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Comunidade escolar de Jaboatão recebeu última etapa do ‘Outras Palavras’

Fim da temporada 2016 aconteceu na Escola de Referência Professor Epitácio André Dias, no bairro de Cajueiro Seco

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Por Roberto Moraes Filho

Finalizando 2016 com edições que envolveram mais de 4.500 estudantes da rede pública de ensino em todo o estado, a caravana do projeto Outras Palavras, desenvolvido pela Secult-PE e Fundarpe, desembarcou na última segunda-feira (12) na Escola de Referência Professor Epitácio André Dias, localizada no bairro de Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes. A iniciativa, que tem a missão de estreitar as relações entre educação, cultura e cidadania, possibilitou bate-papo literário com a escritora Rejane Paschoal, vencedora do 3º Prêmio Pernambuco de Literatura, com o livro de contos ‘Manuscritos em grafite’, e uma animada apresentação do Pastoril Estrela Brilhante, um dos folguedos tradicionais do ciclo natalino.

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Marileide Gomes, Marília Mendes e Rejane Paschoal

Sob a mediação da atriz, pedagoga e gestora do Espaço Pasárgada, Marília Mendes, o bate-papo também contou com a participação da professora e poetisa Marileide Gomes. Falando sobre o início de sua carreira como escritora, Rejane Paschoal abordou um pouco a transição pelos campos da advocacia, artes plásticas e o ofício de professora de artes na rede pública de ensino. “Criar faz parte da minha vida. Se eu fosse de alguma maneira proibida de fazer isso, iria me prejudicar e muito. Quando eu passei a me dedicar ao campo das artes plásticas, eu já desenhava e pintava um pouco. Em seguida, eu migrei para as salas de aula e tive a oportunidade de criar com os meus alunos, possibilitando várias propostas no segmento visual. Com a passagem para as letras, que já ocorreu quando eu estava me aposentando das salas de aula, eu comecei a escrever com mais frequência e passei a dar vazão às minhas ideias de criar, escrevendo a mão, com um lápis grafite e uma prancheta. É tátil e para mim isso é importante, escrevendo quase que como desenhando, o que é bem diferente de teclar”, comentou.

Adentrando no universo literário, a escritora explorou o processo de criação para compor personagens para seus contos infantis e adultos. “Quando eu comecei a escrever de uma forma mais regular, eu ainda estava muito envolvida com crianças pequenas, e aí aquele universo infantil era muito presente, fora que eu tenho um lado muito criança, cheia de lembranças alegres, de brincadeiras e de jogos. Uma dessas recordações, que hoje é crime ambiental, mas que antigamente existia, era uma coisa na rua em que macacos pregos eram explorados comercialmente por adultos, com coleira e vestido como uma pessoa. E esse macaquinho fazia coisas para que o público pudesse contribuir financeiramente. Ainda bem que desapareceu, apesar do meu sonho quando criança era ter um macaquinho daqueles e por isso minha primeira história infantil foi me lembrando desse fato para compor ‘Histórias do Encantararê’ e vários contos infantis”, recordou Rejane Paschoal.

Após a interação com os estudantes, que puderam fazer perguntas a escritora, foi o momento do projeto entregar ao gestor da GRE Metropolitana Sul, professor Amaro Barbosa da Silva, representado pelo professor Antônio Marques da Silva, os kits literários compostos por obras vencedoras das edições do Prêmio Pernambuco de Literatura, contando com a presença da vice-presidente da Fundarpe, Antonieta Trindade, idealizadora do projeto Outras Palavras.

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Antonieta Trindade e o professor Antônio Marques da Silva

“Uma parte da nossa juventude é privilegiada na sociedade. É aquele jovem que nasce na elite, que tem não só o poder financeiro, mas que tem também acesso ao conhecimento e que já sabe o seu futuro, porque a família tem um padrão de vida capaz de possibilitar aquele futuro. Mas há uma outra parte, que é a parcela que carece de oportunidade, que é vítima da exclusão. Nós encontramos, por exemplo, lá em Arcoverde, durante a realização do projeto, alguns estudantes que estudavam na Funase. Provavelmente eles não tiveram a oportunidade na vida e terminaram enveredando pelo caminho mais fácil e destruidor, que os levou em plena juventude a se tornarem prisioneiros. O esforço do projeto Outras Palavras é garantir oportunidade, levando para as escolas aquilo que muitas vezes ela não é mais capaz de possibilitar aos seus alunos, como experiências de arte, literatura, música e tantas formas de expressão”, disse Antonieta Trindade.

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Pastoril Estrela Brilhante

Encerrando a programação, o público pôde conferir a apresentação cultural do Pastoril Estrela Brilhante, um dos grupos mais tradicionais de Pernambuco, também conhecido por ‘Pastoril da Tia Dida’. Originado no bairro de Água Fria, na Zona Norte do Recife, o grupo tem 50 anos de atividades e foi formado por Maria das Neves Silva, que passou a tradição para a filha Cristina Andrade. Antes de iniciar a apresentação, Cristina falou um pouco sobre o grupo. “No nosso folguedo popular eu já fui pastorinha, anjo, borboleta e mestra. Hoje minhas filhas e netas fazem parte dessa brincadeira, assim como a maioria das pastorinhas que vocês estão vendo aqui, que são filhas ou netas de ex-brincantes do grupo. É uma brincadeira que é para sempre, não é preciso que eu morra para ela acabar não, vai continuar mesmo assim”, afirmou Cristina Andrade.  O projeto continuará visitando instituições públicas de ensino a partir de janeiro do próximo ano.

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