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Funcultura

Mercado Eufrásio inaugura duas exposição nesta quinta-feira (7)

Na próxima quinta-feira (7 de abril), às 19h30, acontecerá no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, a abertura das exposições “Para si: um processo de ser” da artista Laís Domingues e “Ensaio para um poema sem palavras”, da artista Clara Moreira. As exposições ficam abertas à visitação de terça a domingo, das 9h às 17h, nas galerias do espaço como resultados de edital público da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco – Adepe, do Governo de Pernambuco. Com objetivo de estímulo a manutenção das manifestações artísticas em Olinda e em todo o Estado, os selecionados receberão, durante a abertura da exposição, a premiação de R$8.000 para a ocupação da galeria 01 e R$6.000 na ocupação da galeria 02.

Para si: um processo de ser - Ocupando a galeria 1 do Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, a exposição é fruto de uma residência artística vivenciada pela artista visual pernambucana Laís Domingues e pela estilista paulista Thanina Godinho, na Associação das Mulheres Artesãs de Passira (AMAP). A mostra, que contou com incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, é uma das ações de culminância do projeto “Bordando o Feminino” que, ao longo de cinco meses, em 2018, construiu um diálogo entre os fazeres manuais da fotografia, do bordado.

Ao longo de cinco meses, Laís e Thanina mudaram-se para o município de Passira, no Agreste de Pernambuco e, enquanto Laís aprendia bordado com a facilitadora Luzinete Maria da Silva, Thanina ensinava sobre tingimento natural e modelagem para as mulheres da AMAP. A exposição que iniciou sua itinerância em 2019 já passou pelo Sesc Casa Amarela e Sesc Triunfo e mostra uma construção coletiva de saberes e afetos.

“As obras remontam à ancestralidade do bordado e a aspiração de liberdade contida em cada ponto feito. Pássaros locais, franjas destramadas que lembram longas raízes, fios que unem figuras e elementos, uma tentativa de mostrar, através de imagens reais, sentimentos abstratos”, comenta Laís, idealizadora do projeto Bordando o Feminino que agora desencadeia esta mostra.

Em exposição, cerca de 17 obras e 3 instalações, sendo uma delas interativa que permitirá aos visitantes aprenderem um dos pontos básicos do bordado, com a finalidade de co-criar uma obra coletiva junto ao público visitante. Um detalhe técnico da exposição é a impressão artesanal das fotografias.

Ensaio para um poema sem palavras - A nova exposição da artista pernambucana Clara Moreira, aprofunda a sua pesquisa sobre a poética dos desenhos. A exposição é composta por uma misteriosa série de trinta desenhos abstratos realizados com a minuciosa e delicada técnica de desenho em lápis de cor da artista. Clara explica que cada desenho representa uma sensação, como em um diário de imagens: “No ano passado, durante um mês, eu fiz um desenho por dia, observando o que eu estava sentindo a cada dia, e aquele foi um período muito intenso, os sentimentos variando e misturando entre paixões, medos, saudades, cansaços, desejos e fúrias, e eu não poderia descrevê-los de outra forma, se não através do desenho de uma imagem própria que surge nesta aparência abstrata, mas é carregada de mecanismos e sentidos”, explica a artista.

Foi exatamente durante a segunda onda da pandemia do Coronavírus em 2021 que Clara desenvolveu esta série de desenhos, no âmbito de uma pesquisa sobre poesia visual que Clara desenvolveu com orientação da pesquisadora e curadora Ariana Nuala, que também assina o texto crítico da exposição. Clara explica: “De um modo geral, os sentimentos e as sensações ainda não possuem nomes, nunca virão a possuir, e de fato, seria mais fácil desenhá-los ou dançá-los, ouvir seus ruídos e até mesmo tocá-los, do que colocá-los dentro de nomes, a não ser que seja reinventando a linguagem, e por isso existe a poesia escrita. Somos capazes de nos expressar e nos entender de diversas formas, mas estamos sempre esperando por uma explicação razoável, vimos deixando de lado nossa capacidade de entendimento profundo, generoso, de sensibilidades diversas, sensibilidades ativas, atentas, poéticas. O aspecto curioso na montagem da exposição é que cada desenho é emoldurado juntamente com a sua “explicação” em palavras, mas essa “legenda“, escrita num papel dobrado, não pode ser lida, pois não é possível abrir a moldura e desdobrar o bilhete. O público tem que se confrontar com a imagem sem explicações, e a partir daí é levado a elaborar suas próprias suposições, “este é o meu convite, a relação de entendimento se dará mesmo na observação da imagem”. Cada uma dessas legendas é um poema escrito pela artista.

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