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Magiluth vai transformar o bairro de São José em espetáculo

A ação do grupo teatral, que conta com incentivo do Funcultura, promove vídeo-performance, oficina e debates abertos ao público

Pedro Escobar/Divulgação

Pedro Escobar/Divulgação

Magiluth comemora seus 15 anos com a montagem de um novo espetáculo sobre o bairro de São José

Em meio às celebrações dos 15 anos de existência e pelas indicações aos três principais prêmios cênicos do país com o espetáculo “Apenas o Fim do Mundo”, o grupo pernambucano Magiluth convida o público para acompanhar o processo de pesquisa e concepção do próximo espetáculo, inspirado pela identidade e pelas mudanças do histórico Bairro de São José.

Entre os dias 25 de agosto e 1º de setembro, a companhia formada por Giordano Castro, Mário Sérgio Cabral, Pedro Wagner, Lucas Torres, Erivaldo Oliveira e Bruno Parmera registrará duas vídeo-performances e promoverá rodas de conversas e uma oficina como encerramento da etapa de pesquisa sobre a região. A matéria-prima para a dramaturgia, que deve tomar forma em conjunto com parceiros do teatro, dança, música e representantes do carnaval, envolve aspectos sociais, geográficos e políticos do bairro.

“Quando a gente começou a pesquisar, começou a ver que era um processo que passava por muitos lugares. Tem sido importante encontrar as pessoas, muitas pessoas, e ouvir atentamente o que elas têm a nos dizer. Pessoas que moravam, moram, passam por ali, pesquisadores”, explica Giordano Castro sobre o processo de pesquisa, sensível às interações e mesmo aos palpites dos transeuntes.

As ações da próxima semana têm apoio do Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, e finalizam o ciclo de diálogos para coleta de matéria-prima, prioritariamente voltado à formação história do bairro e às pessoas. “A gente quer mostrar que elas fazem cultura, fazem o bairro e a cidade acontecerem. A gente quer revelar o Recife para o recifense”, pontua. As duas vídeo-performances serão gravadas ao longo da semana e divulgadas na internet junto com outros materiais do projeto, para que o público possa imergir na evolução criativa.

A primeira, idealizada por Mário, tem como inspiração a linguagem popular e os levantamentos feitos pelo saudoso escritor e pesquisador Liêdo Maranhão. Seguirá até o Forte das Cinco Pontas. A segunda, pensada por Lucas, começa no Pátio de São Pedro e vai até a Basílica da Penha, é influenciada pelo intenso comércio promovido por chineses e descendentes do país asiático.

Nas próximas segunda, quarta e sexta-feira pela manhã, os alunos da Escola Estadual Joaquim Nabuco recebem os integrantes da companhia para uma oficina, ou, como eles dizem, “quase uma troca”, na qual serão absorvidas impressões dos estudantes sobre o local. Na quinta e sexta-feira, a partir das 14h, no auditório do Museu da Cidade do Recife, o Magiluth recebe pesquisadores para debater, respectivamente, Carnaval e Religiosidade e Comércio, Urbanidade e Patrimônio, temas intrinsecamente ligados ao desenvolvimento do local. Os encontros são gratuitos e abertos ao público.

“São José é um dos bairros de mais movimento do centro do Recife. Atualmente, é conhecido principalmente pela parte de comércio, mas acaba recebendo muitas trocas, culturas. É um bairro que ainda consegue dialogar com o passado e o presente e isso tem marcas muito fortes na questão arquitetônica: ainda encontramos as basílicas, mas tem a marca da Avenida Dantas Barreto, que modificou o local de forma muito brusca, e, mais recentemente, a questão do Estelita”, analisa Giordano.

Com o novo espetáculo, o grupo se impõe a missão de tecer uma dramaturgia não só do Magiluth, mas que seja um trabalho da cidade, que entre para o calendário teatral recifense e consiga reviver o que esse bairro, um dos mais antigos do Recife, já foi desde a fundação. Longe do tom ufanista, os seis atores vão se debruçar sobre o que foi, é e, quiçá, pode vir a ser o bairro de São José.

Aniversário
Em 2019, o Magiluth comemora 15 anos de trajetória, nos quais montou dez espetáculos, percorreu mais de 100 cidades e acumulou elogios da crítica especializada e formou um público fiel. Em setembro, eles fazem uma segunda temporada no Recife da peça “Apenas o Fim do Mundo” no Museu de Arte Moderno Aloísio Magalhães (Mamam). Em seguida, entre setembro e outro, realizam uma mostra de repertório, com “Aquilo Que Meu Olhar Guardou Para Você”, “Dinamarca”, “Canto de Gregório”, “Um Torto e Apenas O Fim do Mundo”, no Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro.

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