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Recife pós-apocalíptico é cenário de HQ desenvolvida por pernambucanos

Com incentivo do Funcultura, história assinada por Erick Volgo e Lehi Henri terá seu primeiro volume lançado no CCXP Nordeste

Reprodução/Capa do livro

Reprodução/Capa do livro

‘Pindorama’ será lançado dentro da primeira edição da Comic Com Experience no Recife, que começa nesta quinta (13) no Centro de Convenções

Temas como desigualdade social, corrupção e debate sobre gênero compõem o cenário do HQ Pindorama, do autor pernambucano Erick Volgo. A história se passa num universo fictício de um Recife pós-apocalíptico, uma cidade que, após ser devastada por uma tsunami, resiste protegida por um muro contra a outra metade submersa. A publicação será lançada durante a Comic Con Experience, maior evento de cultura pop da América Latina que acontece em Pernambuco Recife de 13 a 16 de abril, no Centro de Convenções de Pernambuco.

De acordo com Erick Volgo, Recife apresenta-se como um cenário perfeito para essa trama, por ser uma metrópole que atende a padrões globais. “É também percebida nacionalmente como um polo de grande relevância na região nordeste, onde discussões por uma política afirmativa da diversidade cultural na resistência ao nivelamento hegemônico do mundo globalizado tem ocorrido durante anos”, explica o autor da obra.

Pindorama é a primeira obra em HG que Erick assina e conta com incentivo do Governo de Pernambuco,por meio do Funcultura. Formado em Direção Teatral pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o autor materializou o roteiro de Pindorama a partir de um sonho. “Nele, depois da previsão de que um vulcão voltou à atividade no meio do oceano Atlântico, a cidade, assim como outras da costa atlântica, teve anos para tomar medidas e se proteger de um tsunami que acabou resultando num aumento significativo do nível do mar, construindo um muro e diques em sua orla”.

Divulgação

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Pindorama é a primeira obra do estilo que Erick assina e conta com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura

Com a passagem da tsunami, o topo dos arranha-céus virou capital do crime, do tráfico e de experimentos macabros, onde as vítimas são jogadas aos tubarões.  O chefe do tráfico, conhecido como Coronel, domina a cidade e é rivalizado apenas pela gangue de travestis liderada pela criminosa Maria Bonita. Vítima de experimentos científicos, Samuel desenvolve misteriosos poderes e decide tornar-se um super-herói, o Calango.

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As ilustrações são criações do designer Lehi Henri, que se alinhou bem à narrativa criada por Volgo para Pindorama

As ilustrações são do designer Lehi Henri, que se alinhou bem à narrativa criada por Volgo para Pindorama. “Utilizei muitas referências e experimentações. Para colorir, por exemplo, testei várias técnicas, mas a leitura ideal nasceu com a simulação de pintura a óleo com cartoon. Há cenas que são pintadas inteiramente como telas”, explica.

A palavra ‘Pindorama’ é de origem tupi e significa ‘terra das palmeiras’, uma terra livre dos males. A narrativa obedece ao clássico dos quadrinhos, feita por um protagonista, em discurso indireto e livre com recortes de passagens próprias de um livro de ficção. Recife aparece como um ambiente para uma trama clássica de história de super-herói que discute a ideia de heroísmo, tudo contextualizado com a semântica da cultura local, entre sotaques, gírias e traquejos urbanos que formam a cultura da cidade.

Erick buscou na figura do homem branco o tom para desenvolver seu protagonista, homônimo ao título do quadrinho, Pindorama. “Nosso herói, um homem, branco, hétero, se inaugura segundo os modelos clássicos dominantes, apenas para perceber o homem (e se perceber), como figura opressora. Apesar de homem, ele cresceu inserido num contexto feminino, criado por mãe solteira”, revela.

Serviço
Lançamento do HQ Pindorama
Durante a Comic Com Experience no Recife (Centro de Convenções de Pernambuco)
De 13 a 16 de abril
Fanpage

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