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Seminário gratuito discute relação entre mestres e aprendizes no teatro

Seminário Internacional de Crítica Teatral (SICT) será realizado no Teatro Apolo, no Bairro do Recife, de domingo (20) até a próxima terça-feira (22)

Gustavo Leão/Divulgação

Gustavo Leão/Divulgação

O dramaturgo João Denys e Elnton bruno Siqueira participam da programação do Seminário, que traz o tema ‘Teatro como encontro entre mestres e aprendizes’

Com o tema Teatro como encontro entre mestres e aprendizes, o Seminário Internacional de Crítica Teatral (SICT) chega com a proposta de ampliar as relações entre mestres e aprendizes na trajetória teatral. O encontro será realizado no Teatro Apolo, no Bairro do Recife, de domingo (20) até a próxima terça-feira (22). Toda a programação é gratuita.

A Renascer Produções Culturais é a organizadora o Seminário Internacional de Crítica Teatral desde 2005, evento que reúne estudantes, profissionais e estudiosos de diferentes formações acadêmicas. A iniciativa conta com incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, através do Funcultura, e vai oferecer uma série de palestras sobre o tema, sempre das 14 às 18h.

Esta edição tem o objetivo de propor uma reflexão sobre as relações, já que o processo de formação no teatro, bem como suas transformações, estão nas possibilidades das trocas contínuas de conhecimento. O SICT também integra a programação do 18º Festival Recife do Teatro Nacional.

Augusto Pessoa/Divulgação

Augusto Pessoa/Divulgação

Astier Basílio vai participar na segunda (21) da palestra ‘A arte secreta da crítica – o exemplo de Sábato Magaldi’

Para o crítico de teatro Astier Basílio  (PB), que participa da programação, este é um tema muito pertinente, principalmente quando se pensa na posição do crítico de arte. “Em relação ao teatro, é a única forma em que o sujeito que se determina a fazer isso começa sem um repertório. Vou exemplificar. Um crítico de cinema, ele dispõe de todo o repertório da sétima arte. Ele tem à disposição a cinematografia das décadas anteriores e filmes contemporâneos. Já o crítico de teatro não dispõe desse leque de informações”, opina.

Astier Basílio  vai participar na segunda (21) da palestra A arte secreta da crítica – o exemplo de Sábato Magaldi, ao lado de Ivana Moura (PE). “Em 2016 eu completei 10 anos de crítica teatral, e tem uma história interessante com este festival. Este foi o primeiro festival que eu cobri como crítico de arte e lembro que assisti a uma mesa com Ivana. Tem sido interessante pra mim porque estou fazendo uma reflexão sobre minha trajetória”, revela.

De acordo com o crítico de teatro, a perspectiva do seu ofício deve ser pensada como um ato testemunhado. “O crítico vai estabelecer um repertório a partir do momento que ele decide acompanhar. Por mais que ele se aparelhe do ponto de vista teórico, nada vai mudar o fato da necessidade dele estar presente”.

Divulgação

Divulgação

O dramaturgo Paulo Vieira (PB), ao lado de João Denys, participa da palestra ‘A arte solitária do autor’, na segunda (21)

Para celebrar este encontro entre mestres e aprendizes, o SICT faz uma homenagem ao jornalista Luiz Maranhão Filho, que já foi aprendiz de cronista teatral no final dos anos 1940 e se tornou um mestre na arte do teatro com sua valiosa contribuição para a cena pernambucana.

Sobre o homenageado - Luiz Maranhão Filho nasceu em 1933 e foi cronista teatral do jornal Diario de Pernambuco no final da década de 1940, ainda adolescente, assinando com suas iniciais L. M. F. a coluna “Teatro”. Jornalista, dramaturgo, compositor, produtor, radialista, advogado, escritor, pesquisador e professor da área de Comunicação Social.

Escreveu dezoito textos teatrais, entre eles Espanta Gato e O Capitão e o Cabra, sendo integrante da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais) e publicando sua dramaturgia até hoje. Possui ainda Graduação em Direito pela Faculdade de Direito de Olinda (AESO), Mestrado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Entre suas publicações, destacam-se Jornalismo: Primeiros Passos (2008), Falando de Rádio (2010), Três Contos de Réis (2012), Raízes do Rádio (2012) e Hoje Tem Espetáculo – Contos das Coxias (2014).

Serviço
Seminário Internacional de Crítica Teatral (SICT)
Domingo (20) a terça (22) | 14h às 18h
Teatro Apolo (Rua do Apólo, 121, Bairro do Recife)
Gratuito

Confira a programação do Seminário Internacional de Crítica Teatral (SICT):

Domingo (20)
Homenagem a Luiz Maranhão Filho, cronista teatral do Diario de Pernambuco na década de 1940, também jornalista, radialista, professor, dramaturgo e diretor teatral.

Palestra: Como se forma e se quebra a tradição teatral: mestres e discípulos do teatro russo
Palestrante: Elena Vassina (Rússia/SP)
Resumo da palestra: O objetivo desta palestra é a reflexão crítica sobre as leis dialéticas que definem a formação da tradição teatral. Trataremos do grande mestre teatral Konstantin Stanislávski e de sua relação com os discípulos Meyerhold, Vakhtángov e Mikhail Tchekhov.

Sobre Elena Vassina: Teatróloga e pesquisadora russa, com doutorado e pós-doutorado pelo Instituto de Pesquisa da Arte (Rússia/Moscou), finalista do prêmio Jabuti 2016, autora de múltiplos ensaios dedicados à análise dos problemas da linguagem artística do teatro do século XX, à poética do drama moderno e à história do teatro russo. Atualmente é professora da USP, nos projetos da pesquisa do Programa da Pós-Graduação em Literatura e Cultura Russa.

Diego Albuck (Mediador/provocador): Formado em Letras pela UFPE e Mestre em Artes Cênicas pela UFBA, é também dramaturgo, roteirista, tradutor e pesquisador nas artes cênicas e audiovisuais, com ênfase em dramaturgia, mídias e ficção científica.

Segunda (21)
Palestra: A arte solitária do autor.  A criação dramatúrgica. Com João Denys (PE) e Paulo Vieira (PB).

João Denys: Dramaturgo, encenador, ator, cenógrafo, figurinista, maquiador, iluminador e programador visual, é ainda professor e pesquisador do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Resumo da palestra: Trata de aspectos do processo de criação dramatúrgica do dramaturgo João Denys, que questiona a solidão autoral ao expor os diálogos encetados entre o escritor teatral e os receptores, primeiros interlocutores de suas principais obras: A pedra do navio (1979); Deus danado (1993); Flores d’América (2005) e Encruzilhada Hamlet (2009). O trabalho com a memória e a pesquisa, com o testemunho e a invenção, com o texto e a intertextualidade aliado à falação pré-textual dirigida, ad nauseam, ao público (atores, técnicos, possíveis leitores, possíveis espectadores), são características basilares das obras enfocadas.

Paulo Vieira: Dramaturgo, diretor, ator, romancista, roteirista, professor do Curso de Teatro da UFPB

Resumo da palestra: Mais solitário do que o goleiro na hora do gol é o homem que escreve sobre a solidão do goleiro na hora do gol. A mística de que o escritor precisa estar em solitude para criar é algo que me parece ainda contido no espírito romântico do século XVIII, sem muita conexão com a realidade contemporânea, de carros que passam nas ruas, de vizinhos que gritam quando conversam, de alguém sofrendo de um mal da alma e que fala, briga, xinga e ri dos fantasmas, dos seus desvarios. Não, definitivamente não há – ou pouco há – o silêncio em sua casa, o lugar, o canto, o ninho do dramaturgo. Esta pode ser uma opção para alguém escrever, sobretudo se o dramaturgo de que se fala tem ambições estéticas, e que por isso mesmo necessita de ir ao mais profundo encanto do seu ser a fim de encontrar a forma, a obra, o tempo, o ritmo, a narrativa enfim, matéria do seu ofício.

Vinícius Vieira (Mediador/provocador): Formado em Jornalismo e Interpretação Teatral, é especialista em docência do Ensino Superior (Fafire), onde desenvolveu pesquisa sobre Teatro, Gênero e Sexualidade na Educação.

Terça (22)
Tema da palestra: A arte secreta da crítica – o exemplo de Sábato Magaldi, com Ivana Moura (PE), Astier Basílio (PB) e Elton Bruno Siqueira (PE)

Ivana Moura (PE): jornalista, crítica de teatro, escritora e produtora cultural. Idealizadora e editora do Blog Satisfeita, Yolanda?. Mestra em Teoria da Literatura (UFPE), com especialização em Jornalismo e Crítica Cultural (UFPE). Integra a DocumentaCena – Plataforma de Crítica e a Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT-IACT (www.aict-iatc.org), filiada à UNESCO.

Resumo da palestra: A crítica segue sua função de problematizar. Distante da autoridade conferida pelos jornais, a crítica se reinventa em outros espaços. Se a atitude crítica é uma característica do estar no mundo, quando ela é escrita gera receio e instabilidade. A crítica de Sábato Magaldi adotou um modelo que supria as necessidades de uma época. E agora, quais os eixos em que a crítica se sustenta? Vamos discutir essas questões na nossa fala.

Astier Basílio (PB): Pernambucano de Vitória de Santo Antão, radicado na Paraíba há muitos anos. Jornalista, crítico de teatro, ficcionista, dramaturgo e poeta. Também foi editor do suplemento Correio das Artes (2010) e do suplemento cultural Augusto, do Jornal da Paraíba (2005 a 2006). Atuou como repórter, crítico de literatura e de teatro do mesmo jornal. Foi subeditor de cultura do jornal A União e colunista do seu Caderno 2.

Resumo da palestra: O crítico como leitor de crítica.
A importância da tradição crítica como base de formação do trabalho de quem vai escrever sobre teatro.

Elton Bruno Siqueira (PE): Graduado, Mestrado e Doutorado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco, UFPE.

Resumo da palestra: Que concepções de crítica permearam a história? Com que concepções de crítica nos deparamos hoje na contemporaneidade? A comunicação que proponho focará essas e outras questões que dizem respeito ao universo da crítica cultural e, em particular, da crítica teatral. Como objeto de análise, me debruço sobre a produção crítica de Sábato Magaldi e sua contribuição para a história do teatro brasileiro moderno.

Isabelle Barros (PE) (Mediadora/provocadora): Formada em Comunicação Social – Jornalismo (UFPE), Mestre em Comunicação Social pela UFPE. Atriz formada pelo Curso de Interpretação Para Teatro do SESC Santo Amaro, é também diretora de teatro e repórter do Caderno Viver, do Diario de Pernambuco.

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