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Funcultura

Marginais Heróis mistura alta e baixa tecnologias para discutir o cartaz

Exposição fica em cartaz até março na Galeria Amparo 60.

Raul Kawamura / Marginais Heróis

A peça gráfica cartaz é o foco da exposição “Marginais Heróis”, na Galeria Amparo 60, em Boa Viagem, Recife. Com curadoria do designer Rico Lins, a mostra reúne diversos cartazes inspirados no lema “Seja marginal, seja herói”, do artista carioca Hélio Oiticica (1937 – 1980). Além dos cartazes criados pelo próprio Rico Lins, a exposição traz matrizes em madeira de xilogravuras assinadas pelo mestre J. Borges e aplicativo para smartphone, criado pelo designer HD Mabuse, para a criação de imagens pelo público seguindo a estética da mostra. A mostra foi aberta ao público na noite de quinta-feira (05). Durante o evento, os artistas falaram para os presentes sobre o trabalho desenvolvido. O projeto tem incentivo do Funcultura, Governo de Pernambuco, produção executiva de Ticiano Arraes e coordenação de produção de Renata Gamelo.

O Superintendente de Gestão do Funcultura, Gustavo Araújo, esteve presente na abertura da exposição e acompanhou o debate realizado entre os artistas. “Achei muito interessante o contraste da produção, resgatando um ofício rústico sobrepondo a uma técnica digital com alta tecnologia, o que nos remete a significados principalmente se considerarmos as imagens e iconografias utilizadas”, afirmou.

Na mostra, cartazes trazem imagens de Carmen Miranda, Chico Science, Raul Seixas, Chapolin, Che Guevara, Zé Bonitinho, Zé do Caixão, Maria Bonita, Tim Maia, São Sebastião, entre outros que podem ser considerados “marginais”, “heróis” ou paradoxalmente os dois papéis ao mesmo tempo. Nas matrizes de xilogravuras, o tema “Marginais Herois”, também foi explorado por Borges, que criou as gravuras “Santo Expedito”, “O encontro de Lampião com Padre Cícero”, e “Brasil – USA”, esta última com uma passista de frevo diante da estátua da liberdade.

Ivaldo Bezerra / Galeria Amparo 60 Divulgação

Ivaldo Bezerra / Galeria Amparo 60 Divulgação

Gustavo Araújo, Rico Lins, HD Mabuse e Márcio Almeida.

DIÁLOGO SOBRE ARTE – No debate com o público, o curador Rico Lins abriu a conversa falando sobre a idéia de “misturar dois extremos, a impressão digital, de alta tecnologia, e a xilogravura, de baixíssima tecnologia, onde tem que se fazer as gravuras madeira”. Lins destacou as mudanças na criação de cartazes e o impacto da Lei da Cidade Limpa em São Paulo, que fez que diversas gráficas antigas fechassem. Falou sobre a sua parceria com a gráfica Fidalga, que ainda resiste na tipografia, e sobre outras exposições que realizou com foco no cartaz em Londres e Buenos Aires.

Mabuse destacou o caráter contemporâneo da exposição: “O que fez mais sentido é que nós três temos um trabalho em comum: a construção de imagens, usando dispositivos. O aplicativo dá a oportunidade das pessoas fazerem arte com a gente. E o que a gente está questionando com isso tudo é a noção de progresso. Todos os trabalhos são muito contemporâneos, tanto as matrizes das xilogravuras quanto os cartazes”.

Com bom humor, Borges falou sobre sua trajetória na arte popular como autodidata, a inovação fazendo gravuras com cores e contou histórias sobre aulas e palestras que realizou pelo Brasil e pelo mundo. “Trabalhei muitos anos fazendo gravura em preto e branco. Comecei a fazer gravura para ilustrar um cordel meu. Depois que uma pessoa me disse que meu trabalho era lindo e que ficaria mais bonito colorido, eu desbravei para fazer as gravuras com cores. Hoje meu trabalho é 90% colorido”, contou.

Com a proposta de provocar um diálogo fluente entre linguagens, técnicas e tecnologias aplicadas à criação do cartaz, o projeto promoveu dois workshops, um no Memorial J. Borges, em Bezerros; e outro no Espaço Fonte e Editora Gráfica Aplicação, no Recife. Na última sexta-feira (06), ainda foi realizado um bate-papo com Rico Lins e H.D. Mabuse com tema “Passado, Presente e Futuro do Cartaz”, no auditório do C.E.S.A.R - Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife.

SERVIÇO
Marginais Heróis
Visitação: até 7 de março de 2015. Segunda a sexta, das 9 às 13h e das 14h às 19h. Sábados, das 10 às 14h (com agendamento prévio)
Local: Galeria Amparo 60 – Av. Domingos Ferreira, 92 A, Boa Viagem, Recife.
Telefone: (81) 3033-6060
Mais informações: facebook.com/MarginaisHerois

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