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Orquestra Nordestina leva a cultura e a música pernambucana para escolas da Alemanha

Além de apresentações no ambiente escolar, o projeto 'For All: Itinerância Internacional da Música Nordestina' contou com apresentações em festivais, abrigos para refugiados, praças e ruas

Reprodução/Internet

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Idealizado pela produtora e professora Milca de Paula, o projeto levou para a Europa a Orquestra Nordestina, que tem como base o mosaico musical de Pernambuco através de ritmos como o xaxado, coco, maracatu, caboclinhos, baião, frevo, ciranda e xote

Por Marcus Iglesias

Durante todo o último mês de setembro, um projeto incentivado pelo Funcultura rodou várias regiões da Alemanha para apresentar elementos da cultura nordestina. O For All: Itinerância Internacional da Música Nordestina, idealizado pela produtora e professora Milca de Paula, levou para a Europa a Orquestra Nordestina, que tem como base o mosaico musical de Pernambuco através de ritmos como o xaxado, coco, maracatu, caboclinhos, baião, frevo, ciranda e xote. Ao todo, foram 32 apresentações realizadas, em festivais, escolas, abrigos para refugiados, praças e ruas.

O objeto era realizar uma itinerância internacional da música nordestina, com  repertório autoral e cultural apresentando os vários ritmos tradicionais citados anteriormente.

Segundo Milca de Paula, o convite pra fazer essa turnê na Alemanha surgiu a partir de um desdobramento do Congresso da Sociedade Mundial de Educação Musical (ISME). Em 2016 a professora foi convidada para apresentar uma tese de mestrado, intitulada A política e a gestão do ensino da música na escola pública em Pernambuco: Uma análise na construção de um sujeito estético, que chegou a receber uma premiação durante o congresso internacional. O estudo dialogava diretamente com outro produto, o livro Orquestra Nordestina – Uma abordagem histórica e sonora dos instrumentos e ritmos da região (lançado em 2015 e também incentivado pelo Funcultura).

“Quando participei da ISME 2016, conheci vários profissionais da área da educação, como o Andreas Pascher e a Gudrun Henninger, que dois meses após o congresso fizeram o convite para que apresentássemos a ideia do livro em algumas escolas da Alemanha. Eram, a princípio, 12 apresentações, em escolas e abrigos. O Funcultura exigia ao menos seis, mas no final fizemos 32 porque uma escola foi entrando em contato com a outra. Ao chegarmos lá, a agenda estava bem maior, com a inclusão de dois festivais que nos convidaram cinco meses antes de viajarmos”, explica Milca de Paula.

Além disso, o projeto contemplou ainda concertos beneficentes em igrejas para apoiar a ONG LEVANTE – que funciona no Brasil ajudando crianças em situação de vulnerabilidade social. “Também antes da viagem realizamos uma apresentação na APEC (Associação Pernambucana de cegos), dentro da lei da acessibilidade, e foi um momento muito especial pra gente”, lembra a professora.

Na Alemanha, a Milca faria questão de convidar o público, “com muito jeito, para conhecer e aprender um passo de forró, a ciranda. Os alemães são bem sérios, e fiquei até preocupada como seria aceitação, mas foi uma surpresa maravilhosa. A maioria preferia que se falasse em português, e traduzissem para o alemão. Até o folder a gente pensou nisso. Perguntei antes de produzi-los se eles queriam na língua deles ou em inglês. E eles pediram que fosse feito na sua língua-mãe”. Durante as apresentações, os tradutores foram o Andreas Pascher e a Gudrun Henninger, e quando foi necessária, a tradução inglês/português foi feita pela Loíde Domingues.

Em relação à montagem da equipe, Milca de Paula conta que esperou o projeto ser aprovado para começar a costura. A banda é formada por alunos e professores de música vinculados a instituições de ensino musical como Conservatório Pernambucano de Música, Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Criatividade Musical do Recife e o Centro de Educação Musical de Olinda.

“Eu já tinha meu time de músicos, envolvidos principalmente com a UFPE. Mas quando o projeto foi aprovado, algumas pessoas estavam com problemas pessoais, e eu tive que chamar outros integrantes. Pedi indicações ao Centro de Educação Musical de Olinda (CEMO), mas tive cuidado de levar gente que estivesse estudando música para mostrar nosso trabalho e ter uma experiência cultural”, pontua a produtora.

Reprodução/Internet

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A Orquestra Nordestina é formada por alunos e professores de música vinculados a instituições de ensino musical como Conservatório Pernambucano de Música, Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Criatividade Musical do Recife e o Centro de Educação Musical de Olinda

Os músicos selecionados foram: Kelsen Gomes (teclado/piano); Amanda Cabral da Cunha (violino/voz); Gilson Livramento dos Santos (sax); Newton Messias (violão); Henrique (contrabaixo e sanfona); Wendel Bento (flauta transversal); Marcos Acyoli (pífano e sax); Samuel Bento (bateria e percussão); e Marcos Júnior (técnico de som).

Já a equipe principal do projeto foi composta por Milca de Paula (coordenação geral/compositora/vocalista); Sandra Maria da Silva (assessoria de elaboração de projeto); José Adriano Apolinário e Adriano Marcena (diretores artísticos); Nehemias Fernandes  (produtor musical); Alberto Amaral (assessor de imprensa) e Julia Azevedo (figurinista).

Reprodução/Internet

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Orquestra Nordestina em frente ao palácio de Maurício de Nassau, em Dilenburg

Milca revela que já há convites para levar a Orquestra Nordestina para o Canadá e Austrália. “Mas se tem um projeto que eu queria participar era o Outras Palavras, da Secult-PE e Fundarpe. Sou professora e a escola é um espaço que eu tenho que estar para fomentar a nossa música e nossa cultura. Quando algo assim vai para o ambiente escolar, ela ganha força porque vai se perpetuar. É lá que os jovens vão entender o que é Luiz Gonzaga, o que faz um frevo ser o que é”.

A produtora ressalta que desde que o livro Orquestra Nordestina foi publicado, sua vida mudou. “Como venho de origem humilde, hoje realmente é outra história de vida, e que estou vivendo graças às políticas públicas do estado. Sei que existem coisas a melhorar, mas essa foi a minha experiência com o incentivo do Governo do Estado, e sou muito grata”.

Algumas apresentações realizadas durante o For All: Itinerância Internacional da Música Nordestina

FESTIVAIS:
7 de setembro: “Lichtpunktfestival” em Duisburg/Rheinhausen
8 de setembro: (festival na Rua) -  Strassenfest em Hochfeld/Duisburg

ABRIGOS DE REFUGIADOS:
14 de setembro: Concerto em Eibelshausen
15 de setembro: Concerto em  Erdbach
16 de setembro: Concerto em  Bochum-Langendreer
22 de setembro: Concerto à noite  em Haiger
23 de setembro: Concerto em Solingen-Aufderhöhe

CONCERTO E AULA NAS ESCOLAS
11 de setembro: Sekundarschule Rheinhausen (Duisburg)
12 de setembro: Grundschule Simmersbach
13 de setembro: Johannes-Gutenberg-Schule Ehringshausen
14 de setembro: August-Hermann-Franke-Schule Gießen
20 de setembro: Lindenhofschule Halver
20 de setembro: Schloß-Gymnasium Benrath – Düsseldorf
21 de setembro: Wuppertal-Vohwinkel
25 de setembro: Humboldt-Gymnasium Solingen

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