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Diálogo com Sidney Rocha marca edição do Outras Palavras em Xexéu

Projeto tem percorrido vários municípios do estado, visitando mais de 350 escolas e doando cerca de 4.500 livros

No que depender do projeto Outras Palavras, da Secult-PE e da Fundarpe, cultura popular e literatura pernambucanas estarão cada dia mais presentes no cotidiano escolar.  Com atividades em mais de 350 escolas do estado, desde 2015, o programa leva para sala de aula importantes referências da nossa cultura, escritores premiados, símbolos da música popular local, além de Patrimônios Vivos.

O projeto esteve na sexta-feira (25) no município de Xexéu, animando a Escola Municipal Antônio Joaquim de Gouveia. Entre os convidados, o escritor Sidney Rocha, vencedor do Prêmio Jabuti, conversou com os estudantes, sob a mediação da poeta Mariane Bigio, Sidney conversou sobre o atual momento da literatura no Brasil e falou também da sua obra premiada: “O Destino das Metáforas”. Além dos escritores, o Clube de Bonecos Seu Malaquias, Patrimônio Vivo de Pernambuco, também participou da atividade.

O ‘Outras Palavras’ fez chegar até a biblioteca das escolas um importante acervo literário, com títulos de autores pernambucanos. Na entrega do kit, Antonieta Trindade, vice-presidente da Fundarpe, explicou o projeto: “Nós que fazemos a Secretaria de Cultura e a Fundarpe temos a honra de trazer este projeto para a cidade de Xexéu. É muito gratificante trazer o Outras Palavras para uma cidade que se preocupa com a educação, quero agradecer ao prefeito Eldo Magalhães e ao secretário de Educação, Atonino Matias por essa oportunidade. Queremos fazer da escola um momento muito mais prazeroso para os alunos, além de fortalecer nossa cultura apresentando escritores premiados em Pernambuco e também no Brasil, Patrimônios Vivos e grandes ícones da cultura local. Hoje vocês vão ter a oportunidade de conhecer o escritor Sidney Rocha, que é grande parceiro do projeto e também o Clube de Bonecos Seu Malaquias, eleito recentemente Patrimônio Vivo de Pernambuco. Encaramos o Outras Palavras como uma militância em prol da educação, espero que possam desfrutar deste momento.” finalizou.

Vice-presidente da Fundarpe, Antonieta Trindade entrega kit literário a gestora da Escola Municipal Antônio Joaquim

Vice-presidente da Fundarpe, Antonieta Trindade entrega kit literário à gestora da Escola Municipal Antônio Joaquim

Os alunos presentes ainda puderam desfrutar de um momento-cinema, com a exibição do curta “A Hora da Saída” produzidos por estudantes da Escola Estadual Santa Paula Frassineti, durante o curso de iniciação ao audiovisual do projeto Cine Cabeça, com direção de Cynara Santos e Gabriela Freitas e roteiro de Lucas Cintra e Vitor Vinicíus.

Depois da exibição, foram convidados ao palco os escritores Sidney Rocha e Mariane Bigio para falar sobre literatura e um pouco da vida do convidado. Sidney é escritor, contista, romancista e editor.

Com uma leveza na condução da conversa, Mariane logo arrancou de Sidney sua visão mais ampla da literatura. Muito à vontade, o escritor conversou com os presentes e compartilhou um momento que viveu envolvendo literatura e a cidade de Xexéu.

Mariane Bigio bate papo com escritor Sidney Rocha

Mariane Bigio bate papo com o escritor Sidney Rocha

“O que influencia a obra de um escritor é a capacidade que temos de compartilhar ideias. O que é na verdade ficção? porque podemos imaginar coisas? A literatura tem a capacidade de fazer o que nós sonhamos ser algum dia verdade. Se, aos 15 anos, eu sonhasse com um País menor, eu não teria feito literatura. A literatura não é só uma máquina de invenção, é também uma máquina de sonhos, é uma máquina que pode fazer algo útil pelo outro. Há alguns anos esta região sofreu várias situações históricas de enchentes. Em 2010, quando foi a maior delas eu pensei, o eu posso fazer? Eu só sei escrever, eu queria fazer algo mais. Mas eu tinha que aproveitar a minha capacidade para ajudar de alguma maneira”, contou Sidney.

Naquele ano, o escritor desenvolveu um projeto que visou ajudar as vítimas da enchente na região. ”Pensei em escrever um livro, tinha naquela época 4 mil reais em minha conta bancária, eu pensei que com 4 mil eu conseguiria fazer um livro. Falei da ideia com alguns amigos escritores que também se interessaram em ajudar aquelas pessoas. Pra gente ver que ainda existe solidariedade entre as pessoas, quando cheguei na gráfica, custava 20 mil reais para imprimir o livro. Diante da situação, o dono decidiu fazer de graça. O fabricante do papel em São Paulo também concordou em ajudar e, em menos de 4 dias, eu tinha tudo que precisava para fazer o livro. Eu ainda precisava vender para arrecadar dinheiro para ajudar essas pessoas, então viajei para São Paulo em busca de contato com a Livraria Cultura, que também, resolveu ajudar. Dentro de uma semana arrecadamos 25 mil reais e doamos para ajudar aquelas pessoas que precisavam naquele momento. Foi muito prazeroso e satisfatório fazer isso com a literatura. Ninguém é escritor sozinho, um livro fechado não é nada, o livro só existe a partir da dimensão de quem lê”, opinou o escritor.

Sidney falou ainda sobre o Prêmio Jabuti de Literatura: ” Sou muito grato por este prêmio, sim, seja qual for a sua profissão, um prêmio é um reconhecimento de um trabalho que fez por determinado tempo ou com determinada qualidade. O Prêmio Jabuti é da alta crítica brasileira, mas acho que o grande prêmio do escritor não é quando seu livro encontra um grande selo, costumo dizer que local de escritor não é na livraria e, sim, na escola. Vivemos uma transição lenta, gradual e demorada da democracia, temos obrigação de retribuir à escola tudo que aprendemos, então, quando me chamam para ações como esta, me sinto muito mais honrado que qualquer prêmio que possam dar aos meus livros”. 

Escritor Sidney Rocha, vencedor do Prêmio Jabuti

Escritor Sidney Rocha vencedor do Prêmio Jabuti

Depois do papo literário, subiu ao palco o Patrimônio Vivo, Clube de Bonecos Seu Malaquias para uma breve apresentação do seu trabalho. Com muito frevo animou a tarde em Xexéu.

Clube de Bonecos Seu Malaquias foi constituído como troça em 1940, veio da cidade de Carpina e teve como fundador Antônio Ramos de Oliveira, popularmente conhecido por Seu Maracujá. Em 27 de agosto de 1954 foi registrado como Boneco Seu Malaquias. O nome foi escolhido em função de uma pessoa com estatura elevada que vivia na região e era chamada Malaquias.

Seu Malaquias tem como símbolo um boneco gigante que traz no pescoço um medalhão, e tem por cores o vermelho e o branco em decorrência da devoção ao Orixá Xangô.

Com vários títulos de campeão e vice-campeão do Carnaval do Recife, o Boneco traz em seu repertório os frevos de rua “Malaquias no Frevo” e “Recordação de Maracujá”, composições do Maestro Nunes, e o hino do clube-”Seu Malaquias”, composto por José Bartolomeu. Seu atual presidente é Brandão de Oliveira, mais conhecido como Chocho.

Clube de Bonecos Seu Malaquias

Clube de Bonecos Seu Malaquias faz breve apresentação

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