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Mestre Galo Preto e o escritor Sidney Rocha levam ‘Outras Palavras’ à escola no Recife

Projeto da Secult-PE e Fundarpe já alcançou mais de 500 centros educacionais do Estado

Jan Ribeiro/Secult-PE

Por Marcus Iglesias

O premiado escritor Sidney Rocha e o Patrimônio Vivo de Pernambuco, o Mestre Galo Preto, foram os convidados de mais uma edição do projeto Outras Palavras, realizada na última terça-feira (3), na EREM Padre Nércio Rodrigues, no bairro da Linha do Tiro (Recife).

De um lado, olhos brilhavam de curiosidade; do outro, emocionados com o entendimento de que a revolução do ambiente escolar pode se dar por meio da arte e da cultura. O diretor da centro educacional, Pedro Henrique de Melo, aproveitou para convidar outras escolas da redondeza, como a EREM Beberibe e a EREM Pedro Celso, para também participaren da iniciativa promovida pela Secult-PE e Fundarpe.

Segundo Antonieta Trindade, gestora do Outras Palavras e vice-presidente da Fundarpe, o projeto já esteve em quase 500 escolas do estado de Pernambuco. “O que a gente quer e repete insistentemente é integrar a cultura e a educação. Oferecer a vocês o que há de melhor na cultura pernambucana”, reforçou Antonieta.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Há bastante tempo na lida literária, Sidney Rocha já publicou romances e livros de contos como “O destino das metáforas”, com o qual ganhou, em 2012, o Prêmio Jabuti. Mas Sidney não estava ali naquela escola para falar sobre sua obra ou seus feitos, mas para elevar também a autoestima dos estudantes.

“Eu me sinto muito em casa conversando aqui porque assim como vocês eu fui estudante de escola pública. E onde eu estudava existiam duas portas importantes. A primeira era a da biblioteca, porque conheci obras de outros autores, transcendi para o sentimento de coletivo. Já a segunda porta era a da cantina, porque na minha época, no Ceará, isso era o que garantia o aluno ir às aulas. A gente não tinha comida em casa, era um período mais complicado”, disse ele.

Jan Ribeiro/Secult-PE

O autor de obras como Sofia, Guerra de ninguém e Matriuska, entre outras, explicou que quando fala da escola pública quer falar do estudante que faz parte dela. “Muitas vezes as pessoas acham que este tipo de aluno é um patinho feio. Mas o que eu tenho percebido nos últimos anos, quando a gente avalia a educação do nosso país, é que a escola pública fez e faz a diferença. Nos últimos doze anos, foram vocês e esse ambiente que impulsionaram as transformações recentes que o Brasil viveu”, enalteceu.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Uma das escolas que participaram do Outras Palavras na Linha do Tiro, a EREM Beberibe, recebeu há alguns meses o Curso de Escrita e Leitura Criativa, ministrado por Sidney Rocha. “Naquela escola eu percebi que os estudantes dela leram mais do que a média do Brasil, porque haviam lido autores como Franz Kafka, William Shakespeare, Thomas Mann e Dostoiévski, nomes que muitas pessoas do nosso país jamais terão acesso. Dou este exemplo para dizer que nós da escola pública temos que parar de nos colocarmos como os patinhos feios da educação brasileira”, pontuou o escritor.

Jan Ribeiro/Secult-PE

A aluna Anne Cunha, do 2º ano da Escola Padre Nércio, participou deste curso ministrado por Sidney, e sua fala foi interessante porque seu desejo é cursar Medicina um dia, mas ao mesmo tempo adora escrever. “Como Sidney disse na apresentação, a literatura não é algo restrito a quem trabalha com Letras, língua portuguesa, mas sim aberto a todos que queiram se expressar. A gente pode falar sobre tudo, e um dia quero escrever um livro didático sobre medicina cirurgiã, que é a profissão que quero pra mim”, revelou Anne.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Fechando a programação, o Mestre Galo Preto iniciou sua fala explicando como surgiu o coco de roda em Pernambuco, trazido pelos escravos vindos da África para a senzala brasileira. “A música antes era só sapateado com o pé, e com o passar do tempo vieram as palmas, porque o som era feito com o próprio corpo. Com a liberdade, começaram a criar os instrumentos, como o ganzá e a zabumba. O coco verdadeiro é acompanhado desses dois últimos mais o pandeiro”, explicou Mestre Galo Preto, puxando em seguida sua canção Bate Pandeiro e chamando os jovens a dançarem com ele no meio do auditório, abrindo uma grande roda.

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