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Magiluth estreia “O ano em que sonhamos perigosamente”

Grupo utiliza o “fazer teatral” para questionar o momento político atual.

Renata Pires

O grupo Magiluth estreia o seu novo trabalho, a peça “O ano em que sonhamos perigosamente” no Recife. De acordo com o grupo, a montagem ”é uma obra aberta a múltiplas interpretações, um ensaio de resistência ético-estético-político, são linhas, não formas pré-estabelecidas”. “O ano em que sonhamos perigosamente” utiliza o próprio “fazer teatral” para questionar o momento político atual. A peça estreia nesta quinta-feira (11/06), no Teatro Apolo, onde fica em temporada até 26 de junho, com apresentações nas quintas e sextas-feiras, sempre às 20h.

A montagem tem direção de Pedro Wagner, que assina a dramaturgia junto com Giordano Castro. O ano em que sonhamos perigosamente” é fruto do projeto “Jogo Magiluth: Manuntenção de Pesquisa”, que teve incentivo do Funcultura / Governo de Pernambuco. Para a montagem, o grupo contou com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014 e teve apoio do edital do Centro de Formação e Pesquisa Apolo-Hermilo.

“O ano em que sonhamos perigosamente” foi criada a partir de uma influência inicial da obra cinematográfica do grego Yorgos Lanthimos e dos pensamentos de dois filósofos – o esloveno Slavoj Zizek, conhecido como um ‘rock star intelectual’ e o francês Gilles Deleuze (1925-1995). Vale lembrar que Zizek veio ao Recife em 2013 para uma palestra onde falou sobre a crise do capitalismo, a ideologia e desenvolvimento social. Mas o Magiluth tinha matéria prima na própria realidade local. Assim, o grupo destaca a nova montagem como “uma soma dos onze anos de trajetória do grupo com o momento atual em que vivemos (política, movimentos, ocupações e a natureza das coisas)”.

Renata Pires

O movimento Ocupe Estelita provocando a reflexão sobre o desenvolvimento urbano do Recife é uma das inspirações para a peça, assim como outros movimentos que desabrocharam mundialmente, a exemplo do Occupy Wall Street, a Primavera Árabe, e a Revolução Laranja na Ucrânia, que ainda que distintos em suas expressões e questionamentos, de alguma maneira reverberaram no Brasil. Assim, a crise política é o tema da vez, que pode ser abordado a partir das discursões sobre o poder nos Estados ou na família.

Para transformar reflexões em cena, o elenco é formado por Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Mário Sergio Cabral, Pedro Wagner e Thiago Liberdade, este último volta à cena depois de um tempo afastado dos palcos, apesar de ser um dos fundadores do grupo. A encenação promete inovações, já que os atores contaram com a preparação corporal da performer Flávia Pinheiro, que também assumiu a responsabilidade da direção de arte. O desenho de som foi desenvolvido por Leandro Oliván, e a iluminação ficou a cargo de Pedro Vilela.

Trajetória – O Grupo Magiluth, surgido em 2004 no curso de Licenciatura em Artes Cênicas da UFPE, trilha um trabalho de pesquisa e experimentação constante na cena teatral recifense, sendo apontado como um dos principais grupos de Pernambuco e circulando por importantes festivais do país. Nos últimos anos, o Magiluth se destacou pela montagem da peça de Nelson Rodrigues “Viúva, porém Honesta” (2012) e pela montagem de teatro de rua “Luiz Lua Gonzaga” (2012), em homenagem ao músico Luiz Gonzaga, além de ter voltado a apresentar os primeiros trabalhos do grupo, como por exemplo, no projeto Pague Quanto Puder (com incentivo do Funcultura), no qual o público decidia quanto pagaria pelo bilhete de ingresso. O Magiluth também tem realizado diversos intercâmbios com grupos de teatro de outros estados e promovido o TREMA! Festival de Teatro de Grupo do Recife.

Sinopse “O ano em que sonhamos perigosamente”: “Essa coisa que eu fiz, dizem que vem dos gregos. É tipo… uma coisa. Tem beleza. É uma coisa que uma pessoa, ou um grupo de pessoas, fazem para outra pessoa, ou para outro grupo de pessoas. Pode ser algo planejado, ou algo inventado na hora. Essa coisa que você faz para o outro, tem que ser algo com o objetivo de apresentar uma situação e despertar sentimentos e reflexões. Dizem que vem dos gregos. Ah, essa coisa também pode ser o lugar onde se desenvolve isso. Esse tipo de coisa com beleza.”

SERVIÇO
“O ano em que sonhamos perigosamente”, do Grupo Magiluth

Dias 11, 12, 18, 19, 25 e 26 de junho, às 20h.
Teatro Apolo – Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Informações: (81) 3355-3320

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