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Websérie pernambucana “Ferida” discute violência contra a mulher e machismo

A websérie "Ferida" derivou da pesquisa "Do gênero performativo às perfomatividades de gênero", incentivada pelo Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura

Camila Silva/Divulgação

Camila Silva/Divulgação

Os três capítulos da websérie surgem a partir de performances que se mesclam a entrevistas com pessoas que têm histórias relacionadas aos temas

Discutir a desigualdade de gênero e a violência contra a mulher se faz ainda mais urgente diante da pandemia que atravessamos, com o alarmante aumento do número de casos de violência doméstica. Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), durante as medidas de isolamento social, haverá crescimento médio de cerca de 20% dos casos em todo o mundo. Neste cenário, o Núcleo de Experimentações em Teatro do Oprimido (Nexto) lança a websérie ”Ferida”, com o intuito de reforçar a discussão de temas relacionados ao machismo e suas consequências, como a violência e desigualdade de gênero e assédio sexual, trazendo reflexões e provocações a respeito do que é ser mulher e sua vulnerabilidade na sociedade moderna.

Os três capítulos da websérie surgem a partir de performances que se mesclam a entrevistas com pessoas que têm histórias relacionadas aos temas. Eles serão lançados a partir do próximo sábado (23) e nos dois seguintes (30/5 e 6/6) e podem ser assistidos pelo site do Nexto (www.nextope.com). Os vídeos também contarão com Legendas para Surdos e Ensurdecidos (LSE).

A websérie ”Ferida” derivou da pesquisa “Do gênero performativo às perfomatividades de gênero”, incentivada pelo Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, e que permitiu a continuidade e o aprofundamento da pesquisa teatral desenvolvida pelo Nexto sobre o universo da violência de gênero. A pesquisa criou performances inspiradas na relação das artistas envolvidas com seus corpos, suas sexualidades, seus gêneros. A ideia de performar o seu próprio gênero levou os artistas a criarem cinco performances individuais, uma fotoperformance e um Manifesto do Gênero Performativo. Estes dispositivos foram apresentados nas ruas do Recife, Olinda, Caruaru e São Lourenço da Mata. Em 2019, Mulheres que carregam homens, participou do 2º Festival Feminista de Lisboa, em Portugal.

Algumas questões guiam os diálogos, como o motivo pelo qual o homem se sente no “direito” de abusar do corpo de uma mulher, o que faz alguém se caracterizar como homem ou mulher e até que ponto estamos presos às identidades de gênero. “Achamos importante ressaltar que a violência contra a mulher não acontece apenas com a presença do homem, mas também se manifesta entre as próprias mulheres quando reproduzem ideias machistas. Foi através do contato com a arte performática que passamos a pensar sobre como a gente performava nosso gênero, sinalizamos situações que nos inquietavam e tentamos desconstruir essa valorização das diferenças de gêneros”, ressalta Andréa Veruska, atriz, arte-educadora e uma das idealizadoras do projeto.

Os capítulos “Perseguida”, “Mulheres que carregam homens” e “Devir animal” foram gravados entre 2018 e 2019 em diferentes locações, que também reforçam a discussão que cada um traz. Antes de tratar o assédio sexual, por exemplo, as mulheres entrevistadas participaram de uma aula de boxe; o bate-papo com uma mulher e um homem trans foi gravado em um ambiente religioso; e a roda de conversa sobre igualdade de gênero foi registrada em um bar no mercado público, onde a presença de homens é predominante.

Sobre o Nexto
O Núcleo de Experimentações em Teatro do Oprimido (Nexto) foi fundado em 2012 pelos atores e arte-educadores Andréa Veruska e Wagner Montenegro, ambos formados pelo Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro (CTO-Rio), à época sob direção artística do Augusto Boal. Juntos realizam pesquisas, os estudos e as experimentações sobre o método e desenvolvem trabalhos de arte-educação, formação em Teatro do Oprimido, experimentação estética e criações artísticas em espaços sociais e culturais.

Entre as ações já realizadas pelo Nexto, o projeto Descobrindo a Estética do Oprimido que, em 2014 e 2017, formaram e capacitaram professores da rede pública de ensino e educadores populares na linguagem do Teatro do Oprimido em 13 cidades  do Agreste, Zona da Mata, Sertão e Região Metropolitana do Recife. O primeiro espetáculo do grupo foi Las Mariposas que surgiu a partir do desejo de retratar a situação de violência contra as mulheres em Pernambuco.

Em 2016, o Nexto realizou o projeto Teatro na Prisão: Conexão Brasil e Estados Unidos que proporcionou o intercâmbio o de teatro formado por detentos na Prisão de Segurança Máxima de Auburn (Auburn Maximum Security Prison), uma das mais antigas prisões do Estado de Nova York e facilitado por professores de teatro da Universidade de Cornell e da Ithaca College, em Ithaca, NY, Estados Unidos.  No ano de 2018, o espetáculo Las Mariposas fez sua primeira itinerância internacional na República Dominicana. Em 2019,  realizaram um laboratório de Teatro do Oprimido para Homens, com 21 homens dispostos a encarar processos criativos de desconstrução de suas ações machistas e patriarcais. Este processo foi documentado e se transformará em um filme-dispositivo que terá o Teatro do Oprimido como ferramenta de diálogo. E recentemente o grupo foi contemplado com o 2º Prêmio Roberto França (Pernalonga) de Teatro na Categoria Iniciativa Coletiva, com o projeto de formação em Teatro do Oprimido.

Serviço
Site: www.nextope.com
Facebook: www.facebook.com/nexto.pe
Instagram: @nexto.pe

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