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Estudantes participam de aula sobre frevo e música pernambucana no Museu do Estado

Edição do Outras Palavras realizada nesta quinta-feira (22) teve a presença do Maestro Spock, músico que tem rodado o mundo representando o estado

Elimar Caranguejo/Secult-PE

Elimar Caranguejo/Secult-PE

Líder da banda Spok Frevo Orquestra, o maestro conversou por horas com os estudantes, e fez da oportunidade uma aula sobre música e de incentivo aos estudos e valorização da escola

Por Marcus Iglesias

Um dos mais atuantes nomes da atual música pernambucana no mundo afora, o Maestro Spok, ou simplesmente Spok (como preferiu ser chamado na ocasião), participou de um bate-papo nesta quinta-feira (22) com estudantes da rede pública, promovido pelo Outras Palavras. Desta vez a edição do projeto da Secult-PE e Fundarpe foi realizada dentro do Museu do Estado de Pernambuco, uma forma de levar alguns alunos e alunas a também conhecerem um dos equipamentos culturais do estado.

A atividade dialogou com a exposição Condenados à vida, uma homenagem aos 70 anos do escritor pernambucano Raimundo Carrero, amigo de Spok e que também participaria da conversa com os jovens – mas por problemas de saúde teve que se ausentar. Para não deixar o legado de Carrero em branco, o Outras Palavras convidou o também escritor Paulo Caldas para ler uns trechos da obra Tangolomango e conversar um pouco sobre as técnicas que Raimundo escolhe nos seus livros.

Elimar Caranguejo/Secult-PE

Elimar Caranguejo/Secult-PE

Spock fez questão de mostrar a diferença entre os três tipos de frevo, categorizados por Waldemar de Oliveira: Frevo de Rua, Frevo Canção e Frevo de Bloco

Líder da banda Spok Frevo Orquestra, o maestro conversou por horas com os estudantes, e fez da oportunidade uma aula sobre música e de incentivo aos estudos e valorização da escola. “Quando entrei no ginásio, que era a quinta séria na minha época, na Escola Polivalente, de Abreu e Lima, dei a sorte de ter uma turma só de músicos. Era uma escola pública boa, e nossa brincadeira era competir quem tocava mais notas”, relembrou Spok.

“Mas o que mais me fortaleceu naquela época mesmo foi ter tido um professor que me ensinou a valorizar os mestres da música pernambucana”, contou aos jovens, ressaltando que muitos destes colegas de escola estão hoje trabalhando profissionalmente com a música. “Isso é algo que muito me emociona”.

Elimar Caranguejo/Secult-PE

Elimar Caranguejo/Secult-PE

“Eu sou capaz de ouvir as orquestras nas ladeiras de Olinda e ruas do Bairro do Recife. Quando toco um frevo, vejo passistas ao meu lado e me sinto protegido pelos que vieram antes de mim, como Nelson Ferreira, Justino Gomes e Maestro Nunes”, disse Spok

Questionado por um aluno se ele teve apoio da família quando escolheu ser musico, Spok afirmou que sim e buscou incentivar a garotada com seu exemplo. “Meu pai era louco por música e me incentivou bastante. Mas o recado que eu quero deixar pra vocês é que antes de qualquer coisa devemos preservar e valorizar a nossa história”.

Ele citou o reconhecimento por parte do público europeu, um grande apreciador de música instrumental, num dos shows que a Spok Frevo Orquestra fez a convite de um festival na França. “Estávamos nos arrumando para subir ao palco quando percebemos que alguns Pelés da música mundial estavam ali para nos assistir. Nomes como o saxofonista Branford Marsalis e Wynton Marsalis. É como se você fosse convidado a jogar uma pelada com Messi. E quando entramos no palco, tinham mais de 10 mil pessoas nos assistindo”.

Elimar Caranguejo/Secult-PE

Elimar Caranguejo/Secult-PE

“Eu tive a sorte de encontrar esse professor na infância que me ensinou e mostrou e apresentou os mestres da linguagem do nosso povo, nossa cultura. E isso nos fortalece”, ressaltou o músico

“Tocamos um pout pourri que batizei de O que Nelson gostou, que é uma brincadeira com três músicas dele (Gostosão, Gostosinho e Gostosura). Quando a gente terminou, todo mundo nos aplaudiu de pé. E não pararam até que começamos a tocar outra música. O que quero pontuar aqui é que só fomos para o mundo porque a gente toca frevo, baião, nossa cultura. Porque se eu tocasse jazz americano, vocês acham que iam me chamar? Tive a sorte de encontrar esse professor na infância que me ensinou e mostrou e apresentou os mestres da linguagem do nosso povo, nossa cultura. E isso nos fortalece”.

Antes de subir neste palco, Spok contou que lembrou aos seus companheiros de banda que todos estavam protegidos pelos mestres. “Sou capaz de ouvir as orquestras nas ladeiras de Olinda e ruas do Bairro do Recife. Quando toco um frevo, vejo passistas ao meu lado e me sinto protegido pelos que vieram antes de mim, como Nelson Ferreira, Justino Gomes e Maestro Nunes”, disse Spok, fazendo uma reverência aos grandes nomes deste gênero genuinamente pernambucano.

Elimar Caranguejo/Secult-PE

Elimar Caranguejo/Secult-PE

Durante a conversa Spock convidou alunas e professoras para cantar junto a ele a música Madeira Que Capim Não Rói, de Capiba

Spok fez questão de mostrar a diferença entre os três tipos de frevo, categorizados por Waldemar de Oliveira: “Nós temos o Frevo de Rua, que é um frevo instrumental. Um exemplo é a música Cabelo de Fogo, do Maestro Nunes. Temos também o Frevo Canção, que é também seguido da orquestra e, neste caso, tem alguém cantando. Por último, temos o Frevo de Bloco, cujas características principais são os instrumentos de pau e corda e corais femininos”, explicou o músico, convidando em seguida algumas professoras e alunas para cantar junto a ele a música Madeira que Cupim Não Rói.

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