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Funcultura

Programação do 9º Janela Internacional de Cinema ocupa o São Luiz

Mostras competitivas de curtas e longas-metragens, além de sessões especiais com filmes clássicos levarão um grande público à sala de exibição na Rua da Aurora

Consolidado no circuito mundial de festivais audiovisuais, a nona edição do Janela Internacional de Cinema do Recife começa na sexta-feira (28), ocupando o Cinema São Luiz e outros equipamentos culturais da capital pernambucana. O evento, que conta com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura, é realizado
pelo cineasta Kleber Mendonça Filho e a produtora Emilie Lesclaux. Pelo segundo ano consecutivo,  o jornalista e pesquisador Luís Fernando Moura coordena a programação.

Victor Jucá

Victor Jucá

Sala de cinema e patrimônio de Pernambuco, o São Luiz vai acolher o público durante dez dias de programação

A intensa maratona de curtas e longas em competição,  programa de clássicos e seleções especiais segue até o dia 6 de novembro. Serão 100 filmes de 21 países, oficinas, palestras e convidados brasileiros e estrangeiros.  Junto à grade competitiva, a programação do 9º Janela apresenta destaques como a mostra “Especial Shakespeare”, uma seleção de cinco longas e quatro curtas, em nova parceria com o prestigiado British Film Institute (BFI) por meio de apoio do British Council. Entre as sessões, uma exibição de adaptações silenciosas da obra de Shakespeare filmadas no Reino Unido do início do século 20, com trilha sonora ao vivo do coletivo pernambucano RUMOR, programada para o encerramento do festival. O público poderá acompanhar ainda a programação com curadoria do coletivo português Rabbit Hole, que traz ao Janela uma seleção de doze curtas-metragens, com apoio do Instituto Camões, além de novas parcerias com os cineclubes Toca o Terror, do Recife, e Cachaça Cinema Clube, do Rio de Janeiro. No Cinema do Museu, uma conversa especial com a diretora argentina Lucrecia Martel está programada para o dia 1º de novembro. Completam a lista sessões especiais de longas, curtas e clássicos, lançamento de livros, mostras convidadas e debates.

“É bom o ver o Janela ganhar corpo e perceber que ele dá continuidade ao propósito de ser um festival com uma programação diversa e especial. Acreditamos que ela é fruto de um olhar dedicado a descobrir e redescobrir filmes ao longo de todo o ano, sob o filtro de uma curadoria que tem sua personalidade reconhecida. Neste ano, em especial, com tantos acontecimentos políticos importantes marcando o presente do país e do mundo, é importante entender que um festival forma olhares e tem a capacidade de, por meio dos filmes, ouvir o mundo e levantar discussões. O tema Desobediência, que batiza a seleção que fizemos para a mostra de clássicos do Janela, parece de alguma forma transbordar como uma inquietação que, de formas muito diferentes, atravessa a programação como um conjunto. Talvez seja um sentimento ou uma certa marca de insurgência que se coloca de forma claramente política ou propositiva ou se revela em imagens, histórias e personagens que saem em desejo de deslocamento, em busca de algo”, comenta o coordenador da programação, Luís Fernando Moura.

Entre os longas, oito títulos de sete países formam a mostra competitiva, reunindo nomes já cativados pelo Janela e pela cinefilia a uma atenção especial a cineastas emergentes em longa-metragem: Wild (Alemanha), produção assinada por Nicolette Krebitz e aclamada no Festival de Sundance no começo deste ano; O Ornitólogo (Portugal/França/Brasil), de João Pedro Rodrigues, diretor português já tarimbado no Janela, cuja obra acaba de se sagrar no Festival de Locarno em agosto deste ano com o prêmio de melhor realização; O Auge do Humano (Argentina/Portugal/Brasil), do argentino Eduardo Williams (grande prêmio de melhor filme na mostra Cineastas do Presente, também em Locarno); Diamond Island (França/Cambodja/Alemanha), de Davy Chou (vencedor de prêmio na 55º Semana da Crítica do Festival de Cannes 2016); A Economia do Amor (Bélgica/França), de Joachim Lafosse (exibido na Quinzena dos Realizadores em Cannes este ano); Martírio (Brasil), de Vincent Carelli (prêmio especial do júri no 49º Festival de Cinema de Brasília deste ano); o mineiro A Cidade Onde Envelheço (Brasil/Portugal), de Marília Rocha (exibido no Festival de Roterdã e grande vencedor do 49º Festival de Brasília, com quatro prêmios, os de melhor filme, direção, ator coadjuvante e melhor atriz); e Muito Romântico (Brasil/Alemanha), de Melissa Dullius e Gustavo Jahn (exibido na mostra Forum Expanded do Festival de Berlim 2016).

CURTAS – Este ano 1.465 trabalhos de 22 países foram submetidos a processo seletivo, o que totaliza quase o dobro em relação à última edição, mostrando a força crescente do festival. Destes, foram selecionadas 34 obras de 13 países, sendo 17 curtas brasileiros e 17 estrangeiros. Participaram da seleção de curtas nacionais os cineastas Leonardo Lacca e Nara Normande, o realizador e pesquisador Rodrigo Almeida e o roteirista Luiz Otávio Pereira. A comissão de curtas internacionais é formada pelo ator e realizador Fábio Leal e pelo sócio da Cinemascópio Produções, Winston Araújo. A curadoria contou com a supervisão de Luís Fernando Moura, coordenador de programação do Janela.

Na mostra nacional, destaca-se uma produção expressiva de Pernambuco, Minas Gerais, Rio, São Paulo e Ceará. Com cinco títulos selecionados, a safra pernambucana é representada pelos títulos Dia de Pagamento, da diretora e jornalista Fabiana Moraes (selecionado para o último CachoeiraDOC, na Bahia), e Estás Vendo Coisas, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca (exibido na 32º Bienal de São Paulo). Um ano após participarem da sessão de abertura do 8º Janela com o curta Faz que Vai, Bárbara e Benjamin retornam ao festival, desta vez selecionados para a grade competitiva.

CLÁSSICOS DO JANELA – Sob o tema “Filmes de Desobediência”, a sétima edição do Clássicos do Janela traz uma seleção de 13 títulos em cópias novas ou restauradas, nos formatos DCP e 35 mm, obras de mestres como Francis Ford Coppola (com Apocalypse Now, épico que rendeu a segunda Palma de Ouro de Coppola em Cannes e chegou a ficar seis meses em cartaz no extinto Cine Veneza em 1980), John Carpenter (com o thriller oitentista Eles Vivem, que estreou em 1988 no extinto Art Palácio e volta à grande tela do Recife 28 anos depois), Sidney Lumet, Milos Forman, Abel Ferrara, além de títulos emblemáticos de animação, aventura e ficção científica, entre eles Pinóquio (1940), de Walt Disney, Memórias do Subdesenvolvimento (1968), de Tomás Gutierrez Alea, e RoboCop – O Policial do Futuro (1987), de Paul Verhoeven. A novidade deste ano é a inclusão de um filme-surpresa que será anunciado somente em sua projeção e cuja entrada será gratuita.

MESAS NO SÃO LUIZ – A partir do dia 2/11, um ciclo de mesas também acontece no São Luiz, com temas que atravessam a seleção de filmes do festival deste ano. Com duração de três dias, as atividades contemplam o conjunto de ações educativas, sob incentivo da Petrobras. Patrocinadora do Janela há cinco anos, a Petrobras vem ajudar a ampliar esse circuito de debates, somando sua experiência, em âmbito nacional, de oferecer patrocínios à produção de filmes e difusão, além de ações de formação na área de audiovisual, em projetos como a Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Projeto 5 Visões, cursos no Festival de Curtas de São Paulo, entre outros.

“A Petrobras abraçou a ação das mesas proposta pelo festival, com o intuito de incentivar o diálogo com os espectadores por meio de debates, conversas e encontros”, explica diretora e produtora do Janela, Emilie Lesclaux. Todas as mesas irão acontecer no primeiro andar do Cinema São Luiz, entre os dias 2 e 4 de novembro, sempre à tarde. A programação inicia, na próxima quarta-feira (2), às 16h30, com a mesa “O Que é Um Cinema Desobediente?”, composta pelos debatedores e cineastas Amaranta César, Ernesto de Carvalho e o crítico Victor Guimarães. A mediação será feita por Rodrigo Almeida, diretor e integrante da comissão de curtas do 9º Janela.

No dia seguinte (3), às 16h, refletindo a representatividade feminina na programação do festival, será a vez da mesa “Um Cinema Tomado Por Mulheres”, que será apresentada pelas realizadoras Déa Ferraz, Juliana Lima, Marília Hughes Nara Normande e a distribuidora Silvia Cruz. A condução do debate será feita pela jornalista e júri do Janela Carol Almeida.

Encerrando a sequência, no dia 4, também às 16h, a mesa “Os Poderes Extremos do Queer nas Imagens”, com os diretores Chico Lacerda e Sosha, além das curadoras Mariana Vieira e Joana de Sousa, sob mediação de André Antônio, acerca do cinema e sua abordagem atual sobre gêneros não-normativos e identidades borradas e desviantes.

Confira a programação completa e mais informações no site oficial do Janela

 

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