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Funcultura

Livro promove intercâmbio cultural entre duas comunidades rurais de Pernambuco

Com incentivo do Funcultura, a publicação de Mateus Sá e Guga Soares mapeia o dia o dia das comunidades Kapinawá e do Maracatu de Baque Solto Leão Africano

Obra reúne fotografias das comunidades

Obra reúne fotografias do povo indígena Kapinawá e do Maracatu de Baque Solto Leão Africano (Fotos: Guga Soares e Mateus Sá/Divulgação)

Registrar similitudes e divergências. Esse foi o desafio dos fotógrafos Mateus Sá e Guga Soares ao captar o cotidiano de duas comunidades rurais distintas de Pernambuco, o povo indígena Kapinawá, da cidade de Buíque, e o Maracatu de Baque Solto Leão Africano, do município de Nazaré da Mata, para o livro fotográfico Índios e Caboclos: Reencontros, que conta com o incentivo do Funcultura.

Num intercâmbio que aconteceu em dois encontros, durante o mês de julho de 2013 (o primeiro, em Buíque, quando os Kapinawá receberam em sua terra sagrada os brincantes do Maracatu Leão Africano. O segundo, em Nazaré da Mata, quando os brincantes do Maracatu receberam em seu terreiro o povo Kapinawá), o projeto promoveu o (re)conhecimento mútuo entre os membros dessas comunidades e ajudou a fortalecer seus laços culturais e o legado das tradições afro-indígenas brasileiras. ”O intuito da publicação é possibilitar que essas entre duas culturas troquem figurinhas entre si e, mais do que isso, que se (re)conheçam e se fortaleçam em alguns pontos, inclusive, nas questões sociais, políticas e econômicas”, disse Mateus Sá.

Segundo Sá, além desses fatos, houve também uma curiosidade bastante interessante a respeito do Caboclo Arreia-Mar ou Caboclo de Pena, do Maracatu Rural. “Um olhar mais detalhado sobre o Cabloco revelou que a entidade apresenta características indígenas bem acentuadas, como uma indumentária de grande beleza e imponência, coroada com um penacho de proporções colossais para uma cabeça humana. Ou seja, um personagem do Maracatu Rural traz em suas raízes a figura indígena”, disse o fotógrafo.

Ao longo das páginas da publicação, é possível encontrar o resultado das trocas de experiências e de saberes entre irmandades geográfica e historicamente afastadas, mas intimamente conectadas por laços de ancestralidade indígena. “O processo de produção do livro, que levou quase um ano para ser concluído, selou uma abertura, um elo entre duas comunidades que se (re)descobriram, se entenderam e se tornaram amigas. E é possível ver isso no livro, que tem duas capas, ou seja, dois inícios, e, no meio, o reencontro. A obra não está estruturada em capítulos, uma vez que a introdução está baseada nas viagens de ônibus que cada comunidade fez para chegar na outra. Depois, são as fotos do dia que eles interagiram nessas idas e vindas”, afirmou Mateus.

A iniciativa foi concebida, coordenada e produzida pela O Norte – Oficina de Criação, com projeto gráfico de Cintia Viana, e textos de Bruno Lima, Chico Rocha, Lula Marcondes e Caroline Leal, que também foi a responsável pela consultoria em antropologia. Embora ainda não tenha uma data confirmada, haverá dois eventos de lançamentos tanto na comunidade Kapinawá, como na do Maracatu de Baque Solto Leão Africano. “Serão nesses dois momentos que poderemos vivenciar a reação dos moradores que foram retratados nos livros. Inclusive, essa é a fase mais importante da publicação para mim. Nada substitui o encanto da sensação olho no olho”, contou Mateus Sá, que já prevê a possibilidade de realizar um lançamento da obra na capital pernambucana.

O livro está disponível para compras na Livraria da Jaqueira (rua Antenor Navarro, 138) e na Estação 4 Cantos, no Sítio Histórico de Olinda.

Serviço
Livro Fotográfico “Índios e Caboclos: Reencontros”
Pontos de venda: Livraria da Jaqueira – Rua Antenor Navarro, 138
Estação 4 Cantos – Rua Prudente de Moraes, 440
R$ 50

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