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Bate-papo literário e apresentações culturais marcaram etapa do ‘Outras Palavras’ em Camaragibe

Estudantes do município conversaram com a escritora Rejane Paschoal e conheceram melhor o Maracatu Leão Coroado

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Por Roberto Moraes Filho

Integrando ações de cultura, educação e cidadania, o projeto ‘Outras Palavras’ (Secult-PE e Fundarpe) realizou na última terça-feira (29/11), na Escola Francisco de Paula Corrêa de Araújo, em Camaragibe, mais uma etapa de sua programação itinerante. A ação, iniciada com a mostra do curta ‘A hora da saída’, produzido por alunos da Escola Santa Paula Frassinete, do Recife, sendo resultado de oficinas promovidas pelo projeto ‘Cine Cabeça’, também contou com bate-papo literário, com a presença da escritora Rejane Paschoal, vencedora do 3º Prêmio Pernambuco de Literatura com o livro de contos ‘Manuscritos em grafite’.

“As escolas que estão aqui presentes são privilegiadas por estarem interagindo com Rejane Paschoal, primeira mulher a ganhar o Prêmio Pernambuco de Literatura. Isso me emociona e muito, por eu ser uma militante pelos direitos das mulheres e entender que, por longos séculos nós fomos invisibilizadas por uma sociedade patriarcal, onde a mulher para publicar tinha que esconder o seu nome e as vezes até pedia desculpas na primeira página por estar escrevendo”, comentou a mediadora do encontro, a escritora e professora de literatura Socorro Lacerda, que também é integrante do Conselho Estadual de Mulheres e chefe de gabinete da Secretaria de Cultura de Pernambuco.

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Rejane Paschoal e Socorro Lacerda

Lisonjeada, Rejane, que também é professora de artes aposentada, falou um pouco de sua carreira e como desenvolveu o processo de escrita direcionado ao público infanto-juvenil. “Quando eu estava bem pertinho já de me aposentar, no ano de 2007, eu comecei a escrever meu primeiro livro e aí pedi a opinião de um professor de português. Então ele me disse: ‘Rejane, vá para uma oficina de Raimundo Carrero’. Foi a partir dessa atividade, que eu fiquei até o ano passado, que percebi que por mais que a gente sinta que tenha ideias boas para escrever, sensibilidade para ver o mundo e tocar nas almas das pessoas, é muito importante uma orientação”, recomendou.

“Claro que a pessoa pode ser um autodidata também, mas uma orientação de alguém que tenha alguma bagagem como Carrero, me ajudou muito. Da forma que eu escrevo hoje, se eu não tivesse prestado atenção nas várias coisas que ele nos disse, como por exemplo, quando a gente quer escrever uma cena, ele diz: ‘Não diga a cena, mostre’, o que é muito diferente de você dizer como a coisa é e você criar uma dinâmica na sua escrita para mostrar o que está acontecendo. Fica muito mais vivo e quase um teatro, embora no papel esse teatro esteja deitado”, argumentou Rejane.

Com a participação de perguntas do público presente, Rejane Paschoal pôde abordar temas relacionados ao processo de criação de suas obras e o que mais lhe impulsiona na carreira de escritora. “A gente tem uma formação profissional, que vai nos levar a uma atividade prática e útil na vida. Mas, por melhor que a gente seja ou a melhor formação profissional que a gente tenha, se for somente uma formação técnica profissional é pouco. A gente precisa ter uma formação humanista. O homem é um ser complexo, cheio de necessidades, de coisas maravilhosas dentro dele, que precisam ser trabalhadas. Se a gente se envolve no mundo da arte, a gente pode ser um engenheiro, um professor, um advogado, um bancário, não importa a profissão. Mas se a gente tem um lado de formação artística e se interessa pela literatura, pela música, pelo cinema, isso tudo engrandece a gente. Porque nos liga ao que há de mais essencial no homem, a sua própria humanidade, aquilo que o diferencia dos outros seres”.

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Após o bate-papo, o projeto ‘Outras Palavras’ possibilitou a entrega de kits literários, contendo os livros ‘Dois Nós na Gravata’, de Rômulo César Melo; ‘Rinoceronte-dromedário’, de Elder Éric; ‘Associação Robert Walser para Sósias Anônimos’, de Tadeu Sarmento; ‘Ascensão e queda’, de Wander Shirukaya, ‘êxodo’, de Carlos Gomes; ‘Caninos Amarelados’, de Mário Felipe Cavalcanti; ‘Manuscritos em grafite’, de Rejane Paschoal; ‘Watsu’, de José Juva; ‘Nós, os bichos’, de Luiz Coutinho Dias Filho; o livro ‘Patrimônios Vivos de Pernambuco’, organizado por Maria Alice Amorim; e ‘Pífanos do Sertão’, organizado por José Rafael Coelho.

Antonieta Trindade, vice-presidente da Fundarpe e idealizadora do projeto Outras Palavras, fez a entrega dos kits para a professora Nizia Silveira, representante do professor José Amaro Silva, da GRE Metropolitana. “Nós já levamos esse projeto para mais de 4.500 estudantes de Pernambuco e o nosso esforço é garantir que a escola seja uma lugar que nos ajude a pensar e não uma escola que nos obrigue a obedecer”, destacou Antonieta. “Nós temos levado para todo estado os vencedores e vencedoras do Prêmio Pernambuco de Literatura e Patrimônios Vivos, por isso que hoje trouxemos aqui o Maracatu Leão Coroado. Com ações como esta, temos dado o apoio aos estudantes para que possamos efetivar essa integração entre cultura e educação. Em 2015 e 2016, por exemplo, escolhemos c0omo aplicativo do Festival de Inverno de Garanhuns uma produção dos estudantes da escola técnica de Bezerros, com esse objetivo de reforçamos esta parceria cultura e educação”, concluiu.

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Maracatu Leão Coroado, Patrimônio Vivo de Pernambuco, fazendo apresentação para os estudantes durante a realização do projeto.

Encerrando a programação do projeto, o mestre Afonso Aguiar, do Maracatu Leão Coroado, falou um pouco sobre a origem da agremiação carnavalesca para os estudantes, ressaltando a importância de sua tradição iniciada em 1952, no Recife. Posteriormente, o Leão Coroado levou o público para o pátio da Escola Francisco de Paula Corrêa de Araújo, onde ocorreu uma animada apresentação da agremiação, ao som potente de tambores percussivos.

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