Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Funcultura

Seu Martelo se veste de Mateus e resgata a memória do Cavalo Marinho em aula-espetáculo

Através do projeto ‘Só vai no sonho’, com apoio do Funcultura, o mestre da cultura popular da Zona da Mata realizará um total de cinco apresentações pelo estado

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Como Mateus, Seu Martelo é integrante do Maracatu Estrela de Ouro, que recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2018

Por Marcus Iglesias

“Boa noite pra quem chegou, boa noite pra quem falta chegar”. Aos 82 anos de idade, Seu Martelo, brincante da cultura popular da Zona da Mata pernambucana e o Mateus mais antigo em atividade no estado, iniciou uma nova tarefa na sua vida como artista: Vai visitar várias cidades de Pernambuco para dar uma aula-espetáculo sobre o universo lúdico e rico em que vive, principalmente no que diz respeito ao personagem típico da brincadeira do Cavalo Marinho. Através do projeto Só vai no sonho, com apoio do Funcultura, Seu Martelo realizará um total de cinco apresentações, com contação de histórias, toadas, loas e muita ‘munganga’.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Durante a aula-espetáculo, Seu Martelo pincela um pouco de tudo da sua vida artística, que também teve passagem pelo Maracatu de Baque Solto

São mais 70 anos de vivência dentro da cultura popular, brasileira, sobretudo na cultura popular de Pernambuco. Como Mateus, é integrante do Maracatu Estrela de Ouro, que recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2018. Seu Martelo é também um dos grandes detentores da tradição oral de nosso país. Sabe decorado uma infinidade de histórias de trancoso, rezas, benditos, cantigas de coco e ciranda, repente de viola, cordéis, loas e versos, isso sem falar no universo do Cavalo Marinho. É essa memória que o público vai conferir ao vivo.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

A primeira apresentação, realizada no último sábado (5), aconteceu na Escola Pernambucana de Circo, no Recife, aberto ao público

A primeira apresentação, realizada no último sábado (5), aconteceu na Escola Pernambucana de Circo, no Recife, aberta ao público. Já os próximos encontros são direcionados a algumas comunidades, como na próxima sexta-feira (11), às 19h, na sede do Ilê Àse Orisanla Talabi (Paulista); No sábado (12), às 17h, na sede do Maracatu Estrela da Tarde (Nazaré da Mata); No domingo (13), às 16h, no espaço Canto das Memórias Mestre Zé Negão (Camaragibe); e uma última, em fevereiro, com a data a ser definida, no IFPE Recife, com acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

O cenário é composto basicamente pela indumentária de Seu Martelo, que entre uma cantiga, uma loa e uma história, faz uma brincadeira com seu personagem mais conhecido

Durante a aula-espetáculo, Seu Martelo pincela um pouco de tudo da sua vida artística, que também teve passagem pelo Maracatu de Baque Solto. O encontro com o mestre é imerso no campo da teatralidade e da dança, trazendo para perto, e de forma envolvente, os participantes que passam a ter contato com alguns elementos que constituem o jogo dessa manifestação, bem como o enredo, figurino, suas tramas, entradas e saídas.

“Se eu soubesse ler, eu seria um palhaço. Mas eu não sei. O que sei é contar histórias, e é isso o que faz um bom Mateus. Só que pra ser bom mesmo nisso, tem que trabalhar muito”, disse Martelo, durante sua apresentação no último sábado (5). “Teatro é pra quem sabe fazer. Brinquei Cavalo Marinho com vários mestres, como o Salu, com quem participei de várias sambadas que iam das 20h até 7h da manhã”, concluiu.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Ele entra em cena acompanhado de quatro músicos: os percussionistas Miguel Stos, Hedyson Chapa e Luca Átila, além do rabequeiro Rannier Venancio

Ele entra em cena acompanhado de quatro músicos: os percussionistas Miguel Stos, Hedyson Chapa e Luca Átila, além do rabequeiro Rannier Venancio, que o auxiliam inclusive nas contações de histórias trazendo à tona essa memória do imaginário do mestre. O cenário é composto basicamente pela indumentária de Seu Martelo, que entre uma cantiga, uma loa e uma história, faz uma brincadeira com seu personagem mais conhecido. Dividido em vários atos, o momento final da peça é exatamente quando ele incorpora de vez o Mateus, interagindo com a plateia.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Seu Martelo sabe decorado uma infinidade de histórias de trancoso, rezas, benditos, cantigas de coco e ciranda, repente de viola, cordéis, loas e versos, isso sem falar no universo do Cavalo Marinho

“Ciranda, por exemplo, era uma coisa que não existia antigamente na Mata Norte. Eu fiz parte do processo de levar essa brincadeira pra lá, depois que nós, eu e outros mestres, fizemos uma visita na capital, isso por volta da década de 50. Numa época que a gente nem chamava maracatu de baque solto assim. Chamava de Respirante”, relembrou o mestre.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Só vai no sonho foi idealizado pela atriz, diretora e palhaça, Raquel Franco, que pensou no projeto como se fosse uma visita à casa de Seu Martelo, em Condado

Só vai no sonho foi idealizado pela atriz, diretora e palhaça, Raquel Franco, que pensou no projeto como se fosse uma visita à casa de Seu Martelo, em Condado. “Quando vamos lá, em Condado, ele nos recebe com um baú como este que faz parte do cenário, com todos esses acessórios produzidos por ele próprio, e começa a mostrar tudo pra gente. Nossa ideia é que quem não pode ir a Condado possa então conhecê-lo dessa forma”.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

O encontro com o mestre é imerso no campo da teatralidade e da dança, trazendo para perto, e de forma envolvente, os participantes que passam a ter contato com alguns elementos que constituem o jogo do Cavalo Marinho

Raquel Franco conta que uma das propostas do projeto é também transcrever histórias contadas por Seu Martelo para a linguagem escrita. “Isso vai dar um pouco de trabalho, porque terei que ouvir todos os áudios dos encontros e escrever uma por uma. Depois vamos publicar no site www.seumartelo.blogspot.com, como forma de deixar isso registrado. Muita gente usa as histórias dele e não repassam os direitos autorais. A ideia é deixar a memória dele mais protegida neste sentido. Futuramente, pensamos também em publicar um livro com esses registros”, explica a produtora, que também disponibilizará no Youtube, em fevereiro, um vídeo completo de uma das apresentações de Seu Martelo.

Confira a agenda das apresentações do projeto Só Vai no Sonho:

Sexta-feira, 11 de janeiro
Horário: 19 horas
Local: Ilê Àse Orisanla Talabi
Endereço: R. Orobó, 257, Arthur Lundgren I – Paulista / PE

Sábado, 12 de janeiro
Horário: 17 horas
Local: Sede do Maracatu Estrela da Tarde de Nazaré da Mata
Endereço: Rua Industrial J R Maranhão, 14, Sertãozinho – Nazaré da Mata / PE

Domingo, 13 de janeiro
Horário: 16 horas
Local: Canto das Memórias Mestre Zé Negão
Endereço: Av. Ademar de Barros, 5 – João Paulo II, Camaragibe / PE

Fevereiro
Data e horário: A definir
Local: IFPE – Campus Recife
Endereço:  Av. Prof. Luís Freire, 500 – Cidade Universitária, Recife – PE

 

< voltar para home