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Funcultura

Território das Mãos cria mapa da escultura popular contemporânea

 Leo Santos Gonzaga

A pesquisa registrou as esculturas em miniatura da artista Adriana, de Caruaru.

Muitos artistas que trabalham com escultura popular em Pernambuco são desconhecidos do grande público. No intuito de dar visibilidade ao trabalho desses artistas nasceu o projeto cultural “Território das Mãos”, realizado com incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), mantido pelo Governo de Pernambuco. O projeto teve como principal finalidade criar um mapeamento da escultura popular contemporânea do Estado, a partir de entrevistas com os escultores, revisão bibliográfica e registros em vídeo e fotografia. O resultado é um mapa com a localização dos artistas em Pernambuco, impresso em formato de folder, distribuído gratuitamente em centros de artesanato, escolas e pontos de cultura.

O projeto  pretende retraçar fronteiras ao construir o mapeamento dos novos conceitos presentes na atual escultura popular pernambucana, valorizando heranças culturais, fortalecendo o patrimônio do Estado e contribuindo para a inclusão sócio-cultural. Uma série de fotografias e textos sobre o processo da pesquisa podem ser conferidos através do blog territoriodasmaos.wordpress.com. Já os vídeos com as entrevistas podem ser acessados através do canal do Youtube www.youtube.com/user/territoriodasmaos.

 Leo Santos Gonzaga

Luiz Gonzaga é herdeiro de Severina Batista na arte de moldar em Tracunhaém.

O projeto “Território das Mãos” percorreu, ao longo de dez meses, as quatro macrorregiões do Estado de Pernambuco: Região Metropolitana (Recife, Olinda, Jaboatão e Igarassu); Zona da Mata (Goiana e Tracunhaém); Agreste (Caruaru, Belo Jardim, Garanhuns, Jupi e Buíque) e Sertão (Petrolina). Nesses 12 municípios, foram entrevistados escultores como Mestre Nuca, Maria Amélia, José Bezerra, Severino Vitalino, Manuel Eudócio, Joel Galdino, Mestre Nado e Maria de Ana das Carrancas.

Em Caruaru, famílias como a do Mestre Vitalino trabalham o barro como uma tradição familiar, de geração a geração. As crianças da família aprendem a esculpir logo cedo e o ofício permanece como uma herança daquele clã. Mas, nem sempre há um mestre para ensinar a atividade e alguns dos artistas entrevistados iniciaram seus trabalhos de forma inusitada. É o caso, por exemplo, de José Bezerra que, através de um sonho recebeu a mensagem de que seria artista. Acreditando na mensagem onírica, adentrou na caatinga e passou a “retirar” da madeira animais e objetos como tatus, cobras e cabeças.

“A escultura popular é um universo rico em experiências estéticas e conhecimentos culturais. Lançar um olhar sensível para este mundo nos leva a perceber significados e visualidades. A pesquisa nasceu da vontade de conhecer os artistas que transformam com suas mãos materiais disponíveis em suas regiões e comunicam através da sua arte. O mapeamento realizado identificou diferentes materiais para cada região: na Zona da Mata, o barro predomina; no Agreste, madeira e barro dividem espaço na produção artística; no Sertão, a madeira é a matéria principal; na Região Metropolitana, temos uma diversidade de materiais como coqueiro, galhos e reciclados”, explica a coordenadora da pesquisa Lúcia Padilha Cardoso.

Segundo a pesquisadora, a escultura popular é uma arte que se renova, que não está estagnada aos modelos tradicionais dos antepassados. A escultura continua a ser feita abordando temas atuais, como a relação do homem com o trabalho e questões de gênero. “Observar esses temas revelam outras percepções através da arte popular. A pesquisa procurou incluir o maior número possível de escultores para entender essa cartografia da escultura popular do Estado. O projeto pretende não somente mostrar os caminhos para conhecer esses territórios, mas também divulgar o trabalho dos artistas e convidar o público para vivenciar novas experiências perceptivas e cognitivas a partir da atual escultura popular em Pernambuco. O mapeamento realizado também será conteúdo para futuros projetos educativos que serão desenvolvidos pela equipe do projeto”, esclarece Lúcia.

Blog: territoriodasmaos.wordpress.com
Youtube: www.youtube.com/user/territoriodasmaos

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