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O Sertão cotidiano de Lídio Parente

Com incentivo do Funcultura, fotógrafo lança primeiro livro autoral com imagens que revelam a multiplicidade do seu olhar.

Por: Flora Noberto

Lídio Parente

Lídio Parente

Fazenda Patos, Ouricuri, 1983.

O fotógrafo Lídio Parente disponibiliza a multiplicidade do seu olhar sobre o cotidiano sertanejo no livro “Ser Tão”, seu primeiro trabalho autoral, apesar da grande experiência como fotógrafo em projetos institucionais. A publicação reúne 180 fotografias, que mostram o Sertão pernambucano a partir de paisagens naturais, cenas do dia-a-dia de trabalho e brincadeira, festas, feiras e retratos de sertanejos. A maioria das fotos foi produzida entre 2010 e 2013, mas também há registros preciosos da década de 80, quando Lídio começou a fotografar.

Lançado pela editora Binóculo, do Rio de Janeiro, o livro foi produzido com incentivo do Funcultura, do Governo de Pernambuco. A publicação tem prefácio bilíngue, em português e inglês, assinado pelo poeta e escritor Pedro Américo de Farias. O lançamento ocorre em três cidades, no Recife nesta sexta-feira (15), em Ouricuri no dia 23 de agosto e em Petrolina no dia 28. Nos lançamentos, os livros serão vendidos por R$ 50. Haverá ainda distribuição de exemplares para universidades, escolas, bibliotecas, centros culturais e organizações não-governamentais.

Lídio Parente

Barragem de Itaparica, Petrolândia, 2013.

Lídio é sertanejo, natural de Ouricuri, atualmente mora em Parnamirim, mas estudou fotografia, morou e trabalhou por 30 anos no Rio de Janeiro, onde foi funcionário da Embratur fotografando várias regiões do Brasil, com foco no turismo. O momento atual da publicação do seu primeiro livro é simbólico, pois começa a se materializar após a sua volta ao Sertão, em 2010. “Quando eu comecei a fotografar, eu redescobri o Sertão. A minha volta aquece o pensamento e cresce a vontade de fazer o projeto, com as possibilidades reais do edital”, conta o fotógrafo, que teve seu filho Çarungaua como produtor e parceiro na edição das imagens.

Lídio Parente

Lídio Parente

Fazenda Teiu, 1989, Ouricuri.

O olhar que Lídio exibe através das fotografias se preocupa em não reforçar o Sertão como lugar de terra rachada, gado morto de fome e sede e panela vazia no fogão, cenas que se tornaram comuns na literatura, na televisão e no cinema. “Eu queria mostrar algo mais leve. O ato fotográfico é parcial e queria colocar um pouco de leveza, a imagem pela imagem, o cotidiano e a simplicidade”, explica Parente.

No entanto, o fotógrafo sertanejo não nega a importância da água e do impacto de sua escassez neste cotidiano. Lídio mostra que esta é uma parte importante da história, mas que o Sertão é muito mais. O livro começa com imagens mostrando a abundância e a escassez da água. A capa traz uma das poucas fotografias da vegetação seca, mas as flores amarelas estão lá como se dissessem “aqui tem vida, apesar da secura”.

Lídio Parente

Lídio Parente

Flor de xique-xique

No decorrer do livro, as paisagens verdes, a beleza dos cactos e das flores encantam. Tem a flor de xique-xique, de mandacaru, de quipá, do umbuzeiro, do cipó da seca, de maracujá do mato, entre outras. Lídio explica: “As flores dos cactos ficam abertas a noite, no máximo no início da manhã quando não está muito quente. Por isso é tão difícil de ver, poucas pessoas conhecem”.

No olhar cotidiano de Lídio Parente, encontramos crianças empurrando outras para subirem num cavalo. Outra bela cena capturada pelo olhar generoso do fotógrafo mostra três crianças brincando com vassouras e uma mulher brincando com uma bola. Ainda tem vaqueiro, fé, festa, panela no fogão a lenha, pelada de futebol, carro de boi, tecelagem artesanal, casa de farinha.

Lídio Parente é sertanejo, natural de Ouricuri.

Pergunto a Lídio se diante de tantas imagens, ele consegue dizer quais são suas preferências. Com a sua fala tranquila, ela não demora na resposta e diz que gosta das fotos da barragem de Itaparica, do carcará num textura em movimento. Destaca ainda imagens das mulheres trabalhando na construção da barragem nas fazendas Patos e Teiu, em Ouricuri, estas fotos de 1983, das mais antigas do livro. Outras imagens que o autor tem um carinho especial são as que mostram a chuva e o vento levantando a terra.

“Ser Tão” também exibe as festas sertanejas, as profanas e religiosas, as católicas, as indígenas. Apesar de mostrar principalmente as festas tradicionais com xaxado, pífanos, coco e reisado, há duas fotos que indicam um pouco das transformações culturais da região. “Todo tipo de festa é assim agora, com teclado e microfone. Eu não gosto dessa música, mas é assim. É sempre com muito volume e pouca qualidade”, diz Lídio.

“Ser Tão” reúne imagens de Ouricuri, Afogados da Ingazeira, Araripina, Parnamirim, São José do Belmonte, Santa Maria da Boa Vista, São José do Egito, Bodocó, Tacaratu, Floresta, Santa Filomena, Ipubi, Floresta do Navio, Santa Cruz, Orocó, Serrita, Exu, Cedro, Salgueiro, Petrolândia e Petrolina.

SERVIÇO

Lançamento do livro “Ser Tão”, de Lídio Parente
180 páginas, Editora Binóculo
Preço: R$ 50,00

RECIFE
Data: 15/08
Horário:19h
Local: Restaurante Docas152 – Rua do Apolo, Recife Antigo.

OURICURI
Data:23/08
Horário:19h
Local: Boteco – Praça Frei Damão.

PETROLINA
Data: 28/08
Horário:18h
Local: SBS Livraria – Av. da integração, 1214.

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