanne Lira Ramalho, Taciana Gomes e Thomaz de Aquino Lopes.
Sinopse: é um ensaio sobre deslocamento e rastro. A partir de sucessivas fricções históricas, políticas e artísticas entre diferentes contextos (Nova York, década de 1970 / Recife, década de 1940), procura-se evidenciar as relações que ganham contorno nos diálogos entre artista e espaço cênico, além de ressaltar quais questões se atualizam oportunamente como resultado dessas fricções. Organizada em 3 fases — obstrução, respiro e “Reset” Trisha Brown — a palestra/(re)performance se sustenta na pesquisa sobre histórias de ocupação dos espaços públicos, tanto em processos de urbanização quanto em procedimentos compositivos da dança pós-moderna. Duração média: 20 min

Histórico – O Acervo RecorDança tem se constituído, até o momento, como uma das ações continuadas da Associação Reviva, organização sem fins lucrativos, que atua para promoção e difusão de conhecimentos, saberes e fazeres da cultura. Dessa forma, a Reviva tem entendido o conjunto de atividades e pensamentos do RecorDança como um de seus eixos relevantes. Comprometido com processos de produção, difusão e articulação da história, o Acervo RecorDança existe desde 2003, é sediado em Recife (PE) e reúne uma equipe de doutores, mestres e especialistas na área de dança, muitos dos quais atuam também como artistas. A partir de 2016, este acervo e projeto permanente de pesquisa opta por organizar-se como um coletivo, por entender que o funcionamento horizontal desse tipo de agrupamento converge com os traços de autonomia e plurivocalidade, que têm, gradativamente, sido definidores das ações de pesquisa e difusão do RecorDança. Parte do material pesquisado, organizado e elaborado pela equipe do acervo pode ser acessado através do site 

Sobre os autores
Alice Moreira de Melo
Pesquisadora, amante e praticante da Dança. Mestre em Artes Visuais pelas Universidades Federais de Pernambuco e da Paraíba (UFPE/UFPB), com pesquisa sobre a dramaturgia em videodanças. Também discente da Licenciatura em Dança (UFPE), bacharel em Comunicação Social – Jornalismo e pesquisadora do Acervo RecorDança, além de revisora de texto. Integra o Luzes Grupo de Dança.

Ana Valéria Ramos Vicente
Professora da Licenciatura em Dança da UFPB e uma das pesquisadoras do Acervo RecorDança (PE). Publicou o DVD Trançados Musculares: saúde corporal e ensino do frevo (2011) e os livros Frevo pra Aprender e Ensinar (2015); Entre a Ponta do pé e o Calcanhar: Reflexões sobre como o frevo encena o povo, a nação e a dança no Recife (2009); Brincando Maracatu (2008) e Maracatu Rural: O espetáculo como Espaço Social (2005). Na prática de dança, suas pesquisas resultaram nos espetáculos: Frevo de Casa (2014), Pequena Subversão (2007) e Fervo (2006).

Liana Gesteira Costa
Mestranda em Dança pela Universidade Federal da Bahia, especialista em Dança pela Faculdade Angel Vianna/ Compassos (2011) e bacharel em Comunicação Social pela Universidade Católica de Pernambuco (2003). É artista integrante do Coletivo Lugar Comum e pesquisadora do Acervo RecorDança. Atua como coordenadora pedagógica da Mostra Brasileira de Dança e coordenadora do Contato Coletivo – Encontro de Contato Improvisação de Pernambuco. Em 2014 atuou na produção artístico pedagógica do Articulações – Fórum de Artes Performativas.

Daniela Santos da Silva
Daniela Santos é profissional das Artes do Corpo, com formação profissional em teatro pela UniverCidade (RJ), 1996, licenciatura em Dança pela
Faculdade Angel Vianna (RJ), 2004. Especialista em Estudos Contemporâneos em Dança pela FAV, Pós Graduada em Dança como Prática Terapêutica FAV/Compassos (2013). Coordena a especialização em Dança Educacional e Artes Cênicas, da CENSUPEG em Recife (início em março de 2013). Coordenadora do Projeto de Iniciação em Dança: Sensibilização em movimento, contemplado pelo Funcultura, 2013. Coordenadora de Dança do Paço do Frevo.

Djalma Rabêlo do Amaral Filho
Djalma Rabêlo, artista recifense, licenciado em dança (UFPE) e estudante de design de moda (FBV). Brincante popular, intérprete criador e figurinista. Artista pesquisador, que em suas vivências se interessa por interagir com estudos e trabalhos artísticos que se relacionam com questões ligadas à indumentária cênica e à dança.

Elis Regina dos Santos Costa
Elis Costa é licenciada em História (UPE), em Educação Artística/Artes Cênicas (UFPE), especialista em Dança (FAV) e mestranda em Direitos Humanos (PPGDH/UFPE), onde pesquisa contribuições da Dança na promoção da dignidade humana. Foi estudante de mobilidade no curso de Estudos Artísticos/Teatro da Universidade de Coimbra (PT). É pesquisadora do Acervo RecorDança e integrante da Cia. Etc desde 2012. Mas, sobretudo, Elis é uma artista que aposta na função social da Arte como caminho estético, portanto ético, de transformação do mundo. E é com essa fé que ela segue dançando.

Flavia Pinheiro Meirelles
Artista e mestre em Artes Visuais pela EBA/UFRJ. Coordena o grupo de pesquisa Temas de Dança (www.temasdedanca.com.br). Leciona na Faculdade e Escola Angel Vianna desde 2005 e no Departamento de Arte Corporal da UFRJ desde 2015. Oficineira do projeto Dramaturgia em Dança (2015) pelo SESC DN com oficinas em mais de 10 capitais no Brasil. Assina a coreografia do longa metragem PENDULAR (2015), de Julia Murat. Cria seus próprios trabalhos: Ocupa Árvore (2014); Trabalho para Comer (2012) – FADA 2012; Sem nome, todos os usos (2010) – Prêmio Klauss Vianna 2008. Colaborou artisticamente com Paulo Caldas, João Saldanha, Marcela Levi, Gustavo Ciríaco e Micheline Torres. Esteve como artista-residente no Centre International des Récollets (Paris, 2010). Produziu os eventos “Uma noite com Yvonne Rainer e amigos” (2009), ABI PENSA A DANÇA (2011), Práticas do comum (2011) e Ciclo de Encontros: a Dança Carioca no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro (2012).

Jefferson Elias de Figueirêdo
Bailarino, instrutor de Pilates, graduado em Licenciatura em Dança pela Universidade Federal de Pernambuco e pós graduando em Dança Educacional e Inclusão. Iniciou seus estudos em dança através da dança popular, mais especificamente o frevo, se interessando posteriormente pelo balé clássico e pela dança contemporânea. Ex-bailarino da Escola de Frevo do Recife, atualmente integra o elenco da Cia. de Dança Artefolia e de Cláudio Lacerda / Dança Amorfa, além de realizar diversos trabalhos como bailarino independente e produtor cultural.

Juliana Brainer Barroso Neves
Formada em História com mestrado em comunicação e educação audiovisual. Atualmente vem se especializando na área de fotografia para dança em Recife, buscando estabelecer uma relação entre a imagem e o movimento.

Nirvana Neves Gotteberg
Artista da dança. Gestora Cultural. Graduada em 1999 pela UNICAMP, no curso de Dança (bacharelado e licenciatura). Doutora em Comunicação e Semiótica (2006, PUC-SP). Desde 2000, atua em pesquisa, gestão e curadoria. Dedica-se à gestão do Acervo Mariposa, programa cultural de gestão do acervo de vídeos de dança, desde 2006. Em 2012, realiza o Trepadeira, modos de criação compartilhado, ação de programação da Sala Crisantempo com artistas de SP e do Brasil. Em 2014, atuou na Curadoria de Dança do Centro Cultural São Paulo. Em 2016, empreende projetos de curadoria em dança, história e acervo.

Roberta Ramos Marques
Professora Doutora do Curso de Licenciatura em Dança da UFPE e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais. Pesquisadora do Acervo RecorDança, desde 2003. Autora do livro Deslocamentos Armoriais, resultante de sua pesquisa de doutorado. Dramaturgista e performer no trabalho Motim, estreado em 2015, junto ao Coletivo Lugar Comum, do qual é membro desde 2011. Coordena o núcleo Recife do Projeto MAPEAMENTO DA DANÇA NAS CAPITAIS BRASILEIRAS E NO DISTRITO FEDERAL – 1ª etapa: mapeamento de oito capitais, em 4 regiões do Brasil, com recursos obtidos via Termo de Cooperação Técnica FUNARTE/MINC e UFBA.

Taína Veríssimo do Nascimento
Formada em Educação Artística/Artes Cênicas pela UFPE. É performer e membro do grupo Totem desde 2004. Integra a equipe de pesquisadoras do Acervo RecorDança desde 2009. Atua como produtora cotidianamente e como educadora ocasionalmente.

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