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Diálogo com autoras de obras infantojuvenis marca estreia do projeto ‘Outras Palavrinhas’

Primeira edição do projeto contou com o lançamento do livro Vira Vira Violeta de Socorro Lacerda e conversa com a escritora Suzana Morais

Por Clara Albuquerque

O último sábado (29) foi dia de estreia na Praça da Palavra Hermilo Borba Filho do 27º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). É que o público pôde assistir a primeira edição do projeto Outras Palavrinhas, uma iniciativa da Fundarpe que deriva do projeto Outras Palavras que, há dois anos, fomenta a cultura literária pernambucana promovendo o encontro entre escritores e estudantes. A estreia do projeto trouxe uma conversa com as escritoras infantis Suzana Morais, autora do livro A passagem secreta, e Socorro Lacerda que, na ocasião, lançou o livro Vira Vira Violeta.

Rodrigo Ramos/CulturaPE

Rodrigo Ramos/CulturaPE

Diálogo com escritoras marcou a programação

A vice-presidente da Fundarpe, Antonieta Trindade, fez a abertura do evento. “Para nós, é um prazer muito grande iniciar, aqui no FIG, o Outras Palavrinhas. Ao conversar com a coordenadora de Literatura da Secretaria de Cultura do Estado, Mariane Bigio, nós descobrimos que poderíamos levar uma versão do Outras Palavras para o público infanto-juvenil. Nós já visitamos mais de 300 escolas com esse projeto levando escritores premiados para conversar com os estudantes e, também, uma parte do acervo literário da Fundarpe como doação. No interior de Pernambuco, já visitamos muitas cidades levando expoentes da cultura popular como Galo Preto e o trio As Severinas. Também, realizamos oficinas durante o festival. Esperamos que esse novo filho atinja diversas séries iniciais”, diz ela.

Rodrigo Ramos/CulturaPE

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Mariane Bigio e Antonieta Trindade saudaram o público da Praça da Palavra

Socorro Lacerda parabenizou a equipe do Outras Palavrinhas. “O projeto já está democratizando a literatura pernambucana e eu estou muito feliz por participar disso e estar, aqui, entre essas grandes mulheres das letras. Sinto-me privilegiada por lançar Vira Vira Violeta em um ambiente tão fértil. Este livro reflete a luta do meu coração e conta a história de algumas violetas que são proibidas de fazer algumas atividades como jogar bola e andar de bicicleta, sendo oprimida pelos cravos”, conta a escritora. Na ocasião, a ilustradora e tatuadora Karla Gonçalves, que ilustrou o livro da Socorro a base de aquarelas, também, falou de suas impressões sobre a obra. “A Socorro traz muita visualidade nas histórias dela, fiquei encantada de poder participar disso. A história trata da luta de nós mulheres que é muito importante e que pode começar na infância, também. Se tem um livro que discute isso, eu acho que todo mundo deveria ler”, diz a ilustradora. Karla explicou para as crianças um pouco do que é o processo de pintura em aquarela. “É um processo mágico onde a gente mistura tinta com água e ela vai para todos os lugares que quiser”, explica ela, didaticamente.

Suzana Morais contou como foi o processo de criação de seu livro A passagem secreta. “Ele foi escrito, inicialmente, em cordel. É difícil encontrar mulheres escrevendo cordel e a maioria deles não têm protagonistas femininas, por isso eu escrevi essa história”, diz ela. A escritora, que também é contadora de histórias e cordelista, fez uma breve apresentação do livro para as crianças, contando o início da história, que foi construída com base nas técnicas do cordel. A história conta as aventuras de uma menina através de uma passagem secreta.

Rodrigo Ramos/CulturaPE

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Debate atraiu crianças e adultos ao polo de literatura do festival

Como os dois livros têm personagens femininas como protagonistas, a defesa por direitos iguais entre homens e mulheres foi um tema pautado, durante a conversa. “O feminismo é um movimento que existe no mundo inteiro onde as meninas procuram saber porque elas não podem fazer determinadas coisas que os meninos podem. Então, muitas vezes, quando a gente vai crescendo, vai se oprimindo e isso pode obstruir nossas oportunidades. O livro coloca essa reflexão de uma maneira leve e divertida. Queiram ter asas que voam, queiram ser violetas”, explica Socorro às crianças fazendo alusões ao seu livro.

Suzana aproveitou o momento e falou um pouco de outra obra sua, A formiga surfista, explicando para o público o que é a rima. “A rima são palavras que combinam entre si, por exemplo: anão e mamão. Esse livro, que foi escrito com rima, conta a história de uma formiga que não tinha medo da chuva e resolver surfar numa folha”, conta ela. Sobre o processo de concretização de Vira Vira Violeta até chegar à impressão, Socorro Lacerda conta que cuidou dos mínimos detalhes pessoalmente. “Quando ele ficou pronto, parece que chegou um filho. Não é fácil fazer um livro com recurso próprio mas é muito gostoso”, diz ela que, ao final da conversa se dirigiu ao estande da editora CEPE para a sessão de autógrafos do livro.

Rodrigo Ramos/CulturaPE

Rodrigo Ramos/CulturaPE

O Reisado Infantil Floreando de Garanhuns também participou da atividade

Marianne Biggio encerrou o momento com a leitura de um poema de sua autoria chamado Manifesto das Meninas. Em seguida, ao som de uma viola e um pandeiro, o Reisado Infantil Floreando de Garanhuns se apresentou, encantando a todos. O cordelista Luiz Gonzaga de Lima está à frente do grupo. “O reisado é um folguedo que faz parte do ciclo natalino e comemora o nascimento de Cristo. Foi trazido pelos portugueses, para o Brasil, no século XVIII. Em Garanhuns, lutamos muito pelo reisado”, diz ele que é o responsável pela formação de quatro grupos de reisado com faixas etárias diferentes, no município.

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