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Museu da Abolição expõe acervo digital de peças de terreiros pernambucanos

Através do projeto Rapatriação Digital, que tem incentivo do Funcultura, o espaço apresenta cerca de 400 peças do Acervo Afro Pernambucano, parte do acervo Mário Andrade, atualmente guardado no Centro Cultural São Paulo.

 

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Exposição conta com a catalogação digital de cerca de 400 peças confiscadas dos terreiros pernambucanos

Para aproximar os pernambucanos ainda mais da sua própria história, o Museu da Abolição aproveita a Semana dos Museus para abrir a exposição “Repatriação Digital do Acervo Confiscado nos Terreiros”, que tem apoio do Governo do Estado, através do Funcultura, e ficará em cartaz no espaço até o dia 30 de junho. A mostra traz a catalogação digital de mais de 400 peças pertencentes a terreiros do Estado que foram invadidos na década de 1930. A iniciativa é do projeto Repatriação Digital do acervo Afro Pernambucano, que compõe o Acervo Mário de Andrade, guardado pelo Centro Cultural São Paulo (CSSP) e tem a proposta de resgatar as referências religiosas ancestrais da população negra.

Acusadas de estarem associadas a práticas de curandeirismo, charlatanismo e possessão como doença mental, as religiões de matriz africana foram duramente perseguidas durante o Estado Novo, que implementou ações para reprimir essas expressões e, muitas vezes, seus praticantes. Em Pernambuco, vários terreiros foram atingidos pelas ordens oficiais e tiveram vários de seus objetos retirados de seus locais sagrados, sendo quebrados, amontoados e queimados em praça pública. Apenas uma pequena parte deles foi encaminhada às delegacias e à Secretaria de Segurança Pública. Grande parte desse material remanescente foi cedido à Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade, quando o escritor e pesquisador esteve no Recife em 1938.

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As peças podem ser vistas em 360 graus

O conjunto de objetos levados para São Paulo é composto por peças de diversos suportes: cerâmicas, tecido, metal e madeira, ferro e papel. Entre eles estão instrumentos musicais, imagens de santos católicos, resplendores, espadas, abebés, pilões, setas, facões, imagens de santos católicos, bancos de pegí, cifres de madeira e cerâmica, documentos e roupas dos filhos-de-terreiro. Após serem identificados e catalogados por alguns babalorixás entrevistados pela equipe da Missão, os objetos foram enviados para Mário de Andrade, em São Paulo, onde permanece até hoje, sob a tutela do CSSP. Agora, em parceria com o Museu Afrodigital, do Museu da Abolição, o projeto Repatriação Digital encurta a distância entre as peças e seu local de origem.

O trabalho digitalizou os objetos dos terreiros do Recife e os disponibiliza em visão 360 graus. O conjunto de cerca de 400 fotografias, produzidas durante a pesquisa no CCSP, passou a compor do acervo digital do MAB e o inventário do Museu Afrodigital, ficando a disposição do público e de pesquisadores na internet, juntamente com novas fichas catalográficas com descrição de cada uma das peças. “Observando a documentação museológica, identificamos cinco ´seitas´ das quais faziam parte aqueles objetos: Xangô, Xambá, Nagô, Gêge e Mirê. Entre os orixás, aos quais são atribuídos os objetos, ou nos quais têm inscrições, estão: Yemanjá, Xangô, Xangô Bacele, Oxum, Oxum Timi, Oxum Pandá, Oxum Fá Miló, Oxossi, Aloiá, Ogum, Exu, Oxalá, Odê Bombôchê, Odê, Omulu e Oiá”, descreve Charles Martins, antropólogo e coordenador do projeto.

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Equipe durante a pesquisa no Centro Cultural São Paulo

Durante a semana dos museus, nos dias 15, 16 e 17, a equipe de produção do projeto fará visitas a alguns dos terreiros descendentes daqueles existentes na década de 1930 (Nação Xambá, Pai Edson e Sitio de Pai Adão) para levar essa documentação digital, possibilitando que eles possam voltar a se apropriar do passado. “É importante que eles possam se reaproximar dos objetos dos seus antepassados. Essas referências são fundamentais para que se possa registrar a história desses terreiros”, pontua a curadora da pesquisa e diretora do Museu da Abolicao, Elisabete Assis.

Segundo Charles Martins, além de permitir ao público pernambucano o acesso ao acervo que se encontra distante, em São Paulo, dá a possibilidade de resgatar memórias sociais em torno das perseguições das expressões religiosas de matriz africana, ocorrida nos anos de 1930 no Recife. “Ao resgatar essa memória, denunciamos a violência do Estado ao povo de terreiro. Esta, talvez, a maior contribuição: possibilitar o conhecimento sobre episódios do passado, que não devem ser esquecidos, para que evitemos que ele se repita no presente e no futuro”, pontua.

SERVIÇO
Repatriação Digital do Acervo Confiscado nos Terreiros – Exposição Digital
Quando: de 14 de maio a 30 de junho (segunda a sexta, das 9h às 17/ sábado, das 13h às 17h)
Onde: Museu da Abolição (Rua Benfica, 1150 – Madalena/ Recife)
Disponível em: http://www.museuafrodigital.com.br/repatriacaodigital/
Entrada Gratuita

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