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Projeto leva cinema e debate de gênero à penitenciária no Recife

Ação do Cineclube Alumia, que também vai dialogar sobre o sistema carcerário brasileiro, conta com incentivo do Funcultura

Filmes nacionais, de diversos gêneros e formatos, chegam à Colônia Penal Feminina Bom Pastor, no Recife, com a programação do Cineclube Alumia – O Luzir do Cárcere. O projeto, que conta com incentivo do Governo de Pernambuco, através do Funcultura, vai promover sessões mensais de janeiro a outubro deste ano, sempre com convidados que estimularão o debate com as mulheres reeducandas.

Segundo os realizadores, a escolha do Bom Pastor está atrelada a uma perspectiva de gênero sobre as políticas públicas e a legislação penal que são construídas para os homens e mantém sua infraestrutura, além de oportunidades profissionalizantes e educacionais, desfavoráveis em relação às mulheres. “No cinema, as mulheres também vivenciam um sistema desfavorável: estão em menor quantidade que os homens dentro do set, recebem menores salários e poucos são os filmes dirigidos, roteirizados e protagonizados por mulheres”, ressaltam. Para se avançar nessa discussão, a curadoria escolheu filmes dirigidos por mulheres, como “Amor, Plástico e Barulho”, de Renata Pinheiro; “KBELA”, curta-metragem de Yasmin Thayná que ressalta o empoderamento da mulher negra; e “A hora da estrela”, filme de 1985 dirigido por Suzana Amaral e protagonizado por Marcélia Cartaxo.

Reprodução

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O pernambucano ‘Amor, Plástico e Barulho’, de Renata Pinheiro, está na programação

Recentes produções pernambucanas como “Avenida Brasília Formosa”, de Gabriel Mascaro; e “Dia Estrelado”, curta-metragem em animação de Nara Normande também estão na programação. Além de “Que horas ela volta?”, mais novo filme de Anna Muylaert, estrelado por Regina Cazé.

“Se o cárcere ainda é um paradigma punitivo penal, que pelo menos seja dotado de condições mais humanas e dignas pras mulheres que passarão qualquer tempo nesse espaço. E o que me motiva com o projeto é justamente poder contribuir pra essa mudança de modelo carcerário, ressignificar esse espaço, transformando-o em um lugar de formação dos sujeitos, de condições mais humanas de desenvolvimento”, afirma Juliana Gleymir, coordenadora e idealizadora do Cineclube Alumia.

still kbela

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Curta-metragem KBELA retrata beleza e força das mulheres negras

O produtor do projeto e estudante de Cinema da UFPE, Igor Travassos, ressalta que “quando o público se sente representado na tela e as pessoas percebem que aquela realidade pode ser as que elas estão inseridas, o cinema pode ser uma ferramenta de empatia, pode tornar as relações mais humanas, pode quebrar normatividades e mudar realidades. E é isso que queremos fazer”, destaca.

As ações do projeto contam ainda com o apoio da Secretaria de Ressocialização (SERES) e a Secretaria da Mulher. A sessão do mês de março, inclusive, será em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Em setembro, o grupo de extensão da Faculdade de Direito do Recife, o Além das Grades, fará uma sessão especial para discutir o sistema carcerário brasileiro, ampliando a luta por condições mais dignas no interior dos presídios.

Para mais informações sobre o projeto, acompanhe a página do Cineclube no facebook.

 

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