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Pesquisa em acervo fotográfico revela singularidades da cultura negra

Com incentivo do Funcultura, projeto foi desenvolvido pelo professor Emiliano Dantas, que se debruçou sobre as fotografias de Katarina Real (1927-2006)

Reprodução/Katarina Real

Reprodução/Katarina Real

Katarina Real passou vários anos da sua carreira como fotógrafa registrando manifestações culturais do povo negro

Marcus Iglesias

Identificar as representações visuais do povo negro,  em suas diversidades e singularidades, para melhor entender a cultura de Pernambuco e do Brasil. Essa foi a proposta da pesquisa científica Fotografia e memória: as representações do negro na cultura Brasileira, desenvolvida pelo professor Emiliano Dantas no acervo fotográfico da Coordenação de Estudos da História Brasileira (CEHIBRA) da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ). O projeto, desenvolvido ao longo de dois anos e com a participação de estudantes de Fotografia, resultou num artigo final com detalhes sobre a pesquisa amparada nas fotografias de Katarina Real (1927-2006) e que está disponível para consulta no Portal Cultura.PE.

Com incentivo do Governo de Pernambuco, através do Funcultura, a pesquisa teve início em 2015 quando Emiliano Dantas decidiu analisar na coleção fotográfica de Katarina Real como a comunidade negra aparecia e qual seu papel nas imagens. “Pretendia assim entender a coleção a partir de uma leitura que privilegiasse os espaços de protagonismo do povo negro para além do carnaval, do folclore e de outras leituras comumente feitas. Ou seja, a intenção foi lançar um olhar que focasse outras formas de resistência, as entrelinhas”, explica o pesquisador.

Divulgação

Divulgação

Participaram do grupo de estudos estudantes dos cursos de Fotografia, Jornalismo e Rádio e TV

Professor do curso de Fotografia das Faculdades Barros Melo/AESO e antropólogo pela UFPE, Emiliano conta que desde o começo quis integrar estudantes neste processo. Para isso, foi montado o grupo de estudos em parceria com a AESO, que funcionou dentro da FUNDAJ. “Nós começamos a pesquisar a coleção em abril de 2015 e terminamos em novembro do mesmo ano. Os encontros aconteciam uma vez por semana e duravam em torno de quatro horas, com uma oscilação de oito até 10 participantes, entre estudantes dos cursos de Fotografia, Jornalismo e Rádio e TV”.

Ao longo da pesquisa, o trabalho do grupo de estudos foi focado especificamente na catalogação da coleção fotográfica de Katarina Real. “Foram catalogadas todas as fotografias que apareciam negros e negras, em um exercício que nos colocava a ver imagens, a identificar pessoas e suas atividades, e principalmente a conhecer a coleção. Acredito que conseguimos atingir um primeiro objetivo da pesquisa: incentivar a prática de observação crítica de fotografias em acervos, com imagens antigas, entre jovens estudantes, detalha Emiliano Dantas.

Reprodução/Katarina Real

Reprodução/Katarina Real

Dona Clara, D. Isabel, estandarte e calungas do Maracatu Nação Leão Coroado

O pesquisador explica ainda que a fotografia foi analisada, a partir da ideia de linguagem visual, que articula dois aspectos: a fotografia como documento que preserva a história de uma cultura e a fotografia como fonte de produção de conhecimento intelectual sobre si mesma e sobre as pessoas. Tudo de acordo com a linha do teórico Boris Kossoy, que diz que a fotografia deve ser  ‘um intrigante documento visual cujo conteúdo é a um só tempo revelador de informações e detonador de emoções’ (KOSSOY: 2009, 28).

O artigo desenvolvido ao final da pesquisa, que recebeu o título O olhar distraído de Katarina Real e a fotografia do/a negro/a em Pernambuco, contou com a orientação de Allan Monteiro, sociólogo, funcionário da FUNDAJ e pesquisador do Labdidádica. Para Emiliano Dantas, além de estudar a fotografia, o trabalho também servirá como fonte de conhecimento para educadores, pesquisadores e professores que queiram uma pesquisa em que não prevaleça os moldes tradicionais. “Ele traz a possibilidade de analisar as imagens a partir das agências de quem é fotografado, do sujeito que dá a imagem de si. Mostra as pessoas não só como supostas vítimas da exotização de pesquisadores estrangeiros, mas como protagonistas de ações que exemplificam suas resistências em meio a cenários de dificuldades cotidianas. Nesse contexto, desenvolvo uma ideia de uma fotografia como uma máscara que oculta e revela identidades, dentro de uma perspectiva politica que servia para consolidar práticas culturais”, observa.

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