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Série “Saber de Parteira” estreia na TV Pernambuco

Com incentivo do Funcultura, os seis episódios com parteiras tradicionais de Pernambuco vão ao ar em comemoração ao Dia Internacional da Parteira

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Maria dos Prazeres, Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco e responsável por mais de cinco mil partos, é uma das personagens da série, que estreia nesta terça-feira (5), Dia Internacional da Parteira, na TV Pernambuco

“Ser Parteira”, “Beleza do Ofício”, “Dom e Aprendizado”, “Parteiras e Plantas”, “Transmissão e Continuidade” e “Relação com a comunidade” são os títulos e assuntos abordados nos seis filmes que estreiam nesta terça-feira (5), Dia Internacional da Parteira, na TV Pernambuco (Recife e Região Metropolitana – canal 46.1; Caruaru – canal 12.1; Petrolina – 13.1). Em formato de interprogramas, com duração de 2 minutos cada, a campanha será veiculada nos intervalos do canal.

Saber de Parteira é uma ação do Museu da Parteira, com realização da produtora audiovisual Bebinho Salgado 45, e incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, e direção da antropóloga Júlia Morim; e volta-se para a valorização e promoção do ofício de parteira tradicional, trazendo ao público um pouco desse universo, justamente no mês de maio, instituído como o mês de celebração do ofício de parteira.

Nas imagens captadas em 2019, as parteiras Prazeres, de Jaboatão dos Guararapes, Zefinha, Elisabete e Severina, de Caruaru, Dôra, Tia Ana, Juliana, Neide, Darinha, Jacira, Luzânia, Marlene, aprendizes e parteiras Pankararu dão depoimentos sobre a transmissão de saberes, o reconhecimento da comunidade, e o sentimento de satisfação em ajudar uma mulher a dar à luz.

“Pra mim é a melhor coisa do mundo é eu ver uma criança nascendo. Nascer e você ter certeza que deu tudo certo. Não tem como você explicar! É inexplicável”, testemunha Neide, aprendiz de parteira. Já Prazeres, 80 anos, parteira agraciada com o Prêmio de Patrimônio Vivo de Pernambuco, e protagonista do curta-metragem “Simbiose”, ressalta o papel da parteira na comunidade: “É uma liderança. É uma conselheira. Ela é advogada, ela é assistente social, ela está em todas. É por isso que eu achei por bem dizer o que ela faz só numa palavra: ela faz simbiose”.

Entre os instrumentos de trabalho, as mãos ganham destaque, como diz Dôra, parteira Pankararu: “As mãos é o que Deus deixou pra gente. A mão é sagrada”. As mulheres entrevistadas representam muitas outras do Brasil que tiram seu sustento de outras ocupações, comungam da mesma realidade sociocultural das mulheres assistidas e costumam considerar seu ofício de parteira como mais uma de suas atribuições. Conferem a iniciação no ofício ao acaso, “destino divino”, ou necessidade, e o aprendizado ocorre na prática e/ou com parteiras mais experientes. Parteiras são mulheres dedicadas, que, dia ou noite, ajudam outras mulheres que dão à luz. Figuras de liderança e referências de saúde nos grupos em que atuam, exercem múltiplos papéis em suas comunidades (parteiras, agentes de saúde, mediadoras de conflitos). São detentoras de conhecimentos acerca de costumes, técnicas e saberes “da arte de botar gente no mundo”, repassados entre gerações, continuam praticando e transmitindo esse saber coletivo que reforça a identidade de um povo.

Enquanto campanha, Saber de Parteira alinha-se com a Política Nacional do Patrimônio Imaterial e pretende fortalecer o processo de reconhecimento dos saberes e das práticas das parteiras tradicionais enquanto Patrimônio Cultural do Brasil, o qual encontra-se em andamento no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A Instrução de Registro, que envolve pesquisa e elaboração de dossiê escrito, dossiê fotográfico e vídeo de apresentação, está sendo executada pela Departamento de Antropologia e Museologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sob coordenação dos professores Elaine Müller e Hugo Menezes.

O projeto configura-se também como a concretização de uma das ações do Museu da Parteira, um projeto em construção, que planeja e realiza um conjunto de ações continuadas de salvaguarda, promoção e valorização dos Saberes e Práticas das Parteiras Tradicionais, que vem sendo executado em etapas as quais abarcam a transversalidade das práticas de preservação do patrimônio cultural. Coordenado pelos Grupo Curumim, Grupo de Pesquisa Narrativas do Nascer (DAM/UFPE) e pelas Associações de Parteiras Tradicionais de Jaboatão dos Guararapes e de Caruaru, o museu configura-se principalmente como um espaço de ativismo, reflexão e articulação de novas ideias e parcerias. Em 2018, a iniciativa recebeu o Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural, ofertado pela Secult-PE/Fundarpe, na categoria Acervo Documental e Memória.

“Saber de Parteira insere-se em uma proposta maior de documentação, valorização e salvaguarda dos saberes e práticas das parteiras tradicionais que teve início com a realização de inventários de referências culturais (INRC), ainda em 2008, os quais se desdobraram em diversas ações como exposições fotográficas, publicações de livros e produção de curta-metragem. A escolha pelo audiovisual para a campanha se deu pelo fato desses registros serem documentos de grande importância que integram e fomentam a salvaguarda do patrimônio na medida em que são um meio de promoção e reconhecimento de ampla e fácil difusão”, afirma Júlia Morim. A diretora é mestre em Antropologia, militante dos direitos da mulher e atua no audiovisual, tendo realizado dois filmes: Simbiose, de 2017, premiado em diversos festivais, e Evitável, 2019, contemplado pelo terceiro Edital VídeoSaúde da Fiocruz.

Os filmes já estão disponíveis na internet, confira:

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