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Funcultura

Protagonismo feminino na produção têxtil de Pernambuco é tema de site

Com incentivo do Funcultura, o site "Mulheres que Tecem Pernambuco" apresenta a narrativa de figuras femininas que comandam a produção têxtil das Lagoa do Carro, Poção e Itacaratu. O lançamento é neste sábado (14), às 14h, no Centro de Artesanato de Pernambuco

Laís Domingues

Laís Domingues

Equipe do projeto Mulheres que Tecem Pernambuco na casa de Maria Janira, em Lagoa do Carro

Por Camila Estephania

Com a proposta de revelar o protagonismo feminino nos bastidores da produção têxtil do Estado, o projeto “Mulheres que Tecem Pernambuco” será lançado em forma de site neste sábado (14), às 14h, no Centro do Artesanato de Pernambuco, situado no Marco Zero (Recife). Idealizada pela arquiteta Clara Nogueira, a inciativa, que tem incentivo do Governo de Pernambuco, através do Funcultura, conta as narrativas de 18 mulheres artesãs de três cidades do interior do Estado, sendo elas Lagoa do Carro, conhecida pela sua tapeçaria; Poção, famosa pela renda renascença; e Tacaratu, que se destaca pela sua tecelagem.

Todo mundo foca no artesanato enquanto produto e eu quis focar na prática cultural e evidenciar justamente a mulher, porque esse artesanato não existiria se não fosse pela mão delas, pelo contexto de vida, pela realidade. São mulheres que constroem cidades através dessa prática, porque elas dão títulos às cidades, que são chamadas como a ‘terra do tapete’, o ‘berço da renascença’ e a ‘capital da rede de dormir’. Eu queria entender o processo, quem são elas, como se dá esse trabalho, se elas fazem como trabalho”, explica Clara Nogueira, que é também a coordenadora geral do projeto e foi responsável por transcrever e editar todas as entrevistas realizadas em 2017.

Laís Domingues

Laís Domingues

Rudivânia com o tear manual em Sítio Olho D’Água do Bruno, em Tacaratu

Com introdução feita pela pesquisadora Luiza Maretto e imagens feitas pela fotógrafa Laís Domingues, que acompanharam Clara nas viagens e durante as entrevistas, o material sobre a vida das artesãs manteve o uso da primeira pessoa. “É para o espectador ter o privilégio de ler elas”, esclarece Clara, que não pode usar o nome e fotos de algumas das entrevistadas, que preferiram o anonimato para evitar conflitos dentro do seu contexto político.

Cada cidade tem suas particularidades e suas divisões. O que achei mais gritante é que todas são mulheres. Elas que são responsáveis pelo fazer, pelo resistir e por passar o conhecimento para outras mulheres. A questão de gênero está muito ligada à prática têxtil e esse é um dos meus votos nessa pesquisa e nos trabalhos de vida mesmo. Algumas desistiram, porque cada cidade tem um contexto de valorização e desvalorização do trabalho. Em Lagoa do Carro, estão um pouco mais organizadas do que nas outras, porque elas têm uma associação. Nas demais elas estão sozinhas e estão na base do capitalismo ferrenho. Quem monopoliza o mercado em Poção, por exemplo, são as fábricas com os atravessadores, e em Itacaratu, são as fábricas com o tear elétrico operado pelos homens, que produzem muitas redes, enquanto as mulheres comandam o tear manual. É uma divisão bem sexista, mas elas estão lá disputando e amam o que fazem, a grande maioria”, observa Clara, que também nutre uma paixão pelo bordado e pelo crochê, através do seu trabalho com o projeto “Linhas de Fuga”.

Laís Domingues

Laís Domingues

Carla e Alexandra fazem renda Renascença em Poção

O site ainda contará com textos sobre as cidades e os tipos explorados de artesanato, para que o leitor possa compreender a complexidade e as sutilezas que envolvem cada produção. O formato para a internet foi escolhido para que o maior número de pessoas possa ter acesso ao material e conhecer o trabalho praticado pelas mulheres nas cidades estudadas. “Essa prática está diminuindo em alguns lugares porque não há tanto interesse das mais novas fazerem esse trabalho, tem um contexto bem amplo por trás disso. Que isso seja só o começo de um entendimento de uma cadeia de produção e da legitimação do trabalho”, torce Clara.

SERVIÇO
Lançamento do site “Mulheres que Tecem Pernambuco”
Quando: Neste sábado (14), às 14h
Onde: Centro do Artesanato de Pernambuco (Marco Zero)
Entrada Gratuita

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