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Performance de Beth da Matta destaca tradições indígenas

Com incentivo do Funcultura, "Reconciliação" destaca às tradições indígenas através da culinária e faz crítica à indústria de transgênicos

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A artista pernambucana Beth da Matta é a atual diretora do MAMAM

Com o propósito de repensar o processo de colonização brasileiro, a artista pernambucana Beth da Matta passou dois meses em Portugal buscando identificar na sua formação pessoal o que ainda havia do país europeu. O período de pesquisa a fez refletir sobre a distância que ela mesma havia assumido em relação às questões brasileiras ao longo da vida e evidenciou a urgência de se conectar à cultura brasileira de maneira mais ampla. A performance “Reconciliação”, que tem incentivo do Governo de Pernambuco, através do Funcultura, será encenada nesta terça-feira, às 17h, no espaço Garagem 94, e é o resultado desse reencontro com as origens através do consumo do milho crioulo.

A minha ideia era saber o que tinha de Portugal na minha cartografia afetiva, porque tenho familiares de lá, mas volto e me deparo como uma avó indígena e me reconheço e começo a perceber e me incomodar com a invisibilidade do índio na nosso imaginário. Nossa história precisa ser reescrita. Como artista e cozinheira, abri uma nova pesquisa que é a comida brasileira a partir dos índios, que têm muitas técnicas que foram apagadas da história. Aqui já havia a prática do pirão, bebida fermentada e o domínio da mandioca, por exemplo, antes dos europeus chegarem”, explica a artista, que é a atual diretora do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM).

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A artista apresentará dados sobre a história dos milhos crioulo e transgênico.

Para discutir os malefícios da indústria dos transgênicos e relembrar a importância da cozinha como espaço de tradição e partilha, Beth irá preparar uma panelada de angu, feito a partir do milho crioulo, com galinha guisada durante sua performance. “ O milho crioulo já é cultivado por aqui há 2 mil anos. Essa semente é um símbolo de resistência, porque ela não se mistura com o transgênico. Ela não é vendida, é doada, é uma semente que você planta e dar um milho que pode gerar outros milhos com a mesma qualidade e sabor. Ela tem um sentido bonito, porque ela dá autonomia ao produtor e quem guardou essa tradição foram os nossos indígenas. Precisamos resistir, porque nossas escolhas alimentares é o que alimenta a indústria que está adoecendo e matando as pessoas”, defende ela, que ainda irá apresentar dados técnicos e teóricos sobre a produção dos diferentes tipos de milho em Pernambuco e no Brasil.

Formada em Gastronomia desde 2011, Beth sempre entendeu a culinária como um importante meio de expressão social. “Quando comecei a trabalhar na gestão  de museu, eu senti que precisava ter mais uma atividade fora da arte. Como sempre tive uma relação de acolhimento com a comida, resolvi estudar sobre isso. Mas depois percebi que, naturalmente, estava misturando uma coisa com a outra e ter essa formação me ajuda a ter o domínio de trazer a comida para a arte”, conclui ela.

SERVIÇO
Performance “Reconciliação”
Quando: Nesta quinta-feira, às 17h
Onde: Espaço Garagem 94 (Rua do Apolo, 94 – Bairro do Recife)
Entrada Gratuita

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